Pular para o conteúdo principal

Altos Papos | A pessoa “coisada” e a coisa personificada – por Davi Geffson


Descartáveis. Sem valor. Aliás, com valor. Não, deixa sem valor mesmo. É assim que as pessoas têm sido tratadas neste exato momento. Enquanto você lê este texto, você mesmo está sendo coisificado(a), pois é, a todo instante existe alguém que nos trata como objetos de uso. Quem nunca foi procurado apenas numa precisão? Quem numa foi esquecido após realizar alguma tarefa? Vamos pensar sobre isso? Vem comigo.

O amor, ensinado por Cristo, e até mesmo ocupando um lugar de destaque nos dez mandamentos, está escasso. Mas o que é interessante é que pessoas que descartam o outro, são as mesmas que dizem amar a outros. Como assim? Amor que faz acepção? Ah, claro que não, é um sentimento parecido com amor, confunde-se até, mas não o é.



As pessoas têm sido desprezadas com a maior facilidade, é aquele “tanto faz” que, de fato, “não faz”. É assim que estamos vivendo, coisificando pessoas e personificando as coisas. Porque o carro é mais importante do que quem entra nele? Será que é porque ele é quem faz todo o trabalho e gasta suas energias em ter que carregar pessoas, do jeito que as coisas vão, daqui uns dias são as pessoas que levarão o carro nas costas a fim de não lhe dar o trabalho de “cansar”.

A coisa é mais séria do que pensamos, ops, digo as pessoas são mais sérias, ou será que não são? Ou deveriam ser? Que confusão. Estamos tão “coisados” que nem mesmo sabemos o que de fato tem valo. O valor da viagem está mais em alta do que aproveitar a própria família. Porque o que está em jogo, nem sempre é proporcionar lazer, mas ter uma boa paisagem para postar aquela foi no instagram, afinal, é mais importante que tenhamos coisas para mostrar, do que viver intensamente os momentos. Enfim, estamos tão “coisados” que nem temos tempo para sermos gente. Não estranhe quando alguém disser: Você é a coisa mais linda. Entende agora?

Às vezes fico pensando
Como era no passado
Sem ter um smarthphone
Pra postar o milho assado
Mostrar na tela as coisas
Que se tinham no roçado


É que coisa era coisa
E gente era gente
Não precisava mostrar
As coisas que a gente sente,
Mas hoje mostrar as “coisas”
É ser “coisa influente”.

Pense nisso!



Davi Geffson é mercadólogo e universitário de Letras

Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Baixe aqui o livro - Passos para o Reavivamento Pessoal

Clique aqui para baixar a versão PDF.

Por Dentro do Polo | Pernambuco volta a ser o maior produtor de Jeans do Brasil – por Jorge Xavier

O Brasil produziu 341 milhões de peças jeans em 2019. Desse total, o polo produtivo de Pernambuco sustentou 17% do volume. Com algo em torno de 60 milhões de peças no ano, o estado é o maior polo de jeans do país, segundo o iemi - Inteligência de Mercado. Ultrapassou, assim, regiões como norte do Paraná e Santa Catarina. São Paulo é o maior centro comercial, mas, não de produção.Em Pernambuco, a produção está concentrada sobretudo entre Toritama e Caruaru. O valor da produção de peças jeans está estimado em R$ 14,4 bilhões, que corresponde a 9,5% do total nacional da produção textil no ano passado, apontou Marcelo Prado, diretor do leme, que participou de webinar da Santista sobre o futuro do consumo com a covid19. Já o varejo de jeans movimentou R$ 25,3 bilhões, disse Prado. A receita corresponde a 11% do consumo nacional de vestuário, calculado pelo lemi em R$ 231,3 bilhões, com a venda de 6,3 bilhões de peças. Em sua apresentação, Prado mostrou a evolução do mercado nacio

Sem Aspas | Felipe Neto, Álvares de Azevedo e Machado de Assis, qual deles presta um desserviço à nação? - por Amanda Rocha

  O célebre escritor alemão Johann Goethe, autor das obras Fausto (poema trágico) e de Os Sofrimentos do Jovem Werther (seu primeiro romance) escreveu que “O declínio da literatura indica o declínio de uma nação”. Compreenda-se que a formação acadêmica, moral, ética, política, filosófica perpassa a leitura das grandes obras literárias, haja vista que elas instigam o homem a refletir sobre sua própria realidade, sobre os dilemas que o assolam e sobre os valores e conceitos que devem se sobrepor aos conflitos. Hans Rookmaaker, holandês e excelente crítico da arte, diz em seu livro “A arte não precisa de justificativa” que “a arte tem um lugar complexo na sociedade. Ela cria as imagens significativas pelas quais são expressas coisas importantes e comuns. Por meio da imagem artística, a essência de uma sociedade torna-se uma propriedade e uma realidade comuns. Ela dá forma a essas coisas não só intelectualmente, mas também de modo que elas sejam absorvidas emocionalmente, em sentid