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“Às vezes, sinto vergonha de ser político”, declara Sergio Meneguelli em Caruaru

Gestão pública eficiente, honesta e transparente. Este foi o tema da palestra proferida pelo atual prefeito de Colatina-ES, Sergio Meneguelli. O evento ocorreu no auditório do Shopping Difusora, em Caruaru-PE. Com cerca de 130 mil habitantes, o município de Colatina, no interior do Espírito Santo, foi apontado como um dos 100 melhores do Brasil para se investir, conforme levantamento publicado pela Revista Exame em novembro do ano passado.
 
Durante o evento, o prefeito lamentou a chamuscada imagem que a classe política apresenta perante à sociedade, afirmando que, por vezes sente “vergonha de ser político”. Para Meneguelli, troca de favores, corrupção e ineficiência na prestação dos serviços públicos são elementos históricos no Brasil que precisam ser combatidos. “A política hoje é vista como a pior mercadoria nas prateleiras”, comparou, não sem esclarecer que sente “orgulho por governar Colatina”.

Meneguelli contou um pouco de sua trajetória política, iniciada na infância quando participava de comícios em pleitos para a administração do seu município. Em um dos eventos em prol de determinado candidato, o então garoto disse que tinha o sonho de um dia ser prefeito de Colatina. Não por acaso, ele passou a se inserir no debate político local, de modo que foi eleito vereador por quatro vezes. Após decidir candidatar-se a prefeito, Sergio Meneguelli teve de enfrentar os entraves provocados na própria agremiação partidária. “Foi mais difícil ser candidato a prefeito do que ganhar as eleições”, pontuou.

Após ser eleito, com 30,24% dos votos válidos (19.689 em números cardinais), ele chamou a atenção da imprensa nacional ao chegar à cerimônia de posse de bicicleta, dispensando o uso de veículos oficiais. O gestor disse, ainda, que fez questão de literalmente “desmontar os palanques”, convocando integrantes de grupos adversários para compor o seu secretariado.

Durante a explanação, o prefeito testificou que recebeu o município com uma dívida de R$ 10 milhões, sem verba para merenda escolar e com escassez de água (provocada pela ruptura da barragem de Mariana-MG). Entre as ações iniciais do mandato, ele realizou mutirões para dirimir os problemas municipais. Ademais, o gestor passou um ‘pente fino’ nos casos de corrupção e irregularidades, como uma forma de melhor utilizar os recursos públicos.

Outra medida de destaque do prefeito foi o cancelamento das verbas para realização do Carnaval. “Eu tinha um histórico de ser muito festeiro, por também ser produtor cultural. Porém, eu não tive coragem de empregar dinheiro para o Carnaval ao ver escolas precisando de reforma”, explicou. Ele disse que foi, pessoalmente, às escolas de samba do município apresentar os motivos para o cancelamento das verbas. “Eu perguntava aos carnavalescos: Como você se sentiria se seu filho estivesse em uma escola precisando de reformas e soubesse que o prefeito está gastando os recursos com plumas e paetês?”, revelou. Ele salientou que recebeu críticas pontuais sobre esta decisão, mas manteve-se firme e, por fim, a sociedade assimilou a medida como positiva.

A corrupção no funcionalismo público foi um dos problemas apresentados pelo gestor, que deixou claro: “no serviço público, ninguém é corrupto sozinho”. Ademais, o líder apontou elementos como diminuição da Máquina pública, fim de privilégios, realocação de recursos e celebração de parcerias público-privadas como fundamentais para a eficiência na gestão pública.



Perguntado pelo jornalista Mário Flávio, que estava mediando o evento, o prefeito Sergio Meneguelli foi enfático ao declarar que não disputará a reeleição no próximo ano. “Acho injusto que novas lideranças que possam surgir tenham de enfrentar nas urnas políticos que estão com a máquina na mão”, justificou, antecipando que teria coragem de, quatro anos depois, participar novamente do pleito municipal.

Também provocado pela plateia, Meneguelli comentou sobre o Governo Bolsonaro. “Eu tenho de acreditar que vai ser um bom governo. Se não for, quem vai sofrer somos todos nós. Ele (o presidente) já mostrou que não tem medo de tomar medidas impopulares, o que indica que é um político que não pensa só nas próximas eleições mas sim nas próximas gerações”, opinou.

Por fim, o prefeito fez questão de salientar o papel do cidadão na construção de uma sociedade efetivamente democrática. “Dizem que uma andorinha só não faz verão, mas ela pode sujar a cabeça de muita gente (risos). Precisamos ter consciência da importância do nosso voto – afinal de contas, votar não é ajudar, mas nomear. E fazer a nossa parte também, até porque a corrupção não acontece apenas no meio político, e os políticos são representantes da sociedade”, finalizou.


Fotos: Larissa Albuquerque/ConTexto

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