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Por Dentro do Polo | Os atuais modelos de educação estão com os dias contados? - por Jorge Xavier

Até o século XXI, modelos tradicionais de educação acadêmica vinham atendendo bem às necessidades de formação e desenvolvimento de profissionais para o mercado de trabalho. A cada dia que passa, fica claro que este modelo que funcionou tão bem na era industrial será insuficiente para o futuro do trabalho - e as mudanças no mundo da educação já estão em marcha.

A primeira mudança tem a ver com o caminho do conhecimento: se antes as pessoas aprendiam na universidade a maior parte do conhecimento necessário para aplicar no trabalho, hoje são os desafios que surgem no dia a dia do trabalho que ditam as novas disciplinas e campos de aprendizagem para as instituições de ensino integrarem rapidamente em seus currículos. Velocidade de adaptação é fundamental num contexto em que as competências mudam tão rapidamente.




O segundo impacto tem a ver com o aprendizado em si: modelos educacionais passivos e pouco adaptáveis ao ritmo e tempo das pessoas perderam eficiência e vêm gerando cada vez mais ansiedade e frustração no encontro do estudante formado com o mercado.

O que vale mais: dizer que fez ou mostrar que faz?

A principal força que vem puxando uma mudança estrutural na educação superior vem do mercado de trabalho: empresas que dispensam o diploma de graduação no momento da contratação, como o Nubank ou a Apple, vão deslocando pouco a pouco a ideia de que o diploma é a única credencial possível para entrada e ascensão no mercado de trabalho. Já é possível avistar um futuro em que terá mais importância a pessoa demonstrar determinados conhecimentos e competências do que provar como eles foram adquiridos.

Competências e cargos que não existiam há 5 ou 10 anos, como Cientista de Dados e User Experience Designer, hoje são os mais procurados por empregadores no mundo todo. E não vai parar por aí: o impacto da tecnologia no trabalho e nas profissões tende a aumentar exponencialmente. Até 2022, o processo de robotização de diversas tarefas tem o potencial de deslocar 75 milhões de empregos em todo o mundo, enquanto 133 milhões podem surgir - estes, mais adaptados a uma nova divisão do trabalho entre humanos, máquinas e algoritmos.

Instituições acadêmicas no mundo todo vêm sentindo essa mudança de paradigma. Nos Estados Unidos, país que registra mais de U$ 1,5 trilhão de dólares em débito estudantil, o declínio da demanda por MBAs já é uma realidade. No Brasil, o FIES acumula mais de R$ 13 bilhões em dívidas de estudantes que não conseguem arcar com as parcelas do financiamento.

Ou seja: estamos vivendo uma grande revolução na maneira como nos preparamos para o trabalho e como nos relacionamos com ele ao longo da vida - e para participar dessa revolução, precisamos nos libertar dos modelos tradicionais de educação.

Mudar uma mentalidade tão interiorizada nas gerações que já passaram pelos modelos tradicionais de educação não é tarefa fácil. Mas é fundamental: precisamos nos libertar do paradigma "diploma = emprego" para nos adequar às exigências e transformações constantes do mercado impulsionado pela tecnologia digital.

Vale tudo nessa revolução: novos formatos de graduação, cursos adaptativos, ensino híbrido, novas linguagens e modelos mentais. Quem trabalha hoje com educação tem uma responsabilidade enorme nas mãos - e fará uma diferença fundamental para o futuro das pessoas nesse encontro entre mentes, emoções, algoritmos e robôs.

Com consciência e coragem, empreendedoras e empreendedores de educação seguem abrindo espaço para o novo. O que nos resta saber é, quando essas mudanças chegarão por aqui, pois é certo que elas virão, com o avançar das tecnologias e a rapidez da informação certamente não ficaremos de fora, mesmo que os investimentos ainda sejam bem tímidos, a década da grande revolução está chegando.


Fonte de pesquisa: Época Negócios



Jorge Xavier é estudante de Gestão Comercial

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