Pular para o conteúdo principal

Para conversar com quem discordamos: 10 perigos e dicas para o diálogo

 Por Paulo F. Ribeiro

 
Por que é importante conversar com quem discordamos? Quero sugerir 10 razões para insistir no diálogo e no relacionamento entre aqueles que têm opiniões e soluções diferentes para problemas semelhantes.
 
Algumas recomendações:
 
1 – Lembrar que a vida é complexa e precisamos do conselho de muitos quando lidamos com problemas reais e com um grande número de variáveis. 
 
2 – Entender que sempre existe o perigo de não compreendermos bem a posição do outro. Conversas e discussões sérias, interativas e online, são essenciais. Facebook, Instagram, entre outros, não contam, pois não há interação genuína.
 
3 – Tomar conhecimento do perigo de nos tornarmos complacentes com nossas próprias opiniões. A consequência é o isolamento intelectual e adoção de ideias ou informações sem qualquer razoabilidade.
 
4 – Recuperar o benefício da dúvida e a amabilidade no diálogo com quem discordamos, mesmo levando em conta a polarização das opiniões.
 
5 – Compreender que não vamos crescer como comunidades maduras enquanto existir o sentimento de “facção”, com grupos amargurados e ressentidos uns contra os outros. A interação é não apenas benéfica, mas também prática. Precisamos ter uma atitude Socrática nas discussões e não cair em generalizações: reduzir o argumento do outro a uma visão generalizada e distorcida em pontos específicos.  
 
6 – Lutar contra as generalizações políticas, raciais, religiosas, etc, que seriam melhor definidas como heresias morais. Por exemplo: Marxismo reduz tudo à luta econômica; Freudianismo reduz tudo aos desejos sexuais; Capitalismo reduz a vida ao consumismo e ao produto interno bruto; Espiritualismo reduz o presente à vida eterna.
 
7 – Entender que a falta de interação, causada pela falta de compreensão mutua ou arrogância, leva ao afastamento: cada grupo passa a gravitar em “panelinhas”, onde não existe ideias contrárias e o dogmatismo prospera. Nos tornamos incapazes de ouvir e, de algum modo, escravos de convicções abraçadas.
 
8 – Lutar para não cair na tentação das certezas e convicções equivocadas. Embora pareça até interessante por um tempo, existe uma conta a ser paga. E, não raramente, quem arca com essa despesa são os mais carentes. 
 
9 – Adotar quando possível o que os holandeses chamavam de “Modelo do Polder”, que reconhece a pluralidade e a cooperação apesar das diferenças, de forma a alcançar resultados objetivos para o beneficio social de todos. Se o “Polder” não for mantido todos serão destruídos.
 
10 – Finalmente, não temer nem comprometer nossas convicções religiosas, políticas ou filosóficas ao nos engajarmos em discussões sérias mesmo com aqueles de que discordamos, enquanto buscamos soluções para problemas que afligem a sociedade. E essa garantia nos é dada em Provérbios (de Salomão) 15.22: 
“Onde não há conselho frustram-se os projetos, mas com a multidão de conselheiros eles se estabelecem”


Paulo F. Ribeiro é Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, foi Professor e Pesquisador em universidades nos Estados Unidos, Nova Zelândia, e Holanda. Atualmente é Professor Titular Livre na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e torcedor do Santa Cruz.
>> http://lattes.cnpq.br/2049448948386214
>> https://scholar.google.com/citations?user=38c88BoAAAAJ&hl=en&oi=ao


Fonte: Ultimato

Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Casa dos Pobres São Francisco de Assis precisa de ajuda

Com a pandemia do novo coronavírus, a Casa dos Pobres São Francisco de Assis, em Caruaru-PE, precisa de ajuda. A Casa, que atende a 77 idosos, está seguindo as recomendações das autoridades sobre a contaminação do vírus. Além da preocupação com a doença, já que todos os moradores do lugar fazem parte do grupo de risco, existe outra preocupação: a dos recursos financeiros para manter os trabalhos.

A instituição é privada e sobrevive de doações, mas sem a renda do estacionamento que funciona no local, as receitas da Casa têm diminuído. O estacionamento está fechado ao público desde a sexta-feira (20), de acordo com a orientação de evitar aglomerações e com o objetivo de garantir a segurança e o bem-estar dos moradores.
Entre os itens que a entidade mais necessita no momento, estão as fraldas descartáveis geriátricas. A Casa contabiliza o uso mensal de mais de 5 mil fraldas. O leite é outra necessidade dos moradores, que têm uma dieta em conformidade com a faixa etária.



Como ajudar? As doaç…

Artigo | Covid-19 e os rumos da educação brasileira - por Mário Disnard

Acredito que a experiência de 2020 será um marco decisivo na educação, visto que a pandemia do Covid-19 nos apresenta, mais do que nunca, a necessidade de repensar o papel social da educação para além do processo de escolarização. No Brasil medidas emergenciais foram tomadas para garantir o processo educativo, entre elas, o trabalho educacional remoto. No entanto, diante de tantos imprevistos, gestores, professores, estudantes e famílias encontraram-se num momento de muita pressão, com várias dúvidas e incertezas.

Diante da atual situação, os limites impostos têm nos apresentado possibilidades inegáveis de transformação, o que nos remete a uma série de questionamentos: há efetivamente uma preocupação com a qualidade social da aprendizagem? O que este período nos informa a respeito de nossos estudantes e de suas famílias com relação as nossas práticas como educadores?O que faz sentido manter e o que mudar? É possível repensar o papel da escola e da sociedade na formação das novas geraçõ…

Solidariedade: grupo de voluntários distribui mais de 1.500 refeições em Caruaru

Em tempos de contágio do novo coronavírus, há outro sentimento sendo disseminado em meio à população: a solidariedade. A corrente do bem se espalha e as mãos que ajudam também são ajudadas pelas que recebem. Além da higienização do corpo, que é um dos protocolos das medidas sanitárias contra o covid-19, fazer o bem ao próximo ‘limpa a alma’ daqueles que percebem a condição humana de todos.

A pesquisa ‘Tracking the Coronavírus’, realizada pela Ipsos entre 26 e 28 de março, mostrou que o Brasil está no topo do ranking dos países quanto à preocupação com as pessoas mais vulneráveis. 70% dos entrevistados no Brasil afirmaram temer pelos mais debilitados.
Neste percentual, estão as missionárias Sabrina Carvalho e Sara Galdino, que moram em Caruaru, no Agreste pernambucano. Em meandros de março, elas iniciaram uma ação que, a princípio, parecia pontual e singela. “Quando as autoridades em saúde começaram a intensificar a necessidade de constante higienização das mãos, ficamos preocupadas com…