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Água e óleo: liberdade e socialismo, cristianismo e marxismo - por Amanda Rocha


“Porque não me envergonho do Evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” Assim diz as Escrituras Sagradas em Romanos 1.16, outra passagem em Hebreus 4.12 diz- que “A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. Essa ação de tocar profundamente o interior humano é um fator que conduz a fé cristã crescer imensamente em todo o mundo, embora seja paradoxalmente a mais perseguida. A igreja nasceu sob tensão, teve em Cristo - seu alicerce - o primeiro a sofrer, todavia é essa aflição que justifica o avivamento da igreja, pois a morte de Cristo não é simplesmente a doação de um mártir em defesa de uma causa; é a morte de Cristo que garante vida, e vida em abundância.

Os valores judaico-cristãos fortaleceram sociedades e asseguraram direitos aos indivíduos, desenvolvimento científico e filosófico, além de disseminar a preocupação e o cuidado com o próximo, os mais carentes e necessitados, atualmente nomeado Direitos Humanos – cada tópico elencado nessa passagem desenvolve-se tão amplamente que por hora não será possível discutir. A certeza é de que o evangelho transformou a civilização humana e atribuiu-lhe valores indispensáveis.

Essas mudanças sociais que o cristianismo promoveu não passaram despercebidas; ao longo da história galgou, além de adeptos, muitos opositores. Foram e são nações, políticos, regimes, ideologias, outras religiões, etc., que se opõem duramente aos princípios ensinados por Jesus Cristo. Dentre os inimigos que predominam até os dias atuais encontra-se o marxismo e o Islamismo, não obstante, é justamente em países comunistas/socialistas ou Islâmicos onde a maioria dos mais de 100 mil cristãos são mortos todos os anos por professarem a sua fé e onde os 215 milhões vivem sob intensa perseguição. Em outros países ditos democráticos, mas simpatizantes das ideologias marxistas, a perseguição é velada e inclui a exclusão social de defensores das ideias contraditórias ao regime político e econômico criado por Karl Marx (filho de judeus convertidos ao cristianismo, contudo Marx apostatou de sua fé) e Friedrich Engels.

O Marxismo atual dista até certo ponto do idealizado por Marx, ele precisou adaptar-se a cada momento histórico para conseguir (re)existir. No ocidente as teses esdrúxulas do comunismo não foram prontamente aceitas e careceu moldar-se, assim, ganhou um caráter humanitário, comprometido com os mais pobres, os menos favorecidos, um pensar no próximo como a si mesmo, e por esses motivos, que são na realidade meras falácias, muitos religiosos trataram de amoldá-lo, como se fora possível misturar água e óleo. O marxismo moldar-se-á quando necessário, o que importa é alcançar seus escopos, mas o cristianismo é imutável, seus valores são eternos, não se submete às maldades humanas, mas serve para a salvação do homem.

A linguística, a História, a Geografia, a Pedagogia, a Psicologia, o Direito, enfim, o marxismo ganhou defensores nas mais diversas áreas do conhecimento, e seguindo a cartilha do Italiano Antônio Gramsci, preocupou-se em transformar o imaginário da sociedade com intuito de alçar a hegemonia social. Lenin, ditador russo marxista, pregava uma revolução armada, Gramsci a cultural. A primeira em maioria rejeitada, mas a segunda até nossos dias está repleta de apoiadores dispostos a cumprir toda a cartilha revolucionária. Olavo de Carvalho em “A nova era e a revolução cultural” diz que “a revolução gramsciana está para a revolução leninista, assim como o a sedução está para o estupro”, Gramsci vestiu de beleza o horror comunista.

O Darwinismo, o Materialismo, o Desconstrucionismo, o ateísmo, todos estão atrelados ao marxismo, logo, jamais poderia este ser associado ao cristianismo. Dentre as frases mais populares de Marx encontra-se a que “A religião é o ópio do povo”, destarte, quando o comunismo liga-se ao cristianismo é puro interesse em barganhar mais defensores. Lembre-se que para seus idealizadores os fins, por mais imundos que sejam, justificam os meios, não é a toa que aqui mesmo no Brasil já se vê comunista a promover “Encontro de Evangélicos e Evangélicas” para discutir o fenômeno religioso e as consequências políticas na sociedade brasileira. O marxismo está se redesenhando, pois percebeu que depende desse povo que professa a fé no Evangelho de Cristo.

O marxismo cultural percorreu vários caminhos e até chegou à teologia e promoveu o que hoje se entende por Teologia da Missão Integral e Teologia da Libertação, dentre os adeptos Ariovaldo Ramos e Leonardo Boff, protestante e católico, respectivamente. O que ambos desconsideram é o fundamento dessas teses. Marx, ao analisar a sociedade capitalista da época a dividiu em infraestrutura e superestrutura, na qual a estrutura é base econômica da sociedade, ou seja, onde se dá as relações de trabalho, já a superestrutura corresponde ao Estado, Religião, Artes, meios de comunicação, etc., para o teórico insano, a superestrutura seria definida, moldada pela estrutura; contudo, Gramsci dirá exatamente o inverso e proporá uma revolução cultural para transformar todo o aspecto econômico da sociedade. É justamente nesse ponto que confrontarão o cristianismo, pois é necessário criar um novo homem, que pense e aja completamente diferente, que não se submeta a preceitos ou valores que não os do comunismo. Esse novo indivíduo comporia uma nova superestrutura, teríamos um novo Estado, preferencialmente sem religião, novos conceitos de artes, outros meios de fazer comunicação e por fim uma ampla mudança na estrutura: na economia, ou seja, ter-se-ia o comunismo.

Não é difícil perceber a predominância das ideias de lutas de classe em nossa sociedade embora predominantemente cristã. Grupos são postos uns contra os outros, pois assim ficará mais fácil tomar a sociedade, quebrar a superestrutura e por consequência adotar uma nova forma de fazer economia, ou seja, uma nova estrutura social. Segregaram-nos em classes, como se por distinções fossemos obrigados a sermos antagônicos, inimigos: homens x mulheres, negros x brancos, heterossexuais x homossexuais, sulistas x nordestinos, ricos x pobres, patrão x empregador, etc., etc., etc.

Na linguística o marxismo enraizou o chamado preconceito linguístico, no qual se criou a teoria de que os alfabetizados da elite burguesa e opressora visam destruir a população com baixa escolaridade, humilhá-la por seus equívocos na linguagem (e acusam os direitistas de gostarem de teorias da conspiração), logo, logo, não possuímos mais certo ou errado, tudo o que é dito deve ser considerado correto (a exceção é se for dito por um ministro conservador, nesse caso os regionalismos são intoleráveis), o fim é uma imensa agressão à Língua Portuguesa.

O interessante é que os marxistas concederam um ar de intelectualidade as maiores bizarrices como, por exemplo, dissociar sexo de gênero, não é o fato de possuir genitália feminina que assegura o seu gênero, isso não tornar ninguém mulher; ainda que se nasça com útero e que menstrue todo mês, você não será uma mulher, a menos que decida ser uma mulher, mas caso opte, você poderá simplesmente dizer que é um homem preso a um útero, ou quem sabe um belo dia você acordará com desejo de ser um dragão, um unicórnio, etc. o mesmo equivale ao sexo masculino, homens devem ficar à vontade para abdicar de seu papel viril. Essas teorias insanas dizem que as preferências sexuais são construções sociais, mas desde que sua escolha seja pela heterossexualidade, caso opte por algum outro conceito de identidade de gênero (o que prefiro nomear ideologia de gênero) a apreciação será distinta e até poderão dizer que foi assim que nasceram. Transloucados por abalar a superestrutura, essas insanidades têm conquistado espaço nas universidades e sido discutidas no meio acadêmico como se fosse algo verdadeiro, inquestionável e irrefutável; sugiro que não ouse criticá-los, caso contrário você, querido leitor, será taxado de louco, opressor, LGBTfóbico fundamentalista, racista, fascista, taxista, kombista, atacadista.

A ideologia de gênero e as concepções do feminismo (movimento usurpado pelos marxistas) danificaram a língua, além do preconceito linguístico há uma nova corrente nomeada Linguística Queer, que visa propagar as teorias nefastas de Judith Butler. Tomaram todos os espaços possíveis e na língua geraram termos escrotos como o uso do X para substituir morfemas de gênero, exemplo: “meninx” e há até grupos nomeados “evangélicx”, contudo dentre as maiores bizarrices que vi há os termos utilizados pelo grupo de cinco mulheres que compõe o primeiro mandado coletivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco, as deputadas ligadas ao PSOL se auto intitulam “membras da mandata”, em substituição aos termos membro e mandato, ambos substantivos sobrecomum, e alegam que essa é uma forma de luta contra o machismo e o patriarcalismo opressor.  Esse mau uso atesta a inserção das teses de esquerda na língua, na teologia, na política, no âmbito jurídico etc. É insuportável assistir a uma palestra que inconvenientemente o orador demonstra todo o seu desconhecimento na área da linguística histórica e inicia seu discurso cumprimentando a “todos e todas” por puro modismo.


Billy Graham
O Comunismo não possui acordo com a verdade, com o justo, com o correto, sequer afirmar haver algo verdadeiro, relativizam tudo, todas as ciências. Cria problemas meramente para surgir como solução, mas como afirma Billy Graham, um dos maiores pregadores do evangelho, “o mal da humanidade não são os problemas sociais como defende Karl Marx, mas o problema está em seu interior, seu nome é PECADO”, isso é o cristianismo que diz.


Os seguidores do Filho de Deus possuem valores específicos, os quais andam na contramão do mundo. O verdadeiro cristão submete toda sua conduta e escolhas à vontade de Deus. Ser cristão não é de modo simplista crer na existência de um criador e em Jesus como filho de Deus, é a integralidade em si dispor a Deus, de igual modo que Ele doou-se por amor à humanidade. É imitar a Cristo.  A igreja, não pode se envergonhar do Evangelho de Cristo, não deve ceder às concupiscências da carne e aos valores humanos advindos de filosofias que distam da lógica, da ciência e, sobretudo, dos princípios de Deus. O verdadeiro “empoderamento” dar-se na fraqueza, no negar-se e doar-se completamente ao Único que vive e reina para todo o sempre. Chamem-nos de quadrados, de burros, insanos, mas não negociemos nossos princípios. Tenhamos fé - o firme fundamento das coisas que não se veem, mas se espera - esperemos o retorno de nosso Deus para reestabelecer o seu Reino, o único justo e que durará para sempre.

As indicações de livro para hoje são Marxismo Desmascarado de Ludwig Von Mises e Não Senhor Comuna, Volumes I e II, de Evandro Sinotti. Que Deus vos abençoe.


                               

Amanda Rocha é professora. Escreve em ConTexto nas quintas-feiras

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