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Síndrome de Rocky Balboa - por Mário Disnard

 Todos querem aumentar a empregabilidade, mas nem todos estão dispostos a passar pelas atribulações necessárias



Na hora de escolher um curso de aperfeiçoamento ou uma pós graduação, muitos profissionais são acometidos pelo dilema entre fazer algo pelo qual têm genuíno interesse ou algo para atender uma demanda do mercado de trabalho. No momento de decidir entre uma formação mais ampla e mais prazerosa e o atendimento a uma necessidade imediata de carreira, é possível ter equilíbrio?


É preciso, de fato, saber equilibrar, mais não é tão fácil. O pensador alemão Karl Marx falava em reino da liberdade e reino da necessidade. Só é possível chegar ao reino da liberdade quando o reino da necessidade está absolutamente resolvido. Quando as suas necessidades estão satisfeitas, você vai para as escolhas livres. Se alguém precisa fazer algo, porque isso permitirá que adiante, ele dê um passo para fazer o que gosta, então ele precisa gostar também daquela necessidade. Não adianta ir para algo que é absolutamente necessário com lamentação, dizendo: “Está vendo? Não estou fazendo o que eu queria fazer”. Bom, mas se você sabe que aquilo é apenas uma etapa para uma coisa melhor, então fará.

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Existem pessoas que têm “síndrome de Rocky Balboa”. No primeiro filme da série, Rocky, um lutador (1976), ele precisa lutar no começo da história. Aí ele apanha, apanha e, em seguida, apanha um pouco mais. Depois, ele se prepara. Só que a preparação dele, no filme, passa em dois minutos. São as cenas em que ele aparece correndo pelas ruas com seu treinador, pulando corda, socando o saco de areia. A sequência passa rapidamente e aí ele está pronto. O que é a “síndrome de Rocky Balboa”? é você imaginar que, como a cena passa rápido, que você rapidamente estará preparado e apto para ir ao ringue derrotar ao seu adversário. E não é assim. Há cursos, especializações, atividades que demoram, que exigem trabalho, viagem, perda de uma parte do tempo para lazer e para a família.


A grande questão do equilíbrio É: vale? A pessoa diz assim: “Não quero misturar a minha vida profissional com a minha vida pessoal”. Isso é uma bobagem, pois a sua vida profissional faz parte da sua vida pessoal. Dizer que não quer mistura é não saber lidar com o problema. É supor que, em meio ao tiroteio, se você fechar os olhos não será atingido. Por isso, no curso que você vai fazer ou numa busca de educação continuada, é preciso olhar: “Posso ir agora em direção à liberdade e fazer só aquilo que quero ou preciso antes passar por um treinamento para garantir o o patamar e, aí sim , ir em direção a esse outro ponto?” Se eu sei que preciso passar por algumas atribulações, mas elas são a obtenção do positivo, farei com prazer e alegria. Se eu não conseguir entender por que estou fazendo aquilo e ficar em lamúria de forma contínua, aí o que vou obter é mero sofrimento.


Para finalizar, o mesmo vale para um curso. Se faço, mas não compreendo a razão, eu não consigo fruí-lo, aproveitá-lo, só vou obter estresse.



Mário Disnard é professor, com graduação em História e Gestão em Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão do Capital Intelectual e Coordenação Pedagógica. Foi Articulador da EJA da Prefeitura Municipal de Caruaru. Tem experiência na área de Administração. Foi coordenador do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos biênio 2014/2016, Foi vice-presidente dos Conselhos Municipais de Assistência Social e Direitos da Criança e do Adolescente de Caruaru. Participou da Construção do Plano Municipal de Educação de Caruaru. Pesquisador em EJA com publicações Nacionais e Internacionais. Em 2020 lançará o livro com a mesma temática do trabalho apresentado em Portugal pela editora Appris.



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