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Artigo | Intolerância religiosa no Festival Lula-Livre – por Nayara Sousa

O festival Lula-Livre, ocorrido no último domingo, movimentou o estado em diferentes aspectos. Entre eles, um fato ganhou bastante repercussão, inclusive na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Em meio as falas calorosas do evento, a da líder religiosa Beth Oxum, que é mãe de santo, promoveu bastante indignação entre outros segmentos religiosos. Beth utilizou termos pejorativos contra pastores e de uma forma geral mandou os mesmo “se fod...” assim como declamou que está na hora do “pau cantar”.



Com uma fala infeliz, a líder demonstrou um pleno descontrole e intolerância religiosa. Além de aproveitar o espaço para também com termos pejorativos, ofender o presidente da república. Indiferente de aprovação ou não da gestão atual do presidente, o respeito a toda e qualquer pessoa, deverá ser sempre primazia.

O pronunciamento motivou posicionamentos entre os deputados estaduais. O deputado Joel da Harpa (PP) apresentou à Casa Legislativa Voto de Protesto contra o discurso da líder religiosa, além de pedir uma retratação pública. Já a deputada Clarissa Tércio destacou: “Eu, como cristã, filha e esposa de pastores, me senti muito ofendida com as palavras dessa senhora”. Doriel Barros, presidente do PT em Pernambuco informou que o partido não compartilha de nenhum tipo de ataque, destacando que se houve uma fala assim, foi um erro.

O pastor Jairinho  protocolou uma ação no Ministério Público Federal, ontem, contra a Mãe de Santo Beth de Oxum. Segundo ele, as palavras dirigidas no Festival Lula-Livre pela líder “incitaram a intolerância religiosa”.

Em tempos onde a convivência social tem sido um desafio, e rotineiramente se fala em combater todo tipo de intolerância, inclusive a religiosa, a líder contribuiu em sua fala para propagação do ódio e segregação entre as pessoas. Precisamos lembrar que intolerância religiosa não é apenas quando um cristão ofende outro seguimento religioso.
Intolerância religiosa é caracterizada quando qualquer pessoa é incapaz de respeitar e reconhecer as diferenças de crenças de terceiros. Uma retratação pública diante dos fatos seria o mínimo esperado de uma pessoa que se coloca como líder religioso (seja qual for a religião).

Mais empatia, por favor! O mundo já tem ódio demais.




Nayara Sousa é enfermeira, pedagoga e professora universitária



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