Pular para o conteúdo principal

Opinião Construtiva | A luta local por uma política educacional – por Mário Disnard

 


As lutas sobre o significado de democracia não apenas em teoria mas na prática ocorrem em diversos níveis e em locais diversos. Mas em inúmeros lugares essas batalhas não se dão num campo de luta igual. Cada vez mais o dinheiro e o poder dão os advogados de uma democracia “magra”, estreita, uma vantagem que é difícil de superar. Grande parte do trabalho com orientação crítica tem-se voltado para arenas mais amplas de confronto. No entanto, uma coisa que a direita nos tem ensinado é que o local é tão importante, especialmente na construção de concepções de democracia dentro de um “novo senso” comum”, quando a opção individual em um mercado competitivo.

O que há de significativo nesse enfoque local é o tema a luta por uma política educacional...

Contamos histórias de derrotas e vitórias no terreno do poder de voz e representação democrática em órgãos educacionais chaves. E nos indagamos mais seriamente sobre o papel das mobilizações e quem são os atores nesses confrontos. Mas para entender isso, precisamos lembrar também que o local não é algo exclusivo, pois há relações ideológicas e econômicas bem reais que o cercam. Assim, nossa primeira tarefa é situar o local nesse contexto maior.

A educação naturalmente, é um terreno central desses confrontos. Devido ao seu caráter simultâneo de projeto político e ideológico, ela fornece uma arena particularmente importante para a luta pela democracia. Além disso, como projeto estatal, a cambiante economia política impactou de forma significativa os moldes educacionais. O extermínio causado pelos cortes no orçamento forçou as coordenações distritais de ensino financiar seus ativos, recorrendo desde a complicados esquemas de investimento, á privatização de serviços, não só da educação suplementar, mas mesmo com um controle integral.

Para finalizar, a ajuda estatal cada vez menor para a educação pública, combinada com os custos crescentes dos serviços de saúde, empurrou distritos escolares para os instáveis mercados financeiros do investimento privado. Enfrentando custos de saúde cada vez maiores e declinante ajuda estatal, o distrito educacional buscou avidamente soluções para reduções orçamentárias. Enfim demissões, cortes orçamentários impedem a prática de uma construção de política educacional.



Mário Disnard é professor, com graduação em História e Gestão em Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão do Capital Intelectual e Coordenação Pedagógica. Foi Articulador da EJA da Prefeitura Municipal de Caruaru. Tem experiência na área de Administração. Foi coordenador do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos biênio 2014/2016, Foi vice-presidente dos Conselhos Municipais de Assistência Social e Direitos da Criança e do Adolescente de Caruaru. Participou da Construção do Plano Municipal de Educação de Caruaru. Pesquisador em EJA com publicações Nacionais e Internacionais. Em 2020 lançará o livro com a mesma temática do trabalho apresentado em Portugal pela editora Appris.

Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Baixe aqui o livro - Passos para o Reavivamento Pessoal

Clique aqui para baixar a versão PDF.

Artigo | Covid-19 e os rumos da educação brasileira - por Mário Disnard

Acredito que a experiência de 2020 será um marco decisivo na educação, visto que a pandemia do Covid-19 nos apresenta, mais do que nunca, a necessidade de repensar o papel social da educação para além do processo de escolarização. No Brasil medidas emergenciais foram tomadas para garantir o processo educativo, entre elas, o trabalho educacional remoto. No entanto, diante de tantos imprevistos, gestores, professores, estudantes e famílias encontraram-se num momento de muita pressão, com várias dúvidas e incertezas. Diante da atual situação, os limites impostos têm nos apresentado possibilidades inegáveis de transformação, o que nos remete a uma série de questionamentos: há efetivamente uma preocupação com a qualidade social da aprendizagem? O que este período nos informa a respeito de nossos estudantes e de suas famílias com relação as nossas práticas como educadores?   O que faz sentido manter e o que mudar? É possível repensar o papel da escola e da sociedade na formação das novas

Por Dentro do Polo | Pernambuco volta a ser o maior produtor de Jeans do Brasil – por Jorge Xavier

O Brasil produziu 341 milhões de peças jeans em 2019. Desse total, o polo produtivo de Pernambuco sustentou 17% do volume. Com algo em torno de 60 milhões de peças no ano, o estado é o maior polo de jeans do país, segundo o iemi - Inteligência de Mercado. Ultrapassou, assim, regiões como norte do Paraná e Santa Catarina. São Paulo é o maior centro comercial, mas, não de produção.Em Pernambuco, a produção está concentrada sobretudo entre Toritama e Caruaru. O valor da produção de peças jeans está estimado em R$ 14,4 bilhões, que corresponde a 9,5% do total nacional da produção textil no ano passado, apontou Marcelo Prado, diretor do leme, que participou de webinar da Santista sobre o futuro do consumo com a covid19. Já o varejo de jeans movimentou R$ 25,3 bilhões, disse Prado. A receita corresponde a 11% do consumo nacional de vestuário, calculado pelo lemi em R$ 231,3 bilhões, com a venda de 6,3 bilhões de peças. Em sua apresentação, Prado mostrou a evolução do mercado nacio