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Sem Aspas | Esperar o papai Noel ou fortalecer a democracia? – por Amanda Rocha

“Faça o que tu queres, pois é tudo da lei. Da lei” Já dizia Raul Seixas em uma de suas músicas: Sociedade Alternativa. Composta em parceria com Paulo Coelho, a letra faz menção à Thelema, uma Filosofia-religiosa cujo princípio é que as pessoas sigam o próprio caminho na vida, conhecido como a sua verdadeira vontade; as escolhas seriam resumidas às vontades, aos desejos; a música apresenta trechos de Aleister Crowley idealizador da tal filosofia. A canção fora lançada ainda na década de 70, mas apresenta fácil analogia ao atual comportamento da maioria dos políticos e do judiciário brasileiro: ‘fazem o que querem, mudam ou burlam a lei. A lei’. A referência não se dá em aspectos filosóficos ou religiosos, mas numa análise simplória da letra, uma vez que, parte dos líderes da atual democracia representativa, em vigor no Brasil, faz exatamente o que querem: buscam suas verdadeiras vontades e não as dos que representam.

            O interesse do Brasil, dos brasileiros, fica às mingas; a busca implacável segue pela concretização do desejo do poder. As últimas décadas, sobretudo dos governos de esquerda, foram marcadas por uma supérflua ampliação na movimentação econômica, a qual não conseguiu sustentar-se para além de 10 anos. Bastou o fim do governo do atual presidiário Lula, para a crise econômica brasileira apartar os investidores e alavancar milhões de desempregados; isso ainda na gestão petista, sob a presidência de Dilma Rousseff. Os problemas do Brasil vieram outra vez à tona e desnudou o sofisma da forte política econômica e social desses governos, os milhares retornaram à miséria, todavia, os grupos responsáveis pela devastação buscam descartar os fracassos de suas gestões à conta do atual Governo.

            O retorno da esquerda à oposição apresenta-se de maneira distinta de outrora - quando usavam o rótulo de guerrilheiros e ateavam bombas em repartições e vias públicas e bancos -  embora desejem afirmar, não vivemos sob a égide de uma ditadura, a democracia brasileira segue com o intuito de fortalecer-se; obviamente é falha, apresenta desvios, porém, mantém aspectos essenciais a uma democracia, tal como o sufrágio universal e a liberdade de expressão. Esse grupo político responsável pelos males que advieram o país desmerece qualquer governo cujo poder não esteja em suas mãos, rotulam-no com jargões depreciativos a fim de forjarem no imaginário da população um conceito negativo para galgarem a completa rejeição contra os líderes que minimamente discordem dos autoproclamados salvadores da Pátria. Reverberam falácias, opõem-se a tudo, principalmente às mudanças essenciais e benéficas à população. O que lhes importa é o domínio, e para tal, criticam por criticar, rejeitam por rejeitar; não inocentemente, agem de forma ardilosa, lesiva, por que não dizer maligna?

            Fato é que numa ditadura, a qual anunciavam desde as eleições e que afirmam está vigente no país, jamais se permitiria que um preso tivesse regalias em sua cela, fosse entrevistado por diversos jornalistas de expressão internacional, acusasse o grupo jurídico que o investigou e condenou (saliente que não apenas Moro, mas o Tribunal Regional e o próprio Superior Tribunal de Justiça condenou-o) de líderes de quadrilha (calúnia). Não bastasse a lista acima, o preso jamais seria candidato ao Nobel da Paz. Popularmente usa-se a frase: ‘seria cômico, não fosse trágico’. É trágico! ‘Fazem o que querem, mudam ou burlam a lei. A lei’.

A soltura de Lula, clamada pela esquerda, será, sim, uma afronta à democracia.
Foto: Mídia Ninja

Frise-se que Lula não é preso político, está preso não por discordar a um sistema político-econômico (semelhante ao que ocorre em países cujos líderes são seus aliados), mas sim por praticar ato previsto como crime na Legislação Penal desse país, em expressão coloquial: roubou, tem de pagar. Sua soltura não é “fundamental para a retomada da democracia” como afirmou o jornalista Amorim; a verdade é que a prisão de Lula faz parte da consolidação da democracia brasileira. É uma maneira de implantar nessa geração o sentimento de crença nas instituições, ninguém deve estar acima da lei.  Em objeção às declarações do ex-Presidente uruguaio Pepe Mujica: o desastre que o Brasil passa foi construído pelo grupo político do presidiário Lula, sua soltura sim, esmorecerá a democracia brasileira.

Sem enfado e levianamente tecem críticas que impõem barreiras ao desenvolvimento da nação. Sofrem de amnésia, olvidaram-se dos milhões que deixaram desempregados (críticas de Gleise Hoffmann); que a Transposição do Rio São Francisco tinha conclusão prevista para no ano de 2013 (críticas de Fernando Haddad); que negavam até poucos anos a existência do Foro de São Paulo, mas hoje declaram ser um órgão de luta pela social-democracia; que o comunismo, sistema que defendem, matou mais que o Nazismo (são ambos desgraças difíceis de adjetivar); que os países aliados, os quais ainda apoiam, tolhem o direito de liberdade de seus cidadãos; que desviaram bilhões do país naufragando-o numa crise jamais descrita; que é o capitalismo, a democracia, a liberdade, ou seja, tudo que detestam, que lhes garantem o direito de professarem o que acreditam, o que almejam, por mais sórdido que sejam esses anseios. É esse sistema político que tanto odeiam que lhes garante o direito de fazer em pouco mais de um ano e por sete vezes o ‘Congresso Nacional Lula Livre’. Que regime ditatorial admitiria uma manifestação dessa estirpe? China, Venezuela ou Cuba?

Uma ditadura jamais lhes permitiria agir como agem. Pena que a morosidade, as brechas e a ausência, por muitas vezes, de rigidez no sistema jurídico brasileiro não ponha um rápido fim a essa terrível balbúrdia produzida por contrários à democracia, à liberdade. Essa morosidade e os conchavos de interesses que a fragilizam e espalham o sentimento de descrédito. Caso haja alguma ditadura disfarçada, sem dúvidas, é a que impõem à sociedade um pensamento único de defesa de suas ideologias, buscando aniquilar qualquer que contraste dela.

O brasileiro não quer uma anarquia ou ditadura e sim Ordem e Progresso, quer vislumbrar o fortalecimento de suas instituições, o desenvolvimento desse potencial econômico que possui; não quer tomar banho de chapéu, esperar o papai Noel, ou discutir apenas Carlos Gardel; a sociedade alternativa que o brasileiro almeja é uma sociedade na qual não haja alternativa para a corrupção, quer um Brasil forte e desenvolvido, no entanto, para isso, é necessário a formação da consciência dos cidadãos; a qual resulte na eleição de novos representantes, avessos à velha maneira de fazer política; os quais tomem decisões embasadas no bem-estar social e nos desejos da população que representam, isso é uma democracia fortalecida. Viva!


Amanda Rocha é professora e escritora

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