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Sem Aspas | As máscaras da pandemia – por Amanda Rocha

Aquelas imagens vistas antes unicamente nas reportagens de televisão quando apresentavam países asiáticos, agora refletem semelhantes nas ruas do Brasil. O uso das máscaras tornou-se obrigatório em todo o território nacional. Dizem, contrariamente ao início da pandemia da Covid-19, que o uso delas auxilia na prevenção contra a contaminação do vírus que transformou a realidade global num caos sem antecedentes. 

Hoje, aos 23 de maio, o vírus já contaminou cerca de cinco milhões de pessoas em todo o mundo. O alto nível de contágio e sua mortalidade brutal é algo que estarrece e amedronta a muitos, sobretudo, os do grupo de risco. 

Sem precedentes, o vírus provocou a reclusão de milhões de pessoas e gerou colapso nas inúmeras redes de saúde, inclusive de grandes potências do mundo, tais como os Estados Unidos da América.

Para além dos estragos gerados pelo vírus na saúde, há uma crise econômica generalizada que se agrava diante da postura de líderes e instituições internacionais, os quais direcionam a economia dos países a uma depressão jamais descrita na história. 

Os posicionamentos políticos ideológicos de certos líderes e de intelectuais de forte influência evidenciam o objetivo violento de transformação de sistema político, econômico e social para todo o mundo, uma única ordem mundial, de comércio e nações sem limites, sem fronteiras, tudo regido por um único líder. 

Diversos discursos nas assembleias pedem o multilateralismo, a exemplo da chanceler alemã, Angela Merkel, do presidente chinês Xi Jinping e do presidente francês Emmanuel Macron, em seus discursos no Fórum Econômico Mundial. 

Alguns “especialistas” (palavra da moda usada para conceder força ao discurso proferido por alguém) mais ousados já ponderaram claramente sobre a necessidade de um governo mundial, a importância da interferência maior do estado, o que galga reforço em consequência da situação provocada pelo novo coronavírus. Até mesmo o futre do ex presidente Lula, por hora fora da cadeia, afirmou de forma espurca que a natureza criou o monstro do corona para fazer as pessoas reconhecerem a necessidade de um estado forte e interventor. 

A história não engana e revela claramente o que ocorre sempre que o estado interfere desmedidamente na vida nos cidadãos: repressão, direitos essenciais abalados, dignidade da pessoa humana, tão falsamente defendida por esses líderes, bruscamente agredida. Vide a Venezuela, Cuba, Coreia do Norte e a própria China, ou melhor, vide atitudes abusivas em todo o mundo e especialmente no Brasil, justificados nos sofismas de proteção contra a infecção do covid. Direito de ir e vir tolhido, direito de expressar-se politicamente carregando uma bandeira do Brasil, como evidenciam denúncias oriundas do Ceará, criminalizado. 





A verdadeira máscara dessa pandemia esconde os desejos de mudanças abruptos no sistema mundial. “Provoque o caos e surja como a solução”, esse jargão tão conhecido nunca foi tão perfeitamente encaixado a uma situação concreta. 

O vírus é grave, contudo, suas consequências políticas e econômicas são inimagináveis, ou pior, terrivelmente previstas: a quebra da democracia, o aumento das desigualdades sociais, da violência, das doenças, sobretudo das psicológicas, perda de liberdade, é ter no estado o senhor e líder. 

Alçar uma solução para todos esses problemas não é algo simplório, o combate é global, não se restringe ao Brasil, embora aqui seu uso político seja nítido: abalar o governo Bolsonaro. É preciso arrancar as máscaras para que a população enxergue os verdadeiros riscos, nosso bem-estar perpassa pela manutenção de nosso direito de liberdade, no “novo normal” como estão a falar, não pode caber um retrocesso (palavra que gostam tanto de usar), deve-se fortalecer os laços que garante um dos maiores bens: a liberdade. 

A indicação de leitura hoje é o mais recente livro de John Piper: Coronavírus e Cristo. Deus vos abençoe.


Amanda Rocha é professora e escritora

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