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Opinião Construtiva | A violência natural e o thanatos freudiano – por Mário Disnard

 O conhecimento de que uma tendência agressiva é um verdadeiro instinto, destinado primordialmente a conservar a espécie, nos faz compreender a magnitude do perigo é a espontaneidade desse instinto que o torna tão terrível”



No elenco de autores que defendem a naturalidade da violência pode se incluir Freud. Ele sustentou a tese de que a agressividade poderia ser considerada mais do que um instinto, uma pulsão natural. Identificou dois instintos naturais no ser humano, eros e thanatos, que por serem instintos primários e manifestam através de pulsões inerentes a natureza humana. O eros desenvolve todas as pulsões do instinto de sobrevivência enquanto o thanatos é um instinto agressivo destrutivo.

Nas suas análises Freud pondera que o thanatos freudiano não deve ser entendido como mero instinto destrutivo. A agressividade natural humana surgiu como produto da evolução da espécie no marco da seleção intra específica: “É mais do que provável que os efeitos nocivos dos impulsosde agressão do homem, que Freud explicava postulando um impulso tanático especial, se devam simplesmente a que a seleção intra específica fez aparecer através da evolução do homem em épocas primeiras certa quantidade de pulsões agressivas para as quais não tem válvula de segurança a atual sociedade tal e como ela está organizada”.

A agressão natural não é uma mera pulsão de morte, ela se explica como apoio ao instinto principal de todo ser vivo, ou seja, a sobrevivência. As pulsões agressivas foram desenvolvidas pela natureza humana como parte do instinto da sobrevivência. Elas surgiram adaptadas ao contexto de um animal que não tem grande poder destrutivo, o que possibilitou um alto desenvolvimento da agressividade com um baixo impacto sobre os congêneres.

Nos dias de hoje o que chama atenção é para o fato de que a potência da agressividade humana mudou qualitativamente quando continuou existir junto com a potência das ferramentas, tecnologias e o poder social. Este seria o grande desafio da humanidade administrar a potência de uma agressividade natural no contexto poder destruidor que as sociedades adquiriram novas técnicas.

Para finalizar, há um transvase rápido de verdades dos discursos antropológicos para os políticos e econômicos. Deste modo a naturalização da violência legítima seu uso cultural, instaurando o que podemos denominar de uma cultura de violência. Esta também a legitima como meio justo para impor os princípios do poder e da ordem, e se apresenta como o meio natural de instauração e preservação à ordem social, e como consequência o direito.



Mário Disnard é professor, com graduação em História e Gestão em Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão do Capital Intelectual e Coordenação Pedagógica. Foi Articulador da EJA da Prefeitura Municipal de Caruaru. Tem experiência na área de Administração. Foi coordenador do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos biênio 2014/2016, Foi vice-presidente dos Conselhos Municipais de Assistência Social e Direitos da Criança e do Adolescente de Caruaru. Participou da Construção do Plano Municipal de Educação de Caruaru. Pesquisador em EJA com publicações Nacionais e Internacionais. Em 2020 lançará o livro com a mesma temática do trabalho apresentado em Portugal pela editora Appris.

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