Pular para o conteúdo principal

Artigo: Frustração Pastoral - por Isaltino Gomes Coelho Filho


Num retiro de pastores, um colega me indagou qual a minha frustração pastoral após quatro décadas como pastor. Respondi que era ter que preparar mamadeiras para crianças que nunca cresceram espiritualmente. A maior parte do tempo e das emoções de um pastor (e da igreja) é gasta cuidando de gente que não amadurece.



Um colega disse que em sua igreja ele precisa telefonar para todos os membros ou visitá-los durante a semana, senão eles não vão à igreja, por que “não foram tratados como merecem”. Em uma igreja, um crente se escondia atrás de uma coluna e no dia seguinte telefonava para saber se o pastor sentira sua falta. Igreja é hospital, recebe doentes, mas é lugar de cura. Há doentes que se recusam à cura. Querem afagos. O Espírito Santo não produz doença, e sim saúde. Mas as igrejas estão cheias de doentes emocionais. Um diácono, líder de visitação numa igreja, falou-me de um irmão que mudara de denominação porque na nova tratavam-no como se fosse a primeira vez que lá chegara. Este não entendeu o evangelho!

Há igrejas que falam muito de cura. Nesta semana ouvi pela tevê um pregador repreender (?) câncer, reumatismo, tumores e todas as doenças.
E as doenças espirituais? Nunca vi alguém repreender a infantilidade, melindres e infantilidade  emocional. Quando eu era criança, havia a figura do garoto que era “pereba”, como a gente dizia (ruim de bola), mas era o dono da bola. Até pênalti ele batia. E perdia! Se não, levava a bola para casa. Em criança, vá lá. Em adulto pega mal!

Parte do tempo para treinar pessoas para o serviço cristão se perde com bebês espirituais. Muito de nossas emoções se gasta afagando criancinhas em Cristo. Poderíamos investi-las na busca de pessoas para Cristo.

O alvo de Deus para nós é chegarmos “ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não sejamos mais inconstantes como crianças…” (Ef 4.13-14). Devemos ser crianças na malícia, mas adultos no entendimento (1Co 14.20). Crianças espirituais impedem a marcha da igreja de Jesus. São clientes e não soldados engajados na luta!

Graças a Deus que a igreja não se compõe só de deficientes espirituais. Há adultos espirituais, confiáveis, “pau pra toda a obra”. Em Monte Dourado, o irmão Sales, meu hospedeiro para os cursos de treinamento da COBAP, falava-me de alguns irmãos da igreja e dizia: ”São gente com que se pode contar a qualquer hora. Se a igreja precisar deles às 3 da manhã eles estarão lá”. Aqui na Central também tem desses!
Frustram-me crianças espirituais que demandam cuidados para darem um mínimo de resposta à igreja. Mas realizo-me com tantos adultos, *“pau pra toda a obra”". Deus tenha misericórdia das crianças. Que elas tenham juízo e cresçam. Deus seja louvado pelos maduros. Que eles nunca desanimem!


Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho (1948-2013)

Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Baixe aqui o livro - Passos para o Reavivamento Pessoal

Clique aqui para baixar a versão PDF.

Artigo | Covid-19 e os rumos da educação brasileira - por Mário Disnard

Acredito que a experiência de 2020 será um marco decisivo na educação, visto que a pandemia do Covid-19 nos apresenta, mais do que nunca, a necessidade de repensar o papel social da educação para além do processo de escolarização. No Brasil medidas emergenciais foram tomadas para garantir o processo educativo, entre elas, o trabalho educacional remoto. No entanto, diante de tantos imprevistos, gestores, professores, estudantes e famílias encontraram-se num momento de muita pressão, com várias dúvidas e incertezas. Diante da atual situação, os limites impostos têm nos apresentado possibilidades inegáveis de transformação, o que nos remete a uma série de questionamentos: há efetivamente uma preocupação com a qualidade social da aprendizagem? O que este período nos informa a respeito de nossos estudantes e de suas famílias com relação as nossas práticas como educadores?   O que faz sentido manter e o que mudar? É possível repensar o papel da escola e da sociedade na formação das novas

Por Dentro do Polo | Pernambuco volta a ser o maior produtor de Jeans do Brasil – por Jorge Xavier

O Brasil produziu 341 milhões de peças jeans em 2019. Desse total, o polo produtivo de Pernambuco sustentou 17% do volume. Com algo em torno de 60 milhões de peças no ano, o estado é o maior polo de jeans do país, segundo o iemi - Inteligência de Mercado. Ultrapassou, assim, regiões como norte do Paraná e Santa Catarina. São Paulo é o maior centro comercial, mas, não de produção.Em Pernambuco, a produção está concentrada sobretudo entre Toritama e Caruaru. O valor da produção de peças jeans está estimado em R$ 14,4 bilhões, que corresponde a 9,5% do total nacional da produção textil no ano passado, apontou Marcelo Prado, diretor do leme, que participou de webinar da Santista sobre o futuro do consumo com a covid19. Já o varejo de jeans movimentou R$ 25,3 bilhões, disse Prado. A receita corresponde a 11% do consumo nacional de vestuário, calculado pelo lemi em R$ 231,3 bilhões, com a venda de 6,3 bilhões de peças. Em sua apresentação, Prado mostrou a evolução do mercado nacio