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8 passos para exercitar a dependência de Deus - por Gabriela Prilip

 Começo de ano é um prato cheio para listas, metas e planejamentos na esperança de um ano incrível ou minimamente previsível. Pode ser mental, num papel ou planner, o marco de um “novo começo” como um novo ano, faz com que a gente faça algum tipo de planejamento. Na maioria das vezes é pensando na vida profissional, em como melhorar os hábitos de saúde, cuidar melhor do dinheiro ou estudar.



Ao mesmo tempo que aparecem as listas, pode também chegar o desânimo de saber que a empolgação dure talvez só algumas semanas ou meses até não conseguirmos cumprir nada até o final do jeito que gostaríamos. Mas, nossa vida com Deus, que claro, abrange todas as outras áreas, normalmente não ganha um tópico tão específico assim ou poderia ser melhorado e ser até mais intencional nos nossos planejamentos.

Assim como qualquer outra área da vida, nossa vida de oração, leitura bíblica, devocionais e tudo mais, merece muita atenção e porque não, planejamento. Como qualquer outra coisa que fazemos, é muito fácil cair no esquecimento ou ficar pra segundo plano, quando deveria ser nossa maior preocupação (no bom sentido) e a prioridade. 

Com isso, cair na inércia da vida espiritual, pode até ter se tornado um terreno bem conhecido, ainda mais depois de um ano inteiro sem cultos presenciais, sem grupos de convivência ou qualquer outra atividade que estávamos acostumados. Nossa vida nesse sentido também sofreu uma grande mudança e exige readaptação e ainda mais persistência. E pra sair de uma inércia, fazer diferente do que foi até aqui, é preciso um choque; uma força contrária pra mudar o sentido. E isso não é nada simples como às vezes a gente acha que as coisas que envolvem cabeça ou pensamentos são.

Bem lembrado pela Klênia Fassoni na revista da Ultimato agora de janeiro, o apóstolo Paulo sempre usa a linguagem do atletismo, comparando a jornada da vida cristã a uma corrida para a linha de chegada, onde é preciso persistência, foco e coragem da nossa parte, claro, sempre fortalecidos por Deus. E não só pro corpo, mas manter constância, atenção, foco e rotina são exercícios pro cérebro tão complicados quanto um corporal e requerem a mesma disciplina, ao passo que dão a mesma canseira. 

A Bíblia, por diversas vezes, nos chama a olhar com muita atenção pra nossa mente. Lendo um comentário bíblico do D.A Carson em Provérbios, encontrei algo interessante sobre as menções a “coração” no texto, que seria uma boa escolha trocar a palavra por “mente”, porque nesses contextos, coração diz respeito sobre motivações, ações e não apenas emoções. Sendo assim, cuidar da mente tem um importante espaço pra Deus e na vida cristã. E podemos dar pequenos grandes passos a exercitando todos os dias com o foco no alvo, que é Cristo.

Constância e persistência são escolhas que devemos fazer se quisermos sair da inércia de qualquer área da vida e na espiritual, é uma que com certeza vale muito a pena cada esforço. Digo escolha porque é algo que depende de nós muito além dos nossos sentimentos. Depende de lembrar do foco maior, do norte, e apesar daquele dia que a gente prefere apenas fazer vários nadas, escolher a parte mais importante. E como nos lembra Provérbios, em muitos textos, somos responsáveis pelas nossas atitudes: estabeleça um caminho reto para seus pés; permaneça na estrada segura (4.26), tenha discernimento e busque sabedoria e, em tudo, saiba que a fonte é apenas Deus. Pra todas as áreas da vida, a fonte é Deus. Parece que a vida espiritual merece uma bela atenção, né?

Mudar nosso jeito de fazer as coisas não é nada simples, ainda mais porque na nossa vida corrida e super high tech, a atenção fica em último plano. Estamos vendo TV e scrollando uma rede social; falando com alguém dando um like numa foto. Logo, exercitar a mente pra mudanças, atenção e tempo de qualidade não é tão simples. Mas, algumas ferramentas e maneiras de pensar podem ajudar a estabelecer rotinas até que coisas que hoje parecem bem difíceis comecem a virar pequenos hábitos. Eu e meu marido temos tentado algumas coisas por aqui nesse ano que resolvemos não deixar nossa vida espiritual em segundo plano. Tem ajudado e espero que possa ajudar de alguma forma por aí também.

  • 1 – Expectativa x realidade

Sempre que fazemos planos, é muito fácil pensar em coisas pouco factíveis, porque qualquer plano parece perfeito no campo das ideias. Mas, um bom plano, leva em consideração os imprevistos e é sempre flexível. 
A gente sabe que na prática, a teoria é outra e as coisas nunca saem totalmente como esperado. E tudo bem. Perfeição é algo que a gente já sabe que não vai ter nessa vida aqui, né?

Esse é um bom momento para planejar, mas saber separar as expectativas da realidade, criando metas ou planejamentos exequíveis e flexíveis, dentro da sua realidade. Ler 3 livros em um mês pode parecer incrível no campo das ideias, mas na sua rotina pode não se encaixar. Faça pouco, mas faça alguma coisa. Seja realista

  • 2 – Separe o sentimento

Nem sempre a gente “sente” que quer fazer alguma coisa que planejou. Bate a preguiça, desânimo, ou não estamos a fim mesmo. Por isso é importante saber que sua atitude de sair da inércia é sempre uma escolha e não um sentimento. Isso implica em fazer o que você se propôs, mesmo quando não sentir. Não somos nossos sentimentos.

  • 3 – Entenda a importância disso pra você

Querer ter mais tempo com Deus deveria ser importante por si só. Mas, pra que a gente consiga fazer algo mesmo quando rolar um desânimo, aquilo precisa realmente fazer sentido e ter um porquê. 

Ore, escreva, busque sua maneira de entender porque esses momentos são importantes na sua vida. Assim, mesmo que o desânimo bata, lembrar do principal motivo faz continuar.

  • 4 – Regra dos dois dia – Two day ryle

Matt D’Avella usa esse método que é bem simples e pode ajudar na construção de um novo hábito: nunca fique sem fazer o que você se propôs por mais de dois dias seguidos.

Assim dá pra ser flexível. Se precisar e se rolar algum imprevisto, ainda assim não deixar de fazer o que você quer e seguir na construção de um novo hábito.

  • 5 – Estabeleça uma hora e local

Nosso cérebro precisa e se estabelece melhor com uma rotina bem definida. Tente achar um horário e local que sejam bons e que tenham o mínimo de tranquilidade possível. Assim, você consegue estabelecer uma rotina pra fazer o que precisa com atenção e tranquilidade.

  • 6 – Faça do seu tempo com Deus um momento bom

Faça uma bebida que você goste, coloque uma música, ore antes e depois. Faça seus momentos com Deus serem momentos bons e não obrigações, por mais que as vezes a gente precise realmente perseverar.

  • 7 – Tudo bem recomeçar quantas vezes for preciso

E na real, construir um novo hábito demanda essa atitude constantemente. Alguma coisa não planejada sempre vai acontecer em um dia. Tudo bem recomeçar, o importante é não parar.

  • 8 – Ore e dependa de Deus

Nossa força e tudo o que precisamos vem de Deus. Precisamos orar não para que Deus ouça nossos pedidos ou coisa do tipo, até porque Ele já sabe o que a gente vai falar antes mesmo que a gente pense. Nós é que precisamos ouvir mais a voz dele. 

 

No fim, é sobre Deus ser a prioridade em tudo e a fonte de toda nossa vida. Só Ele nos tira de qualquer inércia e dá sentido pra nossa vida: no começo de um dia, no meio do trabalho, em alguma conversa, em qualquer tarefa ordinária do dia a dia. É muito mais sobre fazer planos entendendo que pra nossa limitação humana eles são importantes pra nos guiar, mas que a palavra final é só de Deus.

Sair de uma inércia na vida espiritual é muito mais sobre buscar a Deus e ser transformado por Ele todos os dias, vivendo o evangelho de maneira integral nas pequenas coisas do que qualquer outro plano. Mas, pequenos passos podem ajudar a reconhecer O criador todos os dias e com isso ser transformado pelo seu poder e amor. Não é sobre coisas grandes e incríveis, mas sobre uma vida bem comum, lado a lado com Ele, o que por si só, torna tudo espetacular.

Olhe seu ano e seus planos com as lentes da graça de Deus.

  • Gabriela Prillip, 26 anos. É marketeira, estudante de ciências do consumo, tentando lidar com a vida adulta escrevendo. Congrega no Projeto 242.

Fonte: Ultimato

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