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Artigo | Criticar? SIM. Torcer contra? NÃO! – por João Antonio


Um processo democrático sempre deixa vencedores e perdedores. Há aqueles que festejam o mandato inteiro, quer com apenas a alegria da vitória, quer com cargos ou outras benesses; e há os outros que, derrotados nas urnas, vão destilar todo o seu vasto vocabulário de maldições durante quatro anos.

Isso é normal... isso é salutar! Mas, sobretudo, isso é muito divertido!

Um grande problema surge quando os vencedores se tornam "passadores de pano", proferindo um "amém" após o outros para as atitudes da gestão. Comemorando os acertos que todos enxergam e justificando, desmerecidamente, os erros notáveis que todos criticam.

Este texto, porém, não tem como objetivo "puxar as orelhas" dos subordinados das gestões atuais, seja a federal, a estadual ou a municipal... sabemos que esse é o papel deles: gritar para enaltecer, calar para repreender.

O outro "lado", a oposição, os perdedores do pleito anterior... estes têm um papel muito importante – muito MAIS importante do que aqueles que citei até o parágrafo anterior.

Acontece que, seja por ideologia, seja por mágoa, seja por oportunismo diante de um novo pleito eleitoral (2020 vem aí, hein?), tais personagens abdicam do protagonismo saudável da oposição propositiva e racional em nome de uma irrefreável batalha por aplausos neste "comício virtual".

O ápice deste "espírito briguento" é atingido quando, publicamente ou não, começam a desejar que uma política pública proposta pela gestão atual não dê certo! Deus do Céu! Dá vontade de perguntar "você está se ouvindo, criatura?".

 "Tomara que as ideias da equipe econômica não tenham sucesso! Porque aí a gente vem fervendo na próxima eleição."

"Essa distribuição de óculos nas escolas não pode dar certo! Isso vai trazer bom capital político para a prefeita!"

"A violência diminuiu em Pernambuco! Que droga! Isso vai ajudar o governador a eleger o seu sucessor!"

É de gente que repete isso, ou coisa pior, que a administração pública precisa estar bem longe! Pessoas com esse pensamento não entendem o básico sobre impessoalidade e moralidade. Não conseguem ver que o centro da vida pública é o povo, o cidadão comum, a mãe de família, o jovem estudante, os idosos dependentes da saúde costumeiramente tão esquecida.

Pessoas que torcem contra o governo torcem, na verdade, contra o povo. Porque, teoricamente, tudo o que o governo faz é pelo povo e para o povo.

Governos não precisam ser aplaudidos pelas coisas certas que fazem: para isso eles já têm os passadores de pano, mas governos têm obrigação de atuar de modo a merecerem ser aplaudidos – o famoso "não fez mais do que sua obrigação!".

Enfim, governos não são tão perfeitos quanto os passadores de pano propagam aos quatro ventos nem são tão pecadores quanto a oposição, a mal intencionada, diz que são. Essas duas faces da mesma moeda continuarão o seu trabalho ininterrupto de tentar convencer o maior número de eleitores até outubro do ano que vem...

E é justamente aqui que a imprensa mostra a importância do seu papel! Ao noticiar com máximas clareza e imparcialidade possíveis, nosso jornalismo se apresenta como o filtro adequado (e necessário) para que nós, povo, entendamos o que o governo faz de bom e de ruim. O que merece (mas não vai) ser aplaudido e o que merece (e tem que ser) criticado.

Sim! Governos devem ser criticados e exortados por aquilo que fazem de errado, por aquilo que fazem de forma a prejudicar o povo que os sustenta.

Criticar, sim! Torcer contra, não!

Afaste-se, caro leitor, de qualquer crápula que torça para que o governo atual erre, falhe e faça mal feito. Essa pessoa não é digna de sua companhia! Aliás, essa pessoa é peçonhenta, venenosa, ardilosa – ela causa mal!

Qualquer falha de um governo afetará diretamente o cidadão comum, inclusive você e eu! Portanto, alguém que torce contra o governo (alguém que deseja que o governo falhe) é alguém que deseja que VOCÊ se dê mal, provavelmente com o intuito de, daqui a alguns meses, apresentar-se como "solução", quando puder anunciar que é candidato.

Não ouça alguém assim, não conviva com alguém assim... não desperdice seu tempo, sua atenção, nem seu voto com uma pessoa assim: acredite, ele não merece trabalhar para o povo porque ele não está nem aí para o povo!

Que Deus abençoe os nossos governantes para que busquem sempre melhorar – pois isso melhorará diretamente a nossa vida!



João Antonio é professor

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