Pular para o conteúdo principal

A fome tem pressa... - por Oscar Mariano

O Covid-19 chegou, isso todos nós sabemos! Assim, algumas medidas importantes foram tomadas pelas prefeituras de todo o País, para combater a proliferação do vírus. Em Caruaru, algumas medidas foram tomadas, a exemplo das barreiras sanitárias, elas estão ajudando ao combate do coronavírus, onde os carros com placas de outras cidades, são parados e os passageiros são informados sobre a prevenção e alguns testes rápidos são realizados. Outro exemplo, foi o cancelamento da feira da sulanca, pois com o grande fluxo de pessoas vindo de vários estados, poderia ser um grande aliado do vírus, e isso não queremos. Outra ação importante, foi o cancelamento das aulas nas escolas e do funcionamento das creches, pois como as crianças são assintomáticas, poderiam levar o vírus para dentro de casa e causar muitos estragos. 

Porém, alguns pontos precisam ser revistos e esclarecidos, a exemplo da merenda escolar. Como sabemos, a Justiça autorizou a utilização das verbas federais, destinadas a merenda escolar, para a compra e distribuição de cestas básicas aos alunos matriculados na rede municipal de ensino. Algumas cidades a exemplo de Toritama, Recife, e muitas outras em todo o País, já iniciaram essa distribuição, mas infelizmente em Caruaru, não! Recentemente no Diário Oficial do Município, foram realizadas algumas compras, para ser mais preciso nos dias 25 de março, onde o valor ultrapassou os oitocentos mil reais, e no último dia 2 de abril, o valor foi de mais de um milhão e trezentos mil reais. Assim, ficam algumas perguntas: não tinha merenda no município? Por que o secretário de Educação, não recebe a imprensa, a exemplo da última sexta, onde uma equipe de jornalismo solicitou uma nota e para variar não foi atendida.

Fico esperando, em todos os pronunciamentos da gestora municipal, que seja informado como e quando será entregue a merenda, pois é um direito das crianças. Crianças essas, que muitas vezes é a única refeição que muitas delas fazem, e agora estão comendo o que? Dinheiro eu sei que não falta, pois ao abrimos o Diário Oficial do dia 24/03/2020, nos deparamos com um serviço de implantação de software com o nome, “prefeitura sem papel” ao valor de R$ 559.500,00. Nessa data, já estávamos em quarentena, já estávamos com o isolamento social. Mas pelo visto, a preocupação está em manter outras prioridades que não é, saciar a fome de muitos quem não tem nada no momento.

Outro grupo que me preocupa, são os trabalhadores informais do parque 18 de maio, e aqui incluo os ambulantes e carroceiros. Esses profissionais informais que trabalham todas as segundas, para ter o que comer durante a semana. Além dos ambulantes, que já sofrem desde a implantação do Comércio na Praça, e hoje precisam conviver com mais esse desafio. Pois basta dar uma volta na cidade que logo nos bate a pergunta: como estão sobrevivendo? Alguns tiveram a solidariedade de outras pessoas, que distribuíram algumas cestas básicas, mas é uma ajuda que não atende a todos. Assim, a prefeitura deve ter um olhar especial para essas pessoas, pois basta imaginar que já estamos com três semanas sem feira da sulanca, e os carroceiros estão vivendo de que? Vale salientar que prefeitura tem o cadastro de todos eles, ou seja, sabem onde levar a ajuda de forma rápida.

Espero que os vereadores, tenham a sensibilidade e cobrem providências mais rápidas por parte do executivo, pois já não basta o medo do vírus, ainda ter que sofrer com o barulho da barriga. Mas infelizmente, quando olhamos para Câmara Municipal de Caruaru, e imaginamos que das 23 cadeiras, 18 estão aliados a gestão, bate a incerteza. 

Mas espero que ao contrário do projeto, “prefeitura sem papel” a mesma tenha um PAPEL importante, na vida dessas pessoas que mais precisam.




Oscar Mariano

Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Baixe aqui o livro - Passos para o Reavivamento Pessoal

Clique aqui para baixar a versão PDF.

Casa dos Pobres São Francisco de Assis precisa de ajuda

Com a pandemia do novo coronavírus, a Casa dos Pobres São Francisco de Assis, em Caruaru-PE, precisa de ajuda. A Casa, que atende a 77 idosos, está seguindo as recomendações das autoridades sobre a contaminação do vírus. Além da preocupação com a doença, já que todos os moradores do lugar fazem parte do grupo de risco, existe outra preocupação: a dos recursos financeiros para manter os trabalhos. A instituição é privada e sobrevive de doações, mas sem a renda do estacionamento que funciona no local, as receitas da Casa têm diminuído. O estacionamento está fechado ao público desde a sexta-feira (20), de acordo com a orientação de evitar aglomerações e com o objetivo de garantir a segurança e o bem-estar dos moradores. Entre os itens que a entidade mais necessita no momento, estão as fraldas descartáveis geriátricas. A Casa contabiliza o uso mensal de mais de 5 mil fraldas. O leite é outra necessidade dos moradores, que têm uma dieta em conformidade com a faixa etária.

Artigo | Covid-19 e os rumos da educação brasileira - por Mário Disnard

Acredito que a experiência de 2020 será um marco decisivo na educação, visto que a pandemia do Covid-19 nos apresenta, mais do que nunca, a necessidade de repensar o papel social da educação para além do processo de escolarização. No Brasil medidas emergenciais foram tomadas para garantir o processo educativo, entre elas, o trabalho educacional remoto. No entanto, diante de tantos imprevistos, gestores, professores, estudantes e famílias encontraram-se num momento de muita pressão, com várias dúvidas e incertezas. Diante da atual situação, os limites impostos têm nos apresentado possibilidades inegáveis de transformação, o que nos remete a uma série de questionamentos: há efetivamente uma preocupação com a qualidade social da aprendizagem? O que este período nos informa a respeito de nossos estudantes e de suas famílias com relação as nossas práticas como educadores?   O que faz sentido manter e o que mudar? É possível repensar o papel da escola e da sociedade na formação das novas