Pular para o conteúdo principal

Sem Aspas | Mediocridade - por Amanda Rocha

A impotência, os erros e outros caracteres abjetos inerentes ao ser humano refletem como se defronte a um espelho quando contemplamos nosso semelhante posto como um bicho desgraçado lançado à própria sorte e ao mau destino. Um bicho debaixo da marquise, um bicho conduzindo carroça, um bicho que vende seu único bem, o próprio corpo, para prazer e satisfação alheia e sua própria destruição. Um bicho que traz em si as marcas da fumaça que lhe promovem pesadelos, um bicho que sangra pelo frio da madrugada e aguarda o café servido por um suposto benfeitor, um bicho que transmite em herança as mazelas de sua existência e posterga dores e sofrimento. Um bicho olvidado pela ganância e egoísmo. 



Um bicho, meu Deus, um bicho. Noutro lugar, outro bicho, cego, que se enfia em seus estufados cobertores e volve-se indiferente aos demais. Um bicho que não busca embelezar-se com o invisível, mas apega-se ao desprezível e superficial, ao egocentrismo e diminui-se.

Aguarda a iniciativa de outrem para extinguir seus males, anseia a glória, enfada-se em delírios infames e ocupa-se do vil. Nega a realidade e replica o que lhe impuseram, sem análise, sem questionamento. Desencorajado, irresponsável, pusilânime. Lança-se numa realidade fosca para driblar seus deslizes. Eiva-se de pessimismo. Bichos envoltos de si, de sua desumanidade.

Cretinos e medíocres, distantes da Verdade, entregues à irracionalidade, agindo impulsivamente, moderado unicamente quanto à gratidão. Opositores das almas elevadas, admiradores das sem horizonte. Pobres! Arrependamo-nos, pois, de nossos próprios caminhos, abandonemos todo apanágio da mediocridade, regressemos à Verdade, ao Puro, ao singelo e Eterno, ao Amor.

A indicação hoje é o livro de Tiago, da Santa Escritura. Deus vos abençoe.


Amanda Rocha é professora e escritora

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A intolerância dos tolerantes e os confetes carnavalescos - por Amanda Rocha

A quarta-feira passou, mas as cinzas do carnaval deixaram um imensurável prejuízo, não apenas econômico graças aos diversos dias de inatividade industrial e comercial, não somente pelas grandes cifras de dinheiro público usado para distrair a população embalada por ritmos dançantes e letras chicletes ou pornográficas, enquanto hospitais e escolas funcionam em deploráveis condições. Contudo, diria mais, não unicamente pelo elevado índice de acidentes e mortes nas péssimas estradas. Pensando bem, qual o intuito em citar o elevado número de contágio de doenças sexualmente transmissíveis em relações desprotegidas durante esse período? De igual modo não se faz necessário referenciar a elevada despesa que o Sistema Único de Saúde terá por consequência do carnaval; tão pouco se faz cogente contabilizar o número de criminalidade que se eleva nesse período – assaltos, homicídios, latrocínios, tráfico; os casos de divórcios, de gravidez indesejada - que em parte culminará em abortos realizados …

Regime Militar e Movimentos Sociais, quem é o mocinho e quem é o vilão? - por Amanda Rocha

Desde a década de 70 o Brasil tem-se acrescido em números de movimentos sociais e sindicatos, suas origens datam em anos anteriores, mas sua efervescência dá-se no período de Regime Militar. Eivados da necessidade de luta de classes, esses movimentos disseminam que nasceram para combater o regime ditatorial vigente nas décadas de 60 e 70 no país, mas disfarçam o cerne de suas bases ideológicas, cuja finalidade é a imposição da ditadura do proletariado. Nascida na mente insana e nefasta de Karl Marx, essas utópicas soluções para o fim das desigualdades sociais e econômicas concretizaram-se em diversos países, e por onde passaram promoveram unicamente a igualdade da miséria. Dentre as tantas falácias que divulgam, mentem sobre a ordem dos fatos, uma vez que os movimentos não surgiram com o intuito de lutar pela democracia e findar o Regime Militar, há nessa afirmativa uma completa inversão, visto que o Regime Militar foi conclamado pela população e aprovado pelo Congresso, nessa época, …

Se o sol não brilhar, aproveite a sombra do dia nublado - por Davi Geffson

Já percebeu o quanto costumamos a reclamar? Se faz sol a gente reclama, se chove reclamamos do mesmo modo, na verdade, somos serescom anseios e desejos, mas precisamos entender que nada gira em torno de nós. É um conjunto, são vários humanos com os seus devaneios de “ser”. Achar que tudo gira em torno de nós, e por isso, deve ser do nosso jeito, é o mesmo que caminhar em uma esteira, você perderá peso, irá suar, vai se cansar, entretanto, continuará no mesmo lugar.


Tudo pode ser mais simples se ao invés de reclamarmos, impulsionarmos o sentido do “procure o que há de melhor”, em tudo iremos encontrar o lado positivo e o negativo, se assim não fosse, que chato seria. Não queremos nem muito, nem pouco, queremos balanceado, com equilíbrio, isso é o que mescla a nossa vida. Uma comida com muito sal é péssima, com pouco também, agora quando se coloca a quantidade ideal, huuuum, que delícia. Assim é a vida, nem tanto, nem pouco, mas o suficiente.
Diariamente, Deus nos concede o dia que nos fa…