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Crônicas e Poesias - Fome, por Nelson Lima

Há uns 12 dias atrás presenciei uma situação - e sei que não sou o único a ter visto isso, quando estava na Rua Duque para pegar o ônibus para o bairro Petrópolis e uma família de 4 pessoas, pai, mãe, criança de braço e a avó. A criança chorava, sem forças, ou como se diz “choramingava”, a avó falou algo e saiu em direção ao relógio moderno/infuncional, que fica na frente da Catedral. Com uns minutos ela voltou com duas bananas, deu uma para criança e dividiu a outra em três pedaços... A avó ainda disse: tem dinheiro contado aí né, num quero passá mai aquela vergonha de novo não viu? Dando a entender que de outra vez faltou o valor das três passagens, exatamente R$ 9,90. Aquilo me
inquietou, mas eu não fiz nada... E me senti um assassino!

"O pão dos indigentes é a vida dos pobres. Quem dele os priva é assassino." (Eclo 34,25)

Se o Evangelho de Jesus é a essência de toda a Escritura, se a oração do Pai-Nosso é a síntese do Evangelho e se o pedido pelo "pão nosso de cada dia" é o centro do Pai-Nosso, então o pão é o coração de toda a Bíblia.
Às vezes me pergunto por que será que tá faltando pão?
Aí me lembro do canto Meu País, de Zezé Di Camargo e Luciano.
Aqui não falta sol, aqui não falta chuva
A terra faz brotar qualquer semente
Se a mão de Deus protege e molha o nosso chão
Por que será que tá faltando pão?

A resposta pode está na corrupção e na indiferença da divisão de renda. 
Até Deus sentiu fome e foi atendido...
"Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer" (Mt 25,35). É interessante notar que Jesus cita a erradicação da miséria e da fome como primeira atitude de seus discípulos. E logo acrescenta também a importância do suprimento da falta de água, de roupa, de casa, de saúde e de liberdade.
Mas aos pobres e famintos tem o acalento do mês de dezembro que tá chegando.

Nelson Lima é teatrólogo e poeta

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