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Não à Marielle, não à lacração - por Amanda Rocha

Sou mulher, branca, mãe, heterossexual, professora e cria da Igreja Batista. Caramba! Assim não é possível lacrar, no mínimo acusar-me-ão opressora fundamentalista (ou seria oprimida por sentir-me bem por ser quem sou?). Mas a Marielle Franco pode dizer-se mulher, negra, lésbica e orgulhar-se de tudo sem receber uma única crítica negativa, por contrário, é ovacionada. Marielle era pouco conhecida pelos brasileiros até março de 2018, quando em decorrência de um crime bárbaro foi assassinada junto com Anderson Gomes, seu motorista. Após um ano dois suspeitos de praticarem o crime foram presos, mas o mistério ainda perpassa as motivações do assassinato. Ativista política maquiada de advogada dos Direitos Humanos, Marielle era crítica ferrenha à Polícia Militar, defensora do aborto, da legalização das drogas e da imposição das ideologias LGBT, pautas ainda pouco discutidas pela grande maioria da população brasileira, a qual, em regra quando questionada, posiciona-se justamente do lado oposto ao que a vereadora encontrava-se.



Os índices de violência no Brasil são a cada dia mais aterrorizantes, e a morte de Marielle é mais uma a compor essa triste estatística, se há uma perfeita democracia no Brasil, ela sem dúvida é a violência, atinge a todos indiscriminadamente, reduzindo a pó e números suas vítimas, vive-se um verdadeiro "Deus nos acuda", contudo, o grupo político que Marielle compunha pensa diferente, concedem valor à vida conforme o sexo, cor, raça, orientação sexual e posicionamento político, filosófico e religioso, assim esse caso jamais seria lançado ao ostracismo antes de seu completo emprego pela turma da lacrolândia - como bem nomeia um colega estudante de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Campus Caruaru - esse grupo jamais permitiria que um episódio tão horrendo não fosse utilizado como palanque e trampolim político, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff, a qual declarou que a morte de Franco "representa mais uma etapa do golpe" referindo-se ao processo de impeachment que sofreu em 2016. Interessante que a presidente não conseguiu impedir que mais de 60 mil pessoas morressem por ano no país em decorrência da violência durante seu mandato, mas replica que se ainda presidente sua companheira de filosofia política estaria viva.

A imprensa e toda a esquerda festejou com grande alarde quando desvendaram que um dos assassinos presos era vizinho do presidente Jair Bolsonaro, o que realmente minimamente desperta desconfiança, mas essa mesma imprensa e esse mesmo grupo político calou-se abruptamente ao descobrir que os assassinos têm relações mais fortes e assíduas com o MDB, partido aliado ao ex-presidente Lula, sobretudo representados por Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão, ambos presos pela Lava Jato, além do ex-deputado Brazão, segundo a Veja, apontado pela Polícia Federal como um “possível mandante”.

“Marielle Presente!” tornou-se mais um bordão repetido pela esquerda, que logo tratou de utilizar a cor, raça, sexo, orientação sexual e posicionamento político da vereadora para difundir suas pautas. Aqui no Nordeste diz-se que "depois de morto, todo mundo vira santo" e assim o foi com Marielle, que passou por um verdadeiro processo de beatificação social, galgou a sensibilidade das pessoas; viu-se uma luta para imortalizá-la. De homenagem produzida por Katy Perry durante show no Rio a nome de rua na França, Marielle vem ao Nordeste com a finalidade de nomear uma das principais avenidas na cidade de Caruaru-PE, a qual dá acesso à UFPE, esse Projeto de Lei foi apresentado pelo vereador Daniel Finizola (PT), o mesmo que há pouco tempo declarou em sessão na Câmara Municipal de Vereadores suas convicções a respeito da família tradicional brasileira. Não obstante, a ala conservadora e até mesmo liberal da cidade quedou-se perplexa, pois além da ativista não possuir nenhuma atuação de relevância acadêmica, artística, empresarial ou defesa real dos Direitos Humanos, não tem nenhuma ligação com a região do agreste pernambucano, a qual dispõe de nomes ilustres que já deveriam ter recebido homenagens, a exemplo da professora Sinhazinha ou do notório e brilhante artista Onildo Almeida. Ainda, acaso quisessem homenagear um nome de relevância nacional há a professora Heley de Abreu Batista, morta enquanto salvava crianças na tragédia de Janaúba, mas esses nomes não estão convencionalmente atrelados aos requisitos para uma perfeita lacração. A escolha do nome de Marielle deixa nítida as intenções puramente ideológicas.

O Movimento Brasil Livre - Caruaru (MBL), os Conservadores e a Direita Universitária pretendem defender os interesses do povo caruaruense e impedir a tentativa de lacração desse grupo político que ocupa-se em difundir suas fantasiais insanas, mas sequer atenta para o estado no qual a Avenida de acesso à Universidade se encontra e segundo os alunos, com sérios problemas que envolvem a iluminação, o transporte e a segurança pública.

Resta-nos algumas dúvidas: será que a esquerda agora concordará que lugar de bandido é na cadeia? Que assassino deve receber todo rigor que a lei impõe ou será que os assassinos de Marielle Franco são meras vítimas da sociedade e merecem nova chance, assim, devem usufruir de indultos e todas as benesses para a redução da pena? Compreendemos o quão sofrido é para os familiares que perderam a filha, mãe, companheira, desejamos que essa dor seja amenizada e em seu lugar fique apenas o sentimento de saudades atrelado ao de justiça, aguardamos toda a punição aplicável mediante a lei, mas compadecer-nos do outro não implica em compactuar com suas pautas e trazê-las ao nosso mundo. Deus cuide dos familiares de Marielle Franco, mas homenageá-la representa acatar e disseminar suas pautas, a estas dizemos não, pois aqui no agreste onde tem cabra da peste, não, vocês não lacrarão.
           

Amanda Rocha é professora. Escreve em ConTexto às quintas-feiras

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