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Opinião Construtiva | O que é escola democrática – por Mário Disnard

Antes de descrever como os pais, integrantes da comunidade e educadores trabalharam para realizar esse sonho, explicarei de forma breve o que entendemos por escolas democráticas para deixar claro porque escolhemos esta escola específica como um bom exemplo. Para começar, as lutas, as alianças e mobilizações de pais, educadores e membros da comunidade como as aqui descritas são aspectos cruciais da escolarização democrática como movimentos indispensáveis para a criação e sustentação das escolas. Segundo, é essencial na nossa concepção de escolas democráticas que elas tenham, por um lado, estruturas e processos, currículos, sistema pedagógico e de avaliação de natureza democrática e, por outro, uma composição caracterizada pela diversidade. São dois aspectos entrelaçados. Uma escola não pode ser democrática, na nossa concepção, com uma dessas coisas mas sem a outra.




A natureza democrática da estrutura e dos processos de uma escola depende de quem participa de seus processos decisórios e de que forma. A capacidade de todos os membros da comunidade escolar, professores, estudantes e pais de participar do estabelecimento de regras e políticas que governem a vida escolar é fundamental. Essa participação, especialmente dos estudantes, não pode ser relegada a um mero caráter simbólico e tem que garantir voz plena e igual para todos. Mas isso ainda não é suficiente para que uma escola seja democrática no sentido “denso” que defendemos e que achamos representar. Não basta que uma escola seja internamente governada por processos e estruturas democráticos se é externamente seletiva quanto às famílias e educadores que têm acesso a ela.

O segundo aspecto crítico das escolas democráticas está na natureza e no conteúdo dos seus currículos e sistemas pedagógicos. A cultura e a história de quem, quais identidades estão presentes e são valorizadas no currículo e na pedagogia? A escola produz “conhecimento oficial” da cultura dominante? Em termos pedagógicos, “as melhores práticas” da escola são moldadas, como geralmente acontece, em benefício sociocultural da classe média ou estão voltadas para um corpo discente de composição diversa, que inclui grupos minoritários e marginalizados? O currículo e o sistema de uma escola democrática são inclusivos e diversificados na estrutura e no conteúdo, mostrando aos estudantes uma multiplicidade de histórias, culturas e identidades?

Finalizando, ligado a isso, um outro aspecto da escola democrática extrapola os seus muros, a saber o desenvolvimentos nos estudantes de uma consciência crítica de sua realidade social e o reconhecimento de sua capacidade para realizar mudanças no mundo.



Mário Disnard é professor, com graduação em História e Gestão em Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão do Capital Intelectual e Coordenação Pedagógica. Foi Articulador da EJA da Prefeitura Municipal de Caruaru. Tem experiência na área de Administração. Foi coordenador do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos biênio 2014/2016, Foi vice-presidente dos Conselhos Municipais de Assistência Social e Direitos da Criança e do Adolescente de Caruaru. Participou da Construção do Plano Municipal de Educação de Caruaru. Pesquisador em EJA com publicações Nacionais e Internacionais. Em 2020 lançará o livro com a mesma temática do trabalho apresentado em Portugal pela editora Appris.

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