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Política em Movimento | Política de Pai Pra Filho - por André Santos

No último domingo comemoramos o Dia dos Pais, no qual muitos dos nossos que "paizões" receberam diversos presentes e muitas homenagens foram feitas, mas é claro que na política não é diferente. Diversos pais também recebem presentes dos seus filhos, como a continuidade de suas 'capitanias hereditárias' onde o sobrenome não muda mas apenas o primeiro nome. A esse fenômeno também podemos chamar de patrimonialismo.

Família real britânica: tradições distintas das dos clãs políticos de Caruaru-PE.
Foto: Divulgação


“Utilizada pela primeira vez pelo sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) ainda em finais do século XIX, a palavra “patrimônio” deriva de “pai”, enquanto o termo em si evoca o sentido de propriedade privada”, explica a historiadora Lilia Schwarcz em seu livro Sobre o autoritarismo brasileiro. Isso ainda não mudou até hoje, o legado do sobrenome no poder público se reflete no número de congressistas com nomes oligárquicos: foram 172 políticos eleitos em 2018.

Aqui em Caruaru, a atual prefeita, Raquel Lyra, já é da terceira geração com o mesmo sobrenome a governar a cidade. Seu antecessor, o deputado estadual Zé Queiroz, foi prefeito da cidade por quatro mandatos e já viu seu filho Wolney Queiroz ser eleito por outro seis mandatos como deputado federal. O grupo, que diz que vai ser oposição, tem no filho do deputado estadual Tony Gel uma possível candidatura no próximo pleito.

Esse jeito de fazer Política tem acabado com nossa cidade, que poderia ser uma cidade muito mais desenvolvida, mas que ao não pensar na próximas gerações a não ser que tenha seu sobrenome, prendem o futuro no passado e sacrificam o presente em busca dos seus interesses.

André Santos é pós-graduado em Gestão Pública


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