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Artigo | O futuro do Polo de Confecções do Agreste - por Jorge Xavier


Sou natural do Agreste pernambucano e defensor do Polo de Confecções do Agreste. Cresci às margens da BR 104, vendo o desenvolvimento desse Polo, inicialmente Santa Cruz, Toritama e Caruaru e depois as mais de 30 cidades que hoje produzem moda na região. E nesses meus 44 anos, dediquei pelo menos 20 anos ao segmento têxtil e vi muita coisa acontecer por aqui, vi grandes empresas quebrarem, vi pessoas que passavam fome e hoje estão ricas, vi empresas de mais de 40 anos que hoje não existem mais (Triste), mas sobretudo vi crescer uma terra de oportunidades, aqui é lugar de oportunidades, só não trabalha quem não quer. Mas ultimamente esse Polo tem sofrido bastante, antes tínhamos pelo menos 4 meses bons de vendas: Maio e junho, novembro e dezembro, hoje se resume apenas a 2 semanas em junho e 2 em dezembro. Recentemente tive a informação que tem lojistas no Parque 18 de Maio fechando as portas e isso é ruim.

Essa região ainda é o motor da economia desse estado. Mas o que fazer? De quem é a culpa? Dos governantes? Dos empresários? Acredito que um pouco de cada. Acredito que algumas medidas precisam ser tomadas, por parte de todos, pois se não dermos as mãos e levantarmos a cabeça a situação ficará cada vez pior.

Acredito que o investimento em tecnologia é uma das saídas, afinal estamos na era da indústria 4.0 onde o domínio tecnológico se faz presente: A inteligência artificial, a análise de dados, os Chat bots (Robôs virtuais), podem e devem ser utilizados para alavancar as vendas também no seguimento de moda, sei que algumas empresas da região já começaram a utilizar algumas ferramentas, mas de forma ainda muito tímida, é preciso uma imersão nesse mundo virtual que tem se tornado cada vez mais real.

Acredito que uma outra saída é o incentivo a criação de cooperativas, pois leva desenvolvimento econômico para as cidades, pulveriza e diversifica cada vez mais a produção, a geração de emprego e distribuição de renda, com o cooperativismo você consegue baratear os custos de produção, consequentemente se torna mais competitivo, para isso o governo precisa desburocratizar a legislação. Conheço cidades pequenas que implantaram o sistema de cooperativas e estão muito bem, produzindo,  gerando emprego e renda a baixo custo.

Os governantes de uma forma geral precisam voltar os olhos para essa região, aqui, crescemos sem qualquer incentivo ou ajuda governamental, o único olhar que eles tinham era o de cobrar altos impostos e sufocar o pequeno empreendedor. É preciso investir e entender a força que tem essa região, precisamos de representantes sérios que sejam realmente comprometidos com essa causa, o que vemos nas cidades da região é apenas um revezamento de famílias que se perpetuam no poder e nunca sequer olharam para esse setor com os olhos de quem verdadeiramente coloca a mão na massa ou no pano. Mas não percamos a esperança, ainda existem alguns remanescentes que querem mudar a realidade dessa região.

Não me coloco aqui como dono da verdade, mas aberto a debater no campo das ideias sobre essa importante matriz econômica, que é o POLO DE CONFECÇÕES DO AGRESTE.




Jorge Xavier é empresário

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