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A Cabana não é um filme ruim - por Mylena Macêdo

A Cabana é um livro comentado por muitas pessoas. Na maioria das vezes que escutei falar sobre a história, foi de maneira negativa. Há quem a considere herege, há quem não compreenda o roteiro e nem queira entender. Na internet, críticas abusivas de sites renomados. Desse modo, a única forma de saber se a história é realmente o que dizem foi assistindo as mais de duas horas do filme, dirigido por Stuart Hazeldine e que gerou quase 100 milhões de dólares nas bilheterias em todo o mundo.

O autor da história é William P. Young, que escreveu o livro em 2007 e teve um filme lançado nos cinemas 10 anos depois. Não posso falar muito das páginas escritas por Young, mas quero ressaltar alguns pontos do longa.

Reprodução/internet


Deus como uma mulher
Esse foi o principal motivo que me incentivou a conhecer a história. Eu pensava de que maneira Deus se manifestaria através de um corpo feminino, visto que na Bíblia as referências são associadas ao pronome pessoal masculino Ele.

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” - 1 João 3:2,3

O que compreendi acerca desse fato foi o que está claro na cena em que o personagem Mackenzie conversa com Deus enquanto preparam uma massa de pão. Nesse momento ele questiona o porquê Deus estar diante dele como uma mulher, quando a atriz Octavia Spencer, ganhadora de Oscar pelo filme Histórias Cruzadas, justifica que a figura paterna seria um desafio maior para convencer o Mack a conhecê-Lo, isso por causa das agressões que ele sofreu na infância por seu pai.

Desse modo, cheguei à conclusão que Deus trabalha nos corações humanos de maneiras distintas. São como as metodologias de ensino aplicadas às crianças especiais, que precisam de uma atenção maior, como as autistas. Apresentar o alfabeto para uma criança biologicamente sem modificações é completamente distinto de uma criança que tem dificuldade até de se comunicar com alguém.

Assim é Deus pedindo a permissão para entrar na vida do homem. Um adolescente que está com problemas de depressão provavelmente está com a mente obscura, sem nenhum ponto de luz. Já a mente de um homem embriagado sequer saber o que está acontecendo. O que nos conforta é saber que Deus sabe de todas as coisas, conhece as características de cada um de seus filhos e com certeza age de maneira única em cada um deles, assim como é apresentado na trama, na vida de Mackenzie.

O Espírito Santo em carne e osso
Quando vi os três personagens juntos com Mack, na Cabana, não consegui associar de ímpeto quem eram eles. Deus, sim, mas a moça e o rapaz não. E foi apenas no decorrer das cenas que fui percebendo. Nunca imaginei ver o Espírito Santo sendo interpretado como um ser humano feminino, foi surpreendente e confesso que achei meio estranho. No entanto, é possível perceber detalhes que Ele pratica dentro de nós, como enxugar nossas lágrimas e nos acolher nos momentos escuros. As experiências com o Espírito de Deus são fantásticas e quando a gente deixa Ele trabalhar em nós, é maravilhoso. A gente sente que Ele está agindo e isso é claro no filme, mesmo que pareça ser algo tosco como “guardar” nossas lágrimas, porém essa atitude é capaz de mudar nossa vida.

A cena mais marcante do Espírito com o Mack é quando eles estão num jardim todo bagunçado e a personagem pede ajuda a Mack para limpar o lugar. Essa parte do roteiro representa a transformação que Deus faz no nosso coração, quando chamamos por Ele. Mack não sabia, mas enquanto conversava com aquela mulher que brilhava na luz do sol, ele estava preparando o túmulo da filha que minutos à frente seria encontrada por ele e enterrada num lugar especial, o jardim do Senhor, que é o nosso coração.

A beleza da cena é a afirmação da onisciência de Deus. A bíblia fala que Ele sabe de todas as coisas, do momento em que somos gerados na barriga de nossa mãe até a nossa morte e isso foi escrito no roteiro da história. No filme, é possível perceber no período de duas horas, mas na nossa vida não. Nós não sabemos o dia de amanhã, se iremos passar no vestibular, se iremos um dia casar, mas temos a certeza de que Deus está no controle de nossas vidas e que Ele sabe de tudo.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” – Romanos 12: 2

É preciso perdoar
Para Mackenzie se livrar da tristeza profunda, foi necessário fazer algumas coisas, como conhecer de perto quem era Jesus, o Espírito Santo, o valor do julgamento, quando a Sabedoria se encontra com ele e o torna juiz de sua história. Mas o que mais machuca o coração de Mack é perdoar. Para chegar no ponto final, ele precisa reconhecer o seu ódio pelo assassino de sua filha, deixar de se sentir culpado pela morta dela e perdoar quem tirou sua vida. Nesse momento, Deus, que agora está em forma de homem, o leva para onde o corpo da filha estava escondido. Ali ele precisava dizer, expressar em palavras que perdoava o assassino.

Essa decisão com certeza não é fácil, mas é necessária. Deus promete a Mack que estaria com ele em todo momento, todos os personagens afirmaram isso durante o filme. Então ele profere a frase de perdão e enterra o corpo da filha no jardim, que já foi citado anteriormente.

Mack precisou perdoar o assassino de sua filha para poder ter uma vida livre da tristeza e das amarras do pecado. Jesus foi crucificado em favor de nós para remissão de nossos pecados. E todos os dias nós devemos confessar nossas falhas e pedir perdão ao Pai.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” - 1 João 1:9

Deus está sempre de braços abertos para receber os seus filhos, em amor e perdão de seus pecados. Não importa o que o homem faz na terra, não existe pecado, pecadinho e pecadão, o Senhor nos perdoa, basta confessarmos as nossas iniquidades e reconhecermos a Sua soberania, entregarmos nossa vida nas Suas mãos, que nossos dias se tornarão belos, felizes e alcançaremos a vida eterna.


Mylena Macêdo é estudante de Jornalismo

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