Pular para o conteúdo principal

Debate ou duelo de bufões? - por Jénerson Alves

Começou a temporada de debates eleitorais. As mídias de comunicação podem se converter em aerópagos ou em ringues, a depender do comportamento dos candidatos. Aliás, sempre é válido mencionar que a palavra ‘candidato’ vem do latim (candidatus), significando ‘vestido de branco’, de modo que os pretendentes a cargo eletivos deveriam se apresentar com candidez, sinceridade. Infelizmente, nem sempre os sujeitos fazem jus ao conceito da palavra. Cabe ao eleitor perceber se os púlpitos dos debates estão sendo utilizados de forma digna ou se tudo não está sendo transformado em um grotesco duelo de bufões.


Marco Túlio Cícero já afirmava, no período clássico, que a persuasão pode ser feita pelo convencimento – isto é, quando os argumentos falam à razão; ou pela comoção – quando os argumentos apelam às paixões. Quem vence debates pela emoção não necessariamente carrega verdades em seus argumentos.


O Brasil, império da verborragia, é repleto de pessoas que cotidianamente discutem sobre tudo – do preço do pãozinho a metafísica no mesmo nível de quem torce por um time de futebol. Neste contexto, é comum que sejam utilizados argumentos ilegítimos, manobras retóricas, sofismas.


Uma das maiores violações do debate racional é a tática de ignoratio elenchi – expressão latina que significa “ação de ignorar aquilo que deve ser refutado”. Quando o debatedor é incapaz de refutar a tese do opositor, vale-se do desvio do foco da questão, com o intuito de desqualificar o adversário. Levando ao extremo a máxima que a maior defesa é o ataque, quem utiliza a ignoratio elenchi não se furta em lançar mão de argumentos ad hominem (dirigidos à pessoa).


Outro recurso argumentativo é o silêncio. Segundo Fiorin, quem utiliza este recurso tem o objetivo de humilhar e desdenhar do oponente. No âmbito político, sobretudo, ignorar o debate significa fechar os ouvidos para ideias divergentes, desprezando a parcela da população que se sente representada por outros postulantes. É uma ação autoritária e antidemocrática. Se é verdade que um debate de baixo nível é um problema, a fuga do debate é uma calamidade.


Jénerson Alves é jornalista e poeta






Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Baixe aqui o livro - Passos para o Reavivamento Pessoal

Clique aqui para baixar a versão PDF.

Artigo | Covid-19 e os rumos da educação brasileira - por Mário Disnard

Acredito que a experiência de 2020 será um marco decisivo na educação, visto que a pandemia do Covid-19 nos apresenta, mais do que nunca, a necessidade de repensar o papel social da educação para além do processo de escolarização. No Brasil medidas emergenciais foram tomadas para garantir o processo educativo, entre elas, o trabalho educacional remoto. No entanto, diante de tantos imprevistos, gestores, professores, estudantes e famílias encontraram-se num momento de muita pressão, com várias dúvidas e incertezas. Diante da atual situação, os limites impostos têm nos apresentado possibilidades inegáveis de transformação, o que nos remete a uma série de questionamentos: há efetivamente uma preocupação com a qualidade social da aprendizagem? O que este período nos informa a respeito de nossos estudantes e de suas famílias com relação as nossas práticas como educadores?   O que faz sentido manter e o que mudar? É possível repensar o papel da escola e da sociedade na formação das novas

Por Dentro do Polo | Pernambuco volta a ser o maior produtor de Jeans do Brasil – por Jorge Xavier

O Brasil produziu 341 milhões de peças jeans em 2019. Desse total, o polo produtivo de Pernambuco sustentou 17% do volume. Com algo em torno de 60 milhões de peças no ano, o estado é o maior polo de jeans do país, segundo o iemi - Inteligência de Mercado. Ultrapassou, assim, regiões como norte do Paraná e Santa Catarina. São Paulo é o maior centro comercial, mas, não de produção.Em Pernambuco, a produção está concentrada sobretudo entre Toritama e Caruaru. O valor da produção de peças jeans está estimado em R$ 14,4 bilhões, que corresponde a 9,5% do total nacional da produção textil no ano passado, apontou Marcelo Prado, diretor do leme, que participou de webinar da Santista sobre o futuro do consumo com a covid19. Já o varejo de jeans movimentou R$ 25,3 bilhões, disse Prado. A receita corresponde a 11% do consumo nacional de vestuário, calculado pelo lemi em R$ 231,3 bilhões, com a venda de 6,3 bilhões de peças. Em sua apresentação, Prado mostrou a evolução do mercado nacio