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Estoque de conhecimento – por Mário Disnard


Educação continuada pressupõe a capacidade de dar vitalidade às competências, às habilidades, ao perfil das pessoas


O fato de nunca sabermos tudo, ao mesmo tempo e de todos os modos, não significa que nada saibamos. A clássica frase socrática "só sei que nada sei" indica mais a humildade de saber-se individualmente ignorante em quase tudo do que declaração de incapacidade absoluta.

Certa vez, fui perguntado como trataria a educação corporativa se fosse líder de uma empresa. A educação corporativa seria uma questão prioritária, mas não exclusiva. Afinal de contas, uma empresa precisa ter sustentabilidade de sua lucratividade, rentabilidade, produtividade e competitividade. A sustentabilidade nesses quatro tópicos advém de uma série de fatores: competência que ela desenvolve dentro do mercado, o tipo de produto com o qual ela lida, a capacidade de planejamento estratégico, mas depende também essencialmente do modo como ela maneja o estoque de conhecimento que dentro dela atua, que está exatamente nos colaboradores. Hoje, o trabalho das pessoas não pode mais ser entendido como commodity. Por isso, eu, se presidente de uma empresa fosse, faria da formação continuada algo prioritário, porque é nisso que se dá hoje a diferenciação que se refere ao conjunto das organizações.

Essa educação continuada pressupõe a capacidade de dar vitalidade à ação, às competências, às habilidades, ao perfil das pessoas. E isso, entre outras coisas, traz  uma multiplicidade de elementos, desde treinamentos até cursos de formação e especializações. E também a formação da sensibilidade, que é uma coisa central atualmente no mundo do trabalho, isto é, a facilitação de atividades que envolvam a sensibilidade estética no campo da música, da poesia, das artes plásticas, de maneira que aquele ou aquela que atue em uma empresa tenha inclusive um prazer grande pela estrutura de conhecimento em seus múltiplos níveis.

Há uma discussão nesse ponto, em que alguns argumentam que o fato de a empresa investir em cursos não significa necessariamente que ela vai estar mais bem preparada. Teria de ter aplicabilidade. Eu digo que a relação não é direta. Mas o inverso é direto. Isto é, investir em cursos, em formação, não significa que a empresa estará mais bem preparada porque não é automático. O contrário é automático: não investir na formação implica uma perda significativa de competência e da qualidade. Há uma clássica frase que diz: "Se você não acredita que educação é um bom investimento, tente investir em ignorância".

Por fim, hoje no mundo do trabalho, fala-se menos na formação de um generalista e mais na formação de um multiespecialista. Não se trata apenas apenas de uma diferenciação de linguagem. É menos uma pessoa que esteja voltada para uma visão genérica das coisas, mas aquele ou aquela que ganha autonomia para construir uma nova competência.




Mário Disnard é professor, com graduação em História e Gestão em Recursos Humanos. Possui pós-graduação em Gestão do Capital Intelectual e Coordenação Pedagógica. Foi Articulador da EJA da Prefeitura Municipal de Caruaru. Tem experiência na área de Administração. Foi coordenador do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos biênio 2014/2016, Foi vice-presidente dos Conselhos Municipais de Assistência Social e Direitos da Criança e do Adolescente de Caruaru. Participou da Construção do Plano Municipal de Educação de Caruaru. Pesquisador em EJA com publicações Nacionais e Internacionais. Em 2020 lançará o livro com a mesma temática do trabalho apresentado em Portugal pela editora Appris.

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