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Crônicas e Poesias | Festejo Junino I - por Nelson Lima


Seu Antônio abre a festa
Com ato casamenteiro,
Daí, segue-se um estrondo,
Tiro de bacamarteiro.
Cada dia uma atração
Canta Onildo e Azulão,
É assim o mês inteiro.



Começou sábado passado a maior festa do ano. Maior pela quantidade dos dias, maior pelas participações artísticas e também pelo público que circula por todo o mês de junho. Para mim ela é a maior pelas práticas culturais e folclóricas e também a comedoria.

O primeiro dos santos festejados é Santo Antônio, que inclusive foi um grande anunciador do Evangelho. O grande exemplo que deixou foi o de uma vida coerente com aquilo que se prega. Nasceu em 15 de agosto de 1195, em Lisboa, Portugal, ele recebeu no batismo o nome de Fernando. Teve uma vida farta e estudou nas melhores escolas. Mas depois de ingressar na vida religiosa na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, o jovem sacerdote pediu para ser transferido para Coimbra a fim de ficar longe do assédio da família, que não aceitava sua escolha pela pobreza.

Quanto à fama de ser casamenteiro...

Reza a lenda que, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem – ajoelhada aos pés da imagem de Santo Antônio – pediu com fé a ajuda do Santo que, milagrosamente, lhe entregou um bilhete e disse para procurar um determinado comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça moedas de prata equivalentes ao peso do papel. Obviamente, o homem não se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante. Mas, para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a balança atingisse o equilíbrio. Nesse momento, o comerciante se lembrou que outrora havia prometido 400 escudos de prata ao Santo, e nunca havia cumprido a promessa. Santo Antônio haveria de fazer a cobrança daquele modo maravilhoso. A jovem moça pôde, assim, casar-se de acordo com o costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras atribuições – a de “O Santo Casamenteiro”.

Enfim, acho que é a maior festa porque tem espaço para todos os gostos.

Nesse tempinho o cristão
É sempre santificado,
Rejeita nosso folclore
E se mostra alienado.
Povo festeja feliz,
Mas ele calado diz:
- É festejo idolatrado!

Quem é da igreja católica
Adere à profanação.
Quem é da igreja evangélica
É pura alienação.
E nesse mal entendido
O povo fica aturdido
Sem saber da vocação!

Ó meu Senhor Deus Jeová,
Oh que grande confusão!
Com isso quem é que sobra?
Lógico, o bom pagão.
No meio vai se infiltrando
A intenção vai moderando,
Nem diz sim e nem diz não.



Nelson Lima é teatrólogo e poeta



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