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Sem Aspas | Professor é peça chave para a transformação da nação ou para a sua total destruição - por Amanda Rocha

“Nossa luta deve ser para acabar com a naturalização da família tradicional”, calma, calma. “Ninguém em sã consciência pode ser contrário a um elemento tão importante da sociedade quanto os laços familiares”, ambas as frases parecem contraditórias e são, contudo foram proferidas pelo mesmo emissor e a respeito da mesma ação concreta: a discussão do Projeto de Lei 7657/2017 apresentada pelo Vereador Presbítero Andrey Gouveia à Câmara Municipal de Caruaru, que trata da não implantação da Ideologia de Gênero nas escolas municipais. Verifica-se que a incoerência dos políticos ligados à ala progressistas é intrínseca ao exercício de seus mandatos e filosofias políticas, e disto, Daniel Finizola, que incorporou ao seu nome o do maior líder corrupto do país, não se quedou distante.

Após declarar tais insanidades com o intuito de atacar a família natural, uma vez que demais arranjos familiares divergem dos planos iniciais do nosso Criador e inclusive da nossa Constituição, em seu artigo 226, o excelentíssimo vereador e professor encaminhou alguns Projetos de Lei, polêmicos, mas por que não haveria de ser, caso contrário, não galgaria os holofotes dos palanques eleitorais. Num desses, o político ovaciona uma abortista, na ânsia de conceder-lhe nome de via pública; outro, visa impedir que alunos façam registro de casos esdrúxulos de doutrinação em sala de aula, este último tornou-se temática de discussões em variados âmbitos. E nessa discussão alguns questionamentos são instigados: o professor deve ser livre ao ponto de transmitir aos alunos suas próprias convicções políticas, filosóficas, artísticas, religiosas, entre outras, mesmo que contraponha as concepções familiares e ainda manter essas informações sob sigilo, como se o professor e os alunos fossem membros de um clube secreto?  Ou o justo seria conceder ciência aos pais sobre o que ocorre em sala de aula durante a formação escolar de seus filhos?

É justamente diante dessas indagações, e em meio a hegemonia das concepções de esquerda que surge o Movimento do Escola Sem Partido, o qual objetiva simplesmente assegurar o que a Constituição Federal de 88  já defendia, mas que a prática docente, para alguns professores, ao passar das décadas, muito se distanciou “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber” além do  “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas”. Difícil compreender o mau que há em expor numa sala os deveres que o professor já possui.



A maldade e as intenções dos opositores ao ESP, os quais visam coibir a pluralidade de ideias, são tão sorrateiras que se lançam ao execrável jogo de distorcer o cerne do debate com a mera finalidade de macular as reputações dos que deles discordam. Não proibir a filmagem não implica pôr uma mordaça nos professores, repetindo: votar contra o PL no 7916/2018 (Projeto de Daniel Finizola que tolhe direito de alunos), não interfere no direito de cátedra dos professores, apenas assegura ao aluno o direito de produzir provas, o direito de proteção contra a doutrinação. O que temem é que depois de registrado, não conseguirão suster o discurso de sepulcro caiado que vomitam.  Denegam, mas paralelamente as suas alocuções eivadas de sofismas saúdam “todos, todas e todxs” por companheiros, companheiras e companheirxs.

Durante minha adolescência, época do Ensino Médio, e justamente pela influência de alguns professores, filiei-me à União da Juventude Socialista e ao Partido Comunista do Brasil; no período da faculdade assisti algumas de minhas colegas serem submetidas à avaliação final por discordarem das ideias de Karl Marx, isso meramente por terem defendido seus posicionamentos religiosos. Ao lecionar em escolas públicas e privadas presenciei ações de diversos colegas que intimidaram e constrangeram alunos a defender a mesma opinião que a sua, foram notas reduzidas ou trabalhos anulados, tudo acompanhado por uma boa taça de satisfação. Alguns casos fervilharam-me o sangue: certo grupo de alunos foi impedido de apresentar um trabalho por se recusar a defender a união civil entre pessoas do mesmo sexo, restou-lhe a recuperação. Em outra instituição desenvolveram uma atividade que submetia menores de idade a situações vexatórias quanto à sexualidade e uso de pornografia; estimularam a prática precoce do sexo, confrontaram a orientação sexual e as crenças religiosas. Sobre este último exemplo, minha posição em comunicar aos alunos, que caso constrangidos, pedissem a direção para contatar seus pais e se retirarem do ambiente provocou um mal súbito nos doutrinadores que cerraram os portões e impediram os quanto puderam de ligar para seus pais e impuseram a participação da atividade em curso. As cenas desenhadas eram aterrorizantes: alunas choravam, desmaiavam e eram humilhadas por não participarem ou não compactuarem dos mesmos posicionamentos dos que promoviam as atividades. A mim, as consequências perpassaram a depreciação de minha conduta profissional através das redes sociais, ameaças, perda financeira, entre outros. Essa mesma estratégia difamatória utilizam por hora contra os vereadores Andrey Gouveia e Pierson Leite, classificando-os como inimigos da educação. A patrulha esquerdopata não poupa esforços para destruir os que pensam de forma distinta, e não hesitarão em adotar qualquer medida, ainda que legal, para continuar com seus planos nefastos.

A doutrinação é fato. Utilizando-me ainda como exemplo, afirmo que unicamente após a minha formação, e principalmente por retornar à fé cristã, que passei a ter acesso e contato com autores que jamais me foram apresentados por algum professor do ensino regular ou da faculdade. A esquerda finge conclamar o debate, a democracia, mas unicamente quando estão em desvantagem, pois quando galgam o poder revelam suas sórdidas e funestas intenções, impõe seus pensamentos e aniquilam seus opositores. Nas escolas e universidades os autores conservadores raramente são citados, são pouquíssimos, e vistos superficialmente.  Vivemos longos anos de hegemonia marxista. Nas instituições de ensino a Revolução Cubana é apresentada com ares romantizados, as ideias de Marx como irrefutáveis, os Estados Unidos da América como pervertidos imperialistas, o capitalismo como um vilão que rouba a paz, a liberdade e o direito de ter. O Escola sem Partido quer garantir que haja o contraponto, as duas ou mais versões da mesma história.


A intervenção do estado na vida privada dos cidadãos é imensa e serve exclusivamente para burocratizar e dificultar ações que deveriam ser práticas, a exemplo, no Estado de Pernambuco foi sancionada a Lei 14.727 de Julho de 2012 que impede o uso de celulares dentro dos estabelecimentos bancários, em exercício, essa lei serviu exclusivamente para punir o cidadão de bem, o qual tem de recorrer ao exterior do prédio sempre que uma urgência o solicitar através de uma ligação. A justificativa é a redução de crimes por intermédio de uso dessa tecnologia, a famosa ‘saidinha de banco’, contudo, os idealizadores dessa lei são desprovidos da capacidade de raciocinar que o crime dispõe de outros métodos, se adapta às realidades, às “necessidades”, ou seja, esta lei serviu meramente para cercear o contribuinte, o qual continua a mercê da criminalidade, segue-se no Brasil mais um exemplo de inversão: pune-se a vítima e anistia-se o criminoso. Não quero fazer analogias corroídas, não quero crucificar o professor, ou apoiar um caça às bruxas pondo os professores no papel de condenados a morte. Digo apenas que a liberdade é limitada por outros direitos. O professor possui direito de liberdade de opinião e de expressão, todavia essa não pode ser utilizada para afrontar as concepções morais, religiosas e políticas da base familiar do discente; o mestre não pode prevalecer-se de seu poder de persuasão para cativar e utilizar os alunos como números em passeatas, ou corroer uma nova geração com insanidades, a exemplos das teses da ideologia de gênero que tem mundo a fora provocado uma epidemia de disforia de gênero e ampliado os casos de depressão em crianças e adolescentes. Para estes que assim agem, o título de professor jamais deveria ter sido concedido, não são dignos de serem nomeados mestres.

Em Caruaru no PL n° 7916/2018 o autor argumenta “Assim, apresentamos este projeto de lei como forma de proibir uma prática atentatória à liberdade docente em nosso município, mas, principalmente, suscitar o debate sobre esse tema em Caruaru”, se esses são os objetivos, sinta-se satisfeito, primeiro pelo fato de haver liberdade docente, segundo, por conseguir provocar tal debate. Ao menos o vereador concorda conosco, os conservadores, quando afirma que o nosso país é formado por ignorantes (há uma multidão de analfabetos funcionais), mas ele infelizmente não aponta os culpados pela manutenção das baixíssimas taxas de educação nas avaliações internacionais. Parece-me que o vereador, assim como a maioria dos brasileiros, sente dificuldade de associar os problemas as suas causas. O Partido dos Trabalhadores, partido do excelentíssimo senhor, esteve por mais de uma década no poder, mas não conseguiu extinguir a fome e a miséria, não conseguiu zerar a fila do SUS, do Bolsa família (sim, o projeto possuía outro nome antes do PT, mas já existia), fazer Reforma Agrária, etecetera. O PT deixou-nos numa situação caótica.
Listo a seguir algumas obras realizadas através de empréstimos concedidos pelo PT mediante BNDES a países alinhados ideologicamente que, detalhe, calotearam-nos. Atentem ao fato das cifras serem contabilizadas em dólar, o que praticamente quadriplica o valor se for convertido para a moeda brasileira.

1 - Porto Mariel, Cuba, valor total da obra U$ 957 milhões, U$ 682 milhões financiados pelo BNDES, Construtora Odebrecht;

2 - Hidrelétrica de San Francisco, Equador, U$ 243 milhões, Odebrecht. Após a conclusão da obra o governo equatoriano questionou a construtora por supostos defeitos na obra, a Odebrecht foi expulsa do país e o Equador ameaçou dar calote no BNDES;

3 - Hidrelétrica Manduriacu, Equador, valor total da obra U$ 124 milhões, U$ 90 milhões financiados pelo BNDES, Odebrecht. Na época, apesar da ameaça de calote o Brasil concedeu novo empréstimo ao Equador;

4 - Hidrelétrica de Chaglla, Peru, Valor total da obra U$ 1,2 bilhões, U$ 320 milhões financiados pelo BNDES, Odebrecht;

5 - Metrô Cidade do Panamá, Panamá, U$ 1 bilhão, Odebrecht;

6 - Autopista Madden-Colón, Panamá, U$ 152,8 milhões, Odebrecht;

7 - Aqueduto de Chaco, Argentina, U$ 180 milhões, OAS;

8 - Soterramento do Ferrocarril Sarmiento, Argentina, U$ 1,5 bilhões, Odebrecht;

9 - Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas, Venezuela, U$ 732 milhões, Odebrecht;

10 - Segunda ponte sobre o rio Orinoco, Venezuela, valor total da obra U$1,2 bilhões, U$ 300 milhões financiados pelo BNDES, Odebrecht;

11 - Barragem de Moamba Major, Moçambique, valor total da obra U$ 460 milhões, U$ 350 milhões financiados pelo BNDES, Andrade Gutierrez;

12 - Aeroporto de Nacala, Moçambique, valor total da obra U$ 200 milhões, U$ 125 milhões financiados pelo BNDES, Odebrecht;

13 - BRT da capital Maputo, Moçambique, valor total da obra U$ 220 milhões, U$ 180 milhões financiados pelo BNDES, Odebrecht;

14 - Hidrelétrica de Tumarín, Nicarágua, valor total da obra U$ 1,1 bilhão, U$ 343 milhões financiados pelo BNDES, Queiroz Galvão;

15 - Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque-El-Chorro, Bolívia, valor da obra U$ 199 milhões, Queiroz Galvão;

16 - Exportação de 127 ônibus, Colômbia, U$ 26,8 milhões, San Marino;

17 - Exportação de 20 aviões, Argentina, U$ 595 milhões, Embraer;

18 - Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar, Peru, valor não informado, Andrade Gutierrez;

19 - Renovação da rede de gasodutos em Montevideo, Uruguai, valor não informado, OAS;

20 - Via Expressa Luanda/Kifangondo, valor não informado, Queiroz Galvão;

Enquanto todo esse dinheiro se esvaía de nosso país, no Estado de Pernambuco as escolas eram presenteadas pela Secretaria Estadual da Mulher com o Caderno Etnicorracial como título “Mulheres Construindo a Igualdade” o qual apresenta nitidamente as ideologias marxistas a respeito das construções de gênero. Sem qualquer “debate ou discussão” as insanidades copiladas por Judith Butler são apresentadas como verdades irrefutáveis, como se ciência fosse e já tivera comprovação. Afirmam sem o menor escrúpulo que gênero é uma mera construção social e pode divergir do sexo biológico.
Ainda, enquanto todo esse dinheiro se esvaia, assistíamos ao Programa Encontro, com Fátima Bernardes nos ensinar que não há brinquedos diferenciados para meninas e meninos; mirávamos Anitta rebolando no Caldeirão do Huck e a seleção brasileira a jogar; testemunhávamos Malhação denigrir e deturpar a mente de nossos adolescentes; não observávamos a esquerda reclamar a perda que a educação sofreu com a quebra de R$10,5 bilhões de seu orçamento; famílias sofriam com os índices de violência alcançando os mais de 60 mil homicídios por ano. Em síntese, era a velha política do pão e circo se moldando ao século XXI.

Há doutrinação sim, neguem o quanto quiser, mas a verdade prevalece e não importa o nível de relativização que os peteínos darão a ela, pois, ela, a verdade, sempre sobreporá. Felizmente as mentiras têm sido confrontadas pela revolução da comunicação, os meios convencionais e os doutrinadores encontram agora uma barreira chamada rede social. Informação e comunicação em tempo real, as várias faces de um mesmo fato, o que não implica em abdicar de intervenções incisivas. Óbvio que as mudanças estão para além do Escola Sem Partido, perpassa a concepção que se adota da própria finalidade da educação, seus responsáveis legais, os professores, a família e o discente, os livros didáticos, dentre tantos outros pontos. A certeza é de que uma alteração no currículo urge. O que nossos alunos devem estudar?

Até o momento apenas uma versão de cada fato é apresentada, não obstante, é justamente o lado que apela às ideologias do Marxismo cultural; portanto, a garantia de uma concreta pluralidade de ideias conclama e para isso, serve-nos o Escola Sem Partido e o Ensino Domiciliar, este último abordaremos em tempo.


Nesta semana a indicação de livro é Educação Clássica e Educação Domiciliar, de Douglas Wilson, que Deus vos abençoe.




Amanda Rocha é professora. Escreve em ConTexto às quintas-feiras

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