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Artigo | A “dessocialização” das Redes Sociais – por Roberto Celestino


No final da década de 90 já ouvíamos falar de grandes avanços na comunicação virtual. Aos poucos e sempre crescente, as notícias dos telejornais aguçavam a nossa curiosidade sobre aparelhos que estavam sendo desenvolvidos para interligar as pessoas do mundo inteiro em tempo real. Seria possível se conectar com alguém do outro lado do planeta em tempo real, assim como acompanhar fatos no instante em que acontecia independente de onde acontecesse.

Tudo parecia um sonho, a comunicação globalizada iria dar um  upgrade no conceito de comunicação. O mundo estaria mais unido, conectados por modernos aparelhos e Redes Sociais que seriam uma Torre de Babel às avessas.



Os aparelhos chegaram (mais rápido do que eu imaginava), as Redes Sociais também chegaram e continuam chegando, mas a esperada socialização como fruto de tudo isso não chegou, ao contrário, a comunicação que existia não encontrou mais lugar em meio a tanta modernidade.

Agora percebemos que as pessoas se comunicavam mais, percebemos que os poucos amigos que tínhamos eram de fato amigos, enquanto não sabemos quem são os milhares de “amigos” virtuais.

Hoje procuramos desesperadamente atingir a marca dos cinco mil amigos no perfil do Facebook para sentirmos aquela sensação de popularidade quando alguém não mais conseguir ser adicionado à nossa página, pois atingimos a marca máxima. Somos o máximo, yeah! No entanto, pessoas com cinco mil amigos estão enclausurados no seu quarto sozinhas com seu aparelho eletrônico.

No ponto do ônibus ninguém se cumprimente, no recreio quatro ou cinco conhecidos fitam seus celulares, não há diálogo.

Em casa a família que jura que é unida está separada. Cada um na sua rede.

Famosos perderam seus fãs e ganharam muitos críticos. Tudo o que eles fazem ou dizem tem que ser aprovado pelos internautas.

Ir à igreja tornou-se irrelevante, pois podem compartilhar algum versículo ou expor uma foto sensual com a legenda: “O Senhor é meu pastor”  ou “enquanto deus [sic] for meu chão ninguém me derruba” e, pronto. Tem ainda os que vão, mas lá não resistem a tentação de dar uma olhadinha no zap ou Insta,  vai que Deus também tá conectado e fala por lá.

Não sou avesso a Redes sociais. Preciso, uso e gosto. Mas é preciso usar na dose certa, aí sim, elas farão o papel para o qual foram desempenhadas. Pois da forma que as utilizam hoje, já podem mudar o termo para Redes [des]sociais.



Roberto Celestino é professor de Letras-Língua Portuguesa e poeta cordelista membro da ACLC- Academia Caruaruense de Literatura de Cordel

Comentários

  1. Infelizmente é isso que presenciamos no nosso dia a dia. Belo texto, poeta Roberto Celestino..

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