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Sem Aspas | O menino que não podia dormir - por Amanda Rocha




Segunda série do Ensino Primário; eram saudáveis e felizes, repletos de criatividade, não poderia ser diferente, eram discípulos de uma tia mágica que os fazia flutuar e viajar a cada aula. Não apenas compreendiam os biomas do país; durante as aulas de geografia, através da imaginação, transportavam-se para cada região. Sentiam-se como num desenho animado, vestiam-se de cientistas e investigavam a fundo a fauna e a flora do país. Amavam aquela tia, mas se aproveitavam de sua saída para subirem às bancas e juntos entoavam canções de sucesso. Enquanto cada criança dançava em sua banca e um grupo utilizando-se de estojos como os microfones animava a turma sobre o birô da professora, alguns se revezavam à brecha da porta para alertarem sobre o retorno da tia; aquilo lhes era emocionante.

Logo na chegada à escola, formavam fila para cantarem o Hino Nacional, às vezes cantavam também o Hino do Estado, da Cidade e da Escola, mas apenas em datas especiais, o certo mesmo era a oração do Pai Nosso, sempre antes de adentrarem a sala; mas por tão endiabrados que eram, pouca serventia fazia tanta reza. Erguiam os braços para frente e para os lados para marcarem o espaço necessário a uma fila simétrica, mas nem mesmo durante esse momento deixavam de realizar suas presepadas, como colocar chicletes nos cabelos das meninas, imitar gato raivoso, pôr o pé para alguém tropeçar ou soltar traque de sala. “Possuíam todo o gás”, assim diziam os mais velhos sobre eles, sobretudo, a respeito de Júnior, Carlos e Paulo; eram demasiadamente levados; enfrentaram, por inúmeras vezes, a diretora Jaciara. Essa possuía voz imponente, usava saias marrom-escuras até após os joelhos, blusa branca e um coque no cabelo; seu salto baixo produzia um som que anunciava sua chegada, era o tempo necessário para ajustarem-se nas bancas e pousarem de leitores silenciosos. Vez ou outra, algum desatento era flagrado desrespeitando alguma norma escolar, principalmente os garotos já mencionados. Levados, eram os autores das melhores cenas, as mais engraçadas da escola e por certo, o fato de serem traquinos lhes concediam esse posto. Apelidavam a todos, inclusive a Dona Jaciara a quem carinhosamente chamavam de Dona Jagunça. Certa vez, Júnior solicitou a tia Mágica para ir ao banheiro, mas segundo as regras de Dona Jagunça, perdão, Jaciara, naquele horário era proibido sair da sala. Júnior, esperto que era e apertado que estava, aproveitou o momento em que a tia tomava a tabuada dos demais colegas e dirigiu-se até o fundo da sala, pôs-se voltado para a parede, abriu o zíper da calça e deliciosamente expeliu todo o líquido que lhe exprimia a bexiga. Recompôs-se e sentou-se.

Minutos após ouviram o barulho do salto da diretora subindo as escadas, ela bateu à porta toda encharcada e numa nítida demonstração de irritabilidade, perguntou quem havia feito xixi na sala; o piso era de madeira e possuía uma fenda que dava exatamente para a sua cabeça enquanto sentada em seu birô. A tia não sabia responder, mas Júnior que havia aprendido com os pais, através de cascudos pedagógicos, a jamais mentir, logo ergueu a mão e acusou-se.

- Já para minha sala – disse dona Jagunça; perdão outra vez, Dona Jaciara.

Júnior possuía dificuldades para negar suas ações geniais de menino; já Paulo era capaz de tramar e executar as mais intensas peraltices sem se revelar, só era descoberto quando deixava algum rastro. Paulo desenvolveu um amor platônico por Flávia; ela era uma garota bela e atrevida, mas não se importava com Paulo e isso o irritava e para vingar-se, ele desafiou-a durante o intervalo a um jogo de arremesso de caixas, ela ousada e defensora das meninas jamais hesitaria. Chutou duas caixas de papelão que subiram até o telhado da cantina; Flávia, logo em seguida, chutou a primeira que também acompanhou as de Paulo, no entanto, a segunda não alçou voo, ergueu-se apenas alguns centímetros do chão, isso acompanhado pelos berros da garota.

- Aaaaaaaaaaaaí, meu pé!

Paulo pusera um paralelepípedo dentro da caixa e isso culminou na ida da garota ao hospital para tratar de uma distensão e do garoto para a sala de Dona Ja... Ja... Jaciara (essa foi por pouco) e uma suspensão de três dias; todavia, mais dolorida que as palmadas que recebeu dos pais, foram as palavras de Flávia ao dizer:

- Nunca mais eu falo com você!

Já Carlos era um sonhador e muito, muito, muito, muitíssimo medroso. Temia tudo, via fantasma em tudo. Uma vez jurou ter visto a foto da fundadora da escola, que era centenária, movendo os olhos; todas as crianças ficaram pavorosas; invadiram a secretaria para contemplarem a foto movendo os olhos e todos, quase que sem exceção, diziam que viam também. Foi uma gritaria, um alvoroço, quase que incontrolável, apenas a diretora conseguia erguer a voz sobrepondo-a a das crianças colocando-as em suas salas de aula; quando pesquisou quem iniciara tudo aquilo chegou ao Carlos que ainda trêmulo seguia para a diretoria, e sequer conseguia pronunciar uma palavra, pois havia uma réplica da mesma foto estampada na parede por trás do sofá no qual deveria sentar, e ainda bem que não sentou, do contrário esse teria de conduzir-se a lavagem, no que foi suficiente convidar Zezinha para secar a urina que escorreu por todo o piso e ajudar o rapazinho que se molhou todo. Era uma forma não muito convencional de expressar todo o medo que estava sentindo. Dona Jaciara foi gentil, ele estranhou, não imaginava que ela poderia agir daquela forma tão sensibilizada, mas isso durou pouco; tratou de dizê-lo que era um homem e que deveria ser forte e corajoso, abandonar esse comportamento de frangote, molenga – seja um homem! Enfrente seus medos com bravura. Como defenderá sua família? – Ele cresceria, mas aquelas palavras ficariam cravadas em sua memória por muitos dias após o ocorrido e as mudanças o acompanhariam toda a sua vida. Antes de sair para a escola ficava frente ao espelho repetindo para si mesmo as palavras que ouvira dentro da diretoria, não sabia ela, nem mesmo ele que aquele dia seria o responsável por transformar o seu destino, caso não tivesse ouvido aquele discurso estaria fadado a uma vida de fracassos; mas não. Aquelas palavras talharam em sua mente um comportamento digno dos homens de sucesso e assim ele seria; mas por hora fiquemos com algumas poucas narrativas de sua infância.

Júnior, Paulo e Carlos conversavam no intervalo, estavam a planejar um campeonato de futebol quando ouviram Ana e Rebeca cochicharem sobre uma conversa entre os seus pais, e que comentavam sobre a casa abandonada do final da rua; relatavam histórias de velas que flutuavam acesas, de redemoinhos de móveis e velhos que passavam por portas fechadas. Carlos começou a tremer, embora em sua mente recordasse as palavras proferidas por dona Jaciara; porém, Júnior e Paulo atiçaram-se para irem até a casa. Carlos sugeriu que fizessem uma expedição e que chamassem todos da sala e assim foi. Durante a aula repassaram os convites: “Reunião de urgência após a aula. Todos no pátio antes de ir para casa”.

A maioria atendeu ao convite. Fizeram uma grande roda e puseram os braços sobre os ombros uns dos outros; o assunto requeria sigilo. No dia seguinte, conforme o planejado, cada um trouxe o equipamento que julgou essencial para realizarem a expedição, a saber: alho, crucifixo, livro dos Salmos aberto no capítulo 91, terço, água benta, etc. Acordariam os detalhes durante o intervalo, mas a ansiedade os forçava a conversarem durante a aula e por diversas vezes foram repreendidos pela tia. Constrangidos, interromperam os cochichos e tentaram se concentrar na explanação da aula de ciências, a tia falava sobre alguns vírus e como se proteger; contava sobre a importância de manter a caderneta de vacinação sempre atualizada. As crianças estavam demasiadamente ansiosas para se concentrarem na aula, parecia que pela primeira vez a mágica da tia não surtira efeito.

O intervalo chegara, fizeram uma roda onde expuseram suas armas; prepararam tudo; passo a passo traçaram o que fariam.

- Vocês poderiam me contar o que está acontecendo? – Disse Marcos bocejando.

- Não acredito, Marcos! – disseram os meninos num coral.

- Esse bicho só vive dormindo, por isso não sabe de nada que acontece – falou Júnior.

- As notas dele estão baixas porque não presta atenção no que a tia diz – acrescentou Flávia, ainda desprezando Paulo com o olhar.

- Ele dorme tanto que perdeu a própria festa de aniversário que titia fez – completou Ana, sua prima.

- Pessoal, me deixem em paz, para que tanta pressa? Dormir é maravilhoso – Marcos ao contestar os amigos.

- Marcos, nós vamos a uma expedição muito importante na casa mal assombrada do final da rua, você vai com a gente? Mas tem de ficar acordado. – completou Paulo, autoproclamado líder do grupo.

O tumulto chamou a atenção da fiscal de pátio que se aproximou repreendendo as crianças, nesse mesmo momento o toque animava o fim do recreio. Retornaram às salas, mas estavam cada vez mais ansiosos pelo toque final. Cada um em sua carteira preparava-se para a expedição.

  • Crianças, fiquem atentas a aula - dizia a tia mágica - Marcos? Marcos?

Trilinlin... Era o toque da largada; correram como um raio, sacudiram as bancas e sequer se despediram da tia Mágica que ficou encabulada com aquele comportamento. Ergueu os olhos e ficou a buscar em seus pensamentos uma justificativa; sem sucesso.

Num misto entre o medo e a euforia desceram a ladeira rumo à última casa da rua, a tentativa de Ana silenciar a turma era nula, Otávio e Rodolfo que estavam próximos a Daiana e Patrícia demonstravam indecisão:

- É melhor não ir não.

- Que é Daiana?!

- Otávio tem razão, Oxe! Vamos logo – disse Rodolfo.

- Parem com tanto barulho, vocês não conseguem ficar quietos?

- Isso mesmo Daiana, ou vão ou voltam e ficam em silêncio – disse Ana pondo fim a essa discussão.

- Mas que gritaria! Interferiu Paulo – sigam! Vamos todos e observem se ninguém nos viu.

Estavam agitados e atemorizados, nesse instante o medo não era exclusividade de Carlos.

- Isso aqui é melhor que dormir. Simbora meu povo!

Todos sorriram muito com a nova performance de Marcos.

A casa era singela, porém imponente, a tinta da parede estava descascada, até partes do reboco haviam caído. A porta de madeira era remendada e possuía fendas pela qual Rebeca foi a primeira a espiar; ao aproximar-se, gritou e provocou uma sequência de gritos; o susto fora em decorrência da queda de um dos lados da porta. Paulo disse um grande “oba” e animou todos a entrarem, no que hesitaram. As vozes das crianças se cruzavam tornando inteligíveis quaisquer predicados.

- Silêncio! - Flávia ao erguer a voz – todos nós entraremos, para isso estamos aqui. Deixem de agir como meninos medrosos, não limparam as calças? Agora vamos!

- Essa menina é incrível – pensou Paulo, mas não ousou falar nada.

Todos silenciaram e um por um agachavam-se para passar pela fenda. Júnior acendeu uma lanterna; Patrícia começou a repetir de cor o Salmo 91; Carlos trêmulo e com os olhos cerrados tropeçou num porta retrato que estava no chão, perdeu o equilíbrio e caiu: a gritaria não pode ser contida, nem mesmo por Flávia que também se assustou. Júnior ajudou-o a levantar-se.

- Acorda menino, tá dormindo é? – interrogou Marcos.

- Gente, gente, olha isso aqui – Paulo chamava a atenção da turma para uma escada que direcionava para um porão. Isso não é muito comum por aqui.

- Dizem que essa casa pertenceu a um gringo e por lá em seu país é comum construções assim – explicava Rodolfo, cujo pai era arquiteto.

- Ouvi minha mãe dizer que ele morreu de saudades de sua esposa e de seu filho, que morreram tragicamente – Acrescentou Daiana, romântica como sempre.

- Minha tia disse que ele guardava partes dos corpos deles em potes com formol - pronunciou-se Rebeca.

- Eu num vou descer aí de jeito nenhum.

- Depois dizem que o medroso sou eu, né Otávio?

- Cadê Flávia?

- Ela foi para a cozinha, Paulo, com Ana e Rebeca.

Enquanto se dirigiam também à cozinha foram paralisados por um barulho estrondoso de uma porta batendo, o barulho fora seguido por seus próprios gritos de pavor. Todos correram para próximo uns dos outros, no centro da casa. Abraçados, Rodolfo já falava em desistir, Rebeca e Daiana concordavam. O silêncio os tomou, então começaram a ouvir passos e um grave barulho de algo caindo na área externa após a cozinha. Correram, mas o barulho do vento balançando os galhos da mangueira que ficava na parte frontal os deixou apavorados e optaram por descer as escadas que dava para o porão. Os degraus de madeira roída mal podiam ser vistos claramente pelas crianças. Na ânsia, Júnior tropeçou em Ana e os dois rolaram pela curta escada; a lanterna se abriu, as pilhas caíram e a partir de então não conseguiram ver mais nada. Só dera tempo de perceber que o teto era curto, que as paredes mofadas e sem tintas estavam repletas de prateleiras de madeira e estas cheias de objetos que não conseguiram decifrar. A essa altura, Flávia e Paulo, agora unidos em prol do plano de retorno conversavam:

- Acalme todos, ponha todos juntos e eu irei procurar as pilhas. Júnior, vem comigo.

Nesse momento a porta do porão fechou-se abruptamente, vedando os últimos raios de luz que iluminavam o lugar.

- Parece um de meus sonhos, isso tá muito legal – Disse Marcos.

- Cala essa boca menino – repreendeu Rebeca.

- Gente, eu tô com muito medo – Endossou Patrícia.

- Nunca mais eu verei minha mãe!

- Calma Rodolfo, se fosse eu, estariam todos zoando de mim – acrescentou Carlos – Mas já sei o que faremos, a única saída é a porta. Vamos voltar pela escada.

- Nada disso! Exclamou Júnior.

- Nós sairemos após explorarmos toda a casa – complementou Paulo.

Otávio que já declarava o desejo de ser padre começou a rezar e lançar a água benta sobre seus amigos, clamando por uma bênção protetora e pelos anjos da guarda. Daiana, Patrícia e Rebeca uniram-se a Otávio na reza, mas eram repreendidos por Ana que pedia que ficassem em silêncio. Flávia os direcionou para uma única parede, mas Rodolfo impaciente ficava perambulando pelo cômodo escuro, trêmulo, até que esbarrou numa estante e lançou-a ao chão, foi difícil conter a gritaria.

Finalmente Júnior e Paulo conseguiram encontrar as pilhas e Carlos, que gostava de montar e desmontar coisas, conseguiu, com muito esforço, montar a lanterna que funcionou e finalmente puderam iluminar o lugar onde estavam.

- Gente isso é irado, que loucura!

- Cala a boca Marcos! - muitos disseram em resposta.

- Nosso objetivo era uma expedição, não ficarmos trancados num lugar desse.

- Calma, Rodolfo, calma! Já sairemos daqui, mas não sem antes fazermos o que nos comprometemos; vejam, que potes são esses? - respondeu Paulo.

- Paulo, olha isso aqui - disse Júnior direcionando a lanterna para um pote ainda fechado.

Todos olhavam admirados, tentando enxergar em meio às sombras e a pouca luz da lanterna quando a porta se abriu, a reação foi de completo desespero, todos, sem exceção, gritaram apavorados.

- Que houve, Marcos? Um pesadelo, filho?

- Não, tia, foi o sonho mais irado que já tive.

Com uma expressão de surpresa a tia informou a Marcos que era a hora de ir para casa.

- Júnior, Paulo e Carlos, esperem em sala, creio que vocês explicarão melhor este sonho de Marcos.

-
Mas tia, ele quem sonhou, o que nós temos a ver com isso?

Os meninos resmungavam, mas obedeceram.

- Sempre Marcos, sempre Marcos.
- Quem deixou ele dormir?!

A indicação de leitura hoje é Poesias Infantis, de Olavo Bilac. Que Deus vos abençoe.



Amanda Rocha é professora e escritora

Comentários

  1. Parabéns minha amiga escritora. Sentimos muito orgulho de você. Sucesso sempre para você

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