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Sem Aspas | A hipocrisia do grupo “do bem” – por Amanda Rocha

Os debates acalorados, sejam por qual for a motivação, correm o risco de concluir-se em violência, quando ao menos um dos integrantes não pode conviver com a divergência. A ausência de argumentos e a total repulsa por seu oponente, ou pelas ideias que professa são capazes de migrar um debate do âmbito das ideias para os ringues sem regras e incorrer em infrações legais.

O artigo “Por que torço para que Bolsonaro morra”, publicado pelo militante com título de filósofo e profissão jornalística, na Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, repercutiu por todo o Brasil. O autor usou de palavras para exalar todo o ódio que não apenas ele, ou o jornal Folha, mas muitos dos oponentes do presidente sentem.

A exemplo da médica Rozeli de Medeiros Poloni, do Espirito Santo, que usou sua rede social para também desejar a morte do presidente Jair Bolsonaro, desonrando toda a classe médica e ferindo o juramento de Hipócrates e tantos outros que no anonimato pensaram ou expressaram o mesmo anseio. 



Seria considerado hipérbole e expressão de mau gosto não tivesse o Bolsonaro sofrido uma grave tentativa de homicídio ainda durante a campanha presidencial, destarte, essas declarações migraram do campo da liberdade de expressão e adentraram na Lei de Segurança Nacional.

O argumento religioso e legal já seriam suficientes para provocar uma ojeriza por essas declarações e concebê-las como pecado e crime, afinal, vivemos em um país majoritariamente cristão, gostem ou não, cujo fundamento é amar o próximo como a si mesmo e cuja legislação não concebe a prática de pena de morte, ou ainda mais, considera crime a incitação à violência e compreende que há limites para a liberdade de expressão.

Todavia, para além desses argumentos cabe analisar que os votos de morte que Bolsonaro recebera expõe, para além da repulsa que esses opositores sentem do presidente, o fato de encontrem em sua morte a solução para a aplicação das políticas que defendem, afinal, Bolsonaro é hoje o grande empecilho para que as antigas forças ideológicas e corruptas direcionem o país ao caos no qual desejam embriagar a sociedade.

“Os fins justificam os meios”, em termos mais populares, essa frase traduz o que o jornalista (sem ofensa aos verdadeiros jornalistas) quis dizer ao declarar que abraça éticas consequencialistas e ao afirmar que as “ações são valoradas pelos resultados que produzem”, assim, o texto é construído sob a prerrogativa de que a morte de Bolsonaro culminaria numa redução de mortes por Covid-19, logo, seria justificado o seu desejo.

O Autor busca fundamentar sua tese ao alinhá-la a uma pesquisa realizada pela UFABC e pela USP. A pesquisa, segundo o Hélio, concluiu que a cada declaração do presidente os índices de isolamento social no Brasil são reduzidos resultando em um aumento de casos graves da doença. Para além, ainda declarou que a maioria das mortes provocadas pelo Sars-CoV-2 no Brasil seriam de apoiadores do presidente.

Não se faz necessário possuir doutorado ou ser grande conhecedor dos meios de estatísticas para perceber o engodo que há nessas declarações. De igual modo, não é possível negar o uso político dessa pandemia; ela serviu ao maior experimento social já produzido no mundo. Jamais fora visto direitos essenciais tolhidos por meros decretos de governadores e prefeitos e com a conivência da maioria dos cidadãos.

Ressalte-se, todavia, a gravidade do vírus, porquanto, o número de contaminados e de mortes estarrecem. A verdade, é que não há respostas para as indagações que se referem ao modo de enfrentá-lo. O próprio discurso de consenso na ciência já é uma grande falha, uma vez que a ciência sempre foi movida pelas dúvidas e divergências.
Impele refletir que muitos dos opositores torciam por essa contaminação e foram surpreendidos pelo fato de o próprio presidente tê-la declarado, pois, o desejo era descobrir na surdina e declarar uma omissão do presidente.

Ansiar a morte de alguém por divergência política não é algo novo e revela o ódio entranhado nos ditos defensores da paz e da propagação do amor, a galerinha “do bem”, uma profunda e nítida hipocrisia.

Essa mesma aplicação da concepção consequencialista apresentada no artigo poderia servir para justificar líderes como o cubano Fidel Castro e o seu comandante argentino Che Guevara quando exterminaram centenas de pessoas, o mesmo caberia a Mao Tse Tung, Stalin e o próprio Hitler. Seria um mal menor dizimar alguns milhões para que o sucesso socialista acontecesse.

Adotada essa concepção, obtería-se uma pseudo cura para o coronavírus, afinal, quantos líderes mais seriam dignos de morte para salvação da humanidade e o fim da pandemia?
A distinção entre as exposições de Hélio Schwartsman e outros anônimos, é a mera verbalização dos últimos e a tentativa de induzir a um comportamento social e de construir uma mentalidade de aceitação da tese pelo primeiro. Há uma diferença quando alguém diz “que você morra!” e quando se constrói uma narrativa recheada por premissas falaciosas e as expõem num ambiente público.

Não há de se espantar que as mesmas pessoas que conclamam a morte de Bolsonaro estejam dispostas a ações inescrupulosas e diabólicas para impor as suas teses a toda uma população. Liberdade, democracia unicamente aos pares; aos opositores conservadores, como já declarou o professor Mauro Iasi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao citar Bertolt Brech: um bom paredão, uma boa espingarda, uma boa bala, uma boa pá e uma boa cova.

“Pois não existe nada escondido que não venha a ser revelado, ou oculto que não venha a ser conhecido” Lucas 12.2. Por mais que a turminha “do bem” tente vestir uma fantasia de bondade, amor, cuidado com o próximo, justiceiros do bem-estar social, sua face hipócrita ocultada um dia virá à tona.

A indicação de livro hoje é Tolos, Fraudes e Militantes: Pensadores da Nova Esquerda, de Roger Scruton. Que Deus vos abençoe.

Adptação Gospel Prime.



Amanda Rocha é professora e escritora

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