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Um guia de leitura para 2021 - por Paulo Ribeiro

 Tanto o fim como o começo do ano nos levam a um recolhimento inevitável e, espero, à caça por bons livros. Por isso, lembrei-me de uma série de citações e comentários de uma fonte antiga*, com dicas e critérios bastante úteis para se tornar um leitor melhor. Espero que elas nos ajudem a ler mais em 2021.

 
1 - Não classifique ou selecione livros pela idade sugerida para os leitores.

“Nenhum livro vale realmente a pena ser lido aos dez anos, o qual não valha a pena ser lido aos cinquenta anos ou mais.” Também lembrar que “um dia você será bastante maduro para começar a ler contos de fada novamente”.
 
2 – Calma. Leia com moderação.

“O homem que engole um livro atrás do outro não tem mais direito de reclamar se o resultado for desastroso do que o homem que bebe licor como se fosse cerveja.” Também  não leia apenas livros recentes e best-sellers. “Uma boa regra é depois de ler um livro novo, nunca se permitir outro novo até que tenha lido um livro antigo (clássico) no meio.”
 
3 - Não despreze a literatura popular.

“Uma pessoa não deve ter vergonha de ler um bom livro porque é simples e popular. E não deve tolerar as falhas de um livro ruim porque é simples e popular.”
 
4 - Leia de novo e novamente. Não seja um iliterato.

“Um homem iliterato pode ser definido como aquele que lê livros apenas uma vez. Há esperança para um homem que nunca leu os Sonetos de Shakespeare: mas o que você pode fazer com um homem que diz que os ‘leu’, o que significa que ele os leu uma vez e acha que isso resolve o problema?”
 
5 - Leia para seu próprio prazer.

“... E você deve confiar mais em si mesmo do que em qualquer outra pessoa em matéria de livros – isto é, você deve ler para seu deleite e não para melhorar culturalmente ou qualquer bobagem desse tipo …” E é bom lembrar que “um livro, como qualquer obra de arte, pode ser ‘recebido’ ou ‘usado’. Quando o recebemos, exercemos nossos sentidos e imaginação e vários outros poderes de acordo com um padrão inventado pelo artista [autor]. Quando o ‘usamos’, nós o tratamos como uma ajuda para nossas próprias atividades. ‘Usar’ é inferior a ‘receber’ porque a arte [literatura], se usada ao invés de recebida, apenas facilita, ilumina ou dá um alívio paliativo à nossa vida, e não acrescenta nada a ela.”
 
6 - Desenvolva seu próprio gosto.

“Eles não terão concepção da delícia original da leitura, porque não tiveram experiência, nem prazer na excelência espontânea... Eles serão incapazes de suportar a indiferença daqueles que nasceram livres.”
 
7 - Esteja pronto para ser mudado.

“A primeira leitura de alguma obra literária é frequentemente, para o literato, uma experiência tão importante que apenas experiências de amor, religião ou luto podem fornecer um padrão de comparação. Toda a sua consciência é mudada. Eles se tornaram o que não eram antes. Mas não há sinal de nada parecido entre os outros tipos de leitores (iliteratos). Quando eles terminam a história ou o romance, nada ou quase nada, parece ter acontecido com eles.”
 
8 - Outras características do iliterato.

- “Eles nunca leem nada que não seja narrativo. Não quero dizer que todos leiam ficção. O leitor menos literato se atém às notícias.
 
- Eles não têm ouvidos. Eles leem exclusivamente com os olhos.
 
- São bastante inconscientes de estilo, ou até preferem livros que deveríamos pensar serem mal escritos.
 
- Gostam de narrativas em que o elemento verbal é reduzido ao mínimo – histórias contadas em fotos ou filmes com o mínimo de diálogo possível.
 
- Exigem uma narrativa rápida. Sempre deve estar acontecendo algo.
 
- Sejamos claros que os iliteratos são assim não porque gostem das histórias desses modos. Mas, porque não as apreciam de outra maneira. Não o que eles têm, mas o que lhes falta os separa da plenitude da experiência literária.”
 
9 - Precisamos reconhecer nossas limitações e ver através dos olhos de outros.

“A pessoa que se contenta em ser apenas ela mesma está na prisão. Meus próprios olhos não bastam para mim, vou ver através dos olhos dos outros. A realidade, mesmo vista pelos olhos de muitos, não é suficiente. Vou ver o que outros inventaram. Mesmo os olhos de toda a humanidade não são suficientes. Lamento que os brutos não saibam escrever livros. Eu ficaria muito feliz em saber como as coisas se apresentam para um rato ou uma abelha; mais feliz ainda, eu gostaria de perceber o mundo olfativo com todas as informações e emoções como elas se apresentam para um cachorro.”
 
10 – Finalmente, a experiência literária nos transcende e enriquece sem tirar nossa identidade.

“A experiência literária cura a ferida, sem minar o privilégio da individualidade. Existem emoções em massa que curam a ferida; mas elas destroem o privilégio. Mas, ao ler grande literatura, torno-me mil pessoas, mas continuo eu mesmo. Como o céu noturno num poema grego, eu vejo com uma miríade de olhos, mas ainda sou eu quem vê. Aqui, como na adoração, no amor, na ação moral e no conhecimento, eu me transcendo; e nunca sou mais eu mesmo do que quando o faço.”
 
Aproveite as leituras na sua temporada de festas ou de férias. Desligue-se das notícias por alguns dias e leia bons livros. Você vai se sentir melhor. E não se esqueça da recomendação de Filipenses 4.8:
 
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”
 
Enfim, ler e reler, nos ajuda a lembrar o que cremos.
 
“As pessoas não continuam pensando no que se esqueceram de como dizer (pois não releem mais os bons livros).”
 
*C.S. Lewis



Fonte: Ultimato

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