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Opção pela perenidade – por Mário Disnard

 

Empresas que tem uma visão estratégica de futuro estabelecem fortes conexões com a ética e negócios



Você para no posto de gasolina para abastecer o carro da empresa. Na hora que você vai pedir a nota, a caixa pergunta:

De quanto vai querer a nota?

Eu quero a nota do que gastei. E o frentista, com um sorriso maroto devolve a indagação:

A é, e quanto você gastou?


É óbvio que ali você tem um sistema de apodrecimento da relação. Por que eu tenho que responder ao “Quero? Devo? Posso?”. O ponto central aqui é o dever, porque o querer e o poder estão na relação direta, se você imaginar a ética com o dever. No entanto o dever, estará sempre relacionado aos princípios. Há empresas que tem determinados princípios dos quais elas não abrem mão por exemplo, ela não admite que haja qualquer trabalhador, seja por parceria ou por construção própria, que não esteja vinculado a um registro ou seja cooperativado.


Cuidado quando se fala em ética e no “Quero? Devo? Posso?”, muita gente pensa só nos políticos.


E tem gente que, ao assistir TV, diz indignado: “Mas que governo? Que coisa suja”. Mas é ele que alimenta, que financia essa lógica. É o próprio cidadão. Aliás, não tem ninguém sentado no Congresso Nacional que tenha comprado aquele lugar. O parlamentar foi conduzido para lá por pessoas como nós, que votaram nele. Ele não tomou o lugar.


Você e eu vivemos dilemas: “Pago ou não pago imposto? Compro o recibo? Declaro todas as fontes?”. Tem dias que eu quero produzir evasão fiscal. Devo? Não devo. Posso? Cada dia menos. Porque agora há todo um controle informatizado, que vai cercando os nossos princípios éticos.


Aí você começa a ter um novo princípio ético de conduta, que é paura, ou seja, o medo de ser pego. Quanto maior a impunidade, mais princípios ficam frouxos. Quanto maior o controle, o cuidado com o cuidado, o compliance, mas você tem princípios que são sólidos.


Há empresas que tem uma visão estratégica de futuro, em que há uma conexão muito forte entre ética e negócios.


Finalizando, ao proclamar uma coisa e praticar outra, a empresa expõe-se ao risco de que seus funcionários enxerguem incoerência em sua conduta. A empresa séria pratica o que divulga e não admite que a ética seja mero instrumento de propaganda. Só assim se conquista respeito e credibilidade.



Mário Disnard é professor, com graduação em História e Gestão em Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão do Capital Intelectual e Coordenação Pedagógica. Foi Articulador da EJA da Prefeitura Municipal de Caruaru. Tem experiência na área de Administração. Foi coordenador do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos biênio 2014/2016, Foi vice-presidente dos Conselhos Municipais de Assistência Social e Direitos da Criança e do Adolescente de Caruaru. Participou da Construção do Plano Municipal de Educação de Caruaru. Pesquisador em EJA com publicações Nacionais e Internacionais. Em 2020 lançará o livro com a mesma temática do trabalho apresentado em Portugal pela editora Appris.

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