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Opinião Construtiva | Trabalho versus poesia - por Mário Disnard

 A ideia de trabalho como castigo precisa ser substituída pelo conceito de realizar uma obra 

Por que muitas vezes a ideia de trabalho é associada a castigo, fardo, provação? Do ponto de vista etimológico, a palavra “trabalho” (assim como em francês, espanhol, e italiano) tem origem no vocábulo latino tripalium, que era um instrumento de tortura, ou seja, três paus entrecruzados para serem colocados no pescoço de alguém e nele produzir desconforto. A origem do Ocidente é o mundo greco-romano. Se pegarmos, por exemplo, o período do século II a. C. até o século V, teremos a formação da sociedade clássica greco-romana com as heranças que o mundo grego havia gerado. Essa sociedade cresceu em sua exuberância a partir do trabalho escravo. Em sociedades assim, montadas com base no sistema escravocrata, a própria ideia de trabalho remete à escravidão. Portanto, trabalho é coisa menor, indecente, imoral ou de gente que está punida.

Tripalium também nos faz pensar em como estamos encarando o dia a dia. Se ele estiver acompanhado de raiva, picos de tensão, angústia e até depressão, é importante rever se não é hora de mudar ou de buscar um novo olhar. A solução pode ser encarar a atividade profissional com olhos gregos, a palavra Poesia nessa cultura, significa minha obra ou minha criação, e segundo o mesmo, precisamos enxergar nossa atividade profissional a partir dessa perspectiva.


Precisamos reconhecer nosso EU no trabalho que executamos, pois quando isso não acontece, quando não há reconhecimento, vamos nos sentir frustrados e incompletos.


Dias difíceis no trabalho acontecem com todos, mas uma vida só de stress profissional, cedo ou tarde, vai nos custar muito caro. Seja na saúde, na família ou até mesmo na relação profissional.


É preciso virar a chave!


Se sua atividade atual não permite que você se reconheça nela, antes de “chutar o balde”, busque primeiro se conhecer, é necessário identificar seus valores, suas habilidades, sua forças e fraquezas, apenas passando pelo autoconhecimento é possível se abrir para novas oportunidades, que podem estar no local onde está, fora dele em outros mercados, ou até mesmo dentro de você, se o seu caminho for o do empreendedorismo.


É preciso parar, refletir e agir.



Mário Disnard é professor, com graduação em História e Gestão em Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão do Capital Intelectual e Coordenação Pedagógica. Foi Articulador da EJA da Prefeitura Municipal de Caruaru. Tem experiência na área de Administração. Foi coordenador do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos biênio 2014/2016, Foi vice-presidente dos Conselhos Municipais de Assistência Social e Direitos da Criança e do Adolescente de Caruaru. Participou da Construção do Plano Municipal de Educação de Caruaru. Pesquisador em EJA com publicações Nacionais e Internacionais. Em 2020 lançará o livro com a mesma temática do trabalho apresentado em Portugal pela editora Appris.




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