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Cristianismo: fácil ou difícil? - por Jénerson Alves

 

Ontem (domingo, 22) completaram 57 anos da morte de Clive Staples Lewis. Um dos maiores intelectuais do século XX, C. S. Lewis morreu no dia 22 de novembro de 1963, aos 64 anos de idade. Ele foi professor e tutor de Literatura Inglesa na Universidade de Oxford até 1954, e autor de obras célebres como As Crônicas de Nárnia, Os Quatro Amores, Cartas do Diabo ao seu Aprendiz e Cristianismo Puro e Simples.




O título do capítulo 08 do Livro IV de Cristianismo Puro e Simples traz a seguinte pergunta: “Cristianismo, fácil ou difícil?”. E a resposta do autor é, no mínimo, intrigante:


“Isso é mais difícil e mais fácil do que aquilo que todos nós estamos tentando fazer. Espero que você tenha notado que o próprio Cristo às vezes descreve o estilo de vida cristão como difícil demais e, às vezes, como demasiadamente fácil. Ele diz: ‘Tome sua cruz’ – em outras palavras, é como ser espancado até a morte num campo de concentração. No minuto seguinte, ele diz: ‘Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve’. Na verdade, ele está se referindo às duas coisas ao mesmo tempo, e podemos ver muito bem por que ambas são verdadeiras”. (2017, p. 252)



Jénerson Alves é jornalista e poeta


Vamos fazer uma breve análise dos versículos:


Mateus 16:24: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me”.


Renuncie-se a si mesmo significa “submeta sua vontade a Cristo”;

Tomar sua cruz quer dizer “assuma as responsabilidades que acompanham o discipulado”;

Seguir a Jesus equivale a seguir em nossa própria vida o modelo de vida do Salvador.


Mateus 11:28-30: “Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

iugum enim meum suave et onus meum leve est”


Suave (crestos), gracioso, mas sem um equivalente exato em português; leve (elaphros), light, fácil, ‘ligeira’.


O sentido de fácil, aqui, é que aquele que ama verdadeiramente a Cristo se deleita em fazer Sua vontade.



- As implicações deste conceito são aprofundadas por S. Paulo Apóstolo.


Gálatas 1:3-5: “Graça e paz da parte de Deus Pai e de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai, ao qual glória para todo o sempre. Amém”.


Analisando os versículos de Gálatas, John Stott nos esclarece (no livro ‘A Cruz de Cristo’):


a) A morte de Jesus foi tanto voluntária quanto determinada;

b) A morte de Jesus foi pelos nossos pecados;

c) O propósito da morte de Jesus foi nos resgatar;

d) O resultado presente da morte de Jesus é graça e paz;

e) O resultado eterno da morte de Jesus é que Deus será glorificado para sempre.


Por ser o fundamento da nossa salvação, a cruz é o assunto do nosso testemunho e motivo da nossa glória.



Voltando para Cristianismo Puro e Simples, C. S. Lewis assim nos explica este fenômeno:


“Pois a melhoria não é redenção, embora a redenção sempre melhore as pessoas mesmo aqui e agora; e irá, no final, aprimorá-las até um nível que não podemos sequer imaginar. Deus se tornou homem para transformar as criaturas em filhos, ou seja, não simplesmente para produzir homens melhores, mas sim uma nova espécie de ser humano. Não é o mesmo que ensinar um cavalo a saltar cada vez melhor, mas sim como transformar o cavalo em uma criatura alada. É claro que, uma vez que ele tenha ganhado asas, vai voar por cima das cercas que ele nunca antes poderia ter saltado e, assim, derrotar o cavalo natural em seu próprio jogo. Mas pode haver um período em que ele não poderá fazer isso, que é quando as asas tiverem apenas começado a crescer; nesse estágio, as protuberâncias nos seus ombros – ninguém poderia dizer, de olhar para elas, que se tornariam asas – poderiam até lhe dar uma aparência desagradável” (2017, pp. 274-275)



Este processo de metamorfose só acontece se tivermos a cruz como centro de nossa vida. Se assim não for, seremos mais alguns dos inimigos da cruz de Cristo e passaremos do lado do Crucificado para o lado dos crucificadores. Podemos inferir que as protuberâncias nos ombros do cavalo são as marcas de Cristo no espírito do cristão.


Imitar a Cristo é encontrar nossa verdadeira personalidade. O próprio Lewis é quem nos lembra: “Quão monotamente iguais têm sido todos os grandes tiranos e conquistadores; quão gloriosamente diferentes todos os santos”.


Para além de saber se o Cristianismo é fácil ou difícil, convém lembrar que a fé cristã é feita de sangue e verdade. Campbel Morgan assim expressou: “Só o homem crucificado pode pregar a cruz. Disse Tomé: ‘A menos que eu veja em suas mãos o sinal dos cravos… não crerei’. O Dr. Parker, de Londres, disse que o que Toé disse acerca de Cristo, o mundo hoje está dizendo a respeito da Igreja. E o mundo também está dizendo a cada pregador: A menos que eu veja em tuas mãos as marcas dos cravos, não crerei. É verdade. Só o homem que morreu com Cristo… pode pregar a cruz de Cristo”.


Quadro 'A dúvida de Tomé', de Caravaggio


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