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Regime Militar e Movimentos Sociais, quem é o mocinho e quem é o vilão? - por Amanda Rocha

Desde a década de 70 o Brasil tem-se acrescido em números de movimentos sociais e sindicatos, suas origens datam em anos anteriores, mas sua efervescência dá-se no período de Regime Militar. Eivados da necessidade de luta de classes, esses movimentos disseminam que nasceram para combater o regime ditatorial vigente nas décadas de 60 e 70 no país, mas disfarçam o cerne de suas bases ideológicas, cuja finalidade é a imposição da ditadura do proletariado. Nascida na mente insana e nefasta de Karl Marx, essas utópicas soluções para o fim das desigualdades sociais e econômicas concretizaram-se em diversos países, e por onde passaram promoveram unicamente a igualdade da miséria. Dentre as tantas falácias que divulgam, mentem sobre a ordem dos fatos, uma vez que os movimentos não surgiram com o intuito de lutar pela democracia e findar o Regime Militar, há nessa afirmativa uma completa inversão, visto que o Regime Militar foi conclamado pela população e aprovado pelo Congresso, nessa época, a população vivia amedrontada com a possibilidade de o Brasil volver-se numa nova Cuba.




A população e os seus representantes estavam diante de um perigo eminente: o socialismo, e se ainda hoje restasse-nos unicamente o Regime Militar ou uma Ditadura do proletariado, eu torceria pelo primeiro, o que não implica em concordar cegamente com todos os atos praticados pelos militares, trata-se meramente de escolher um período de reorganização dos poderes ou tornar-se um eterno escravo de oradores escrotos que enriquecem a custa do trabalho da população.

Dentre os muitos movimentos sociais que alçaram grande destaque no país está a União Brasileira dos Estudantes - UNE que, entre os tantos movimentos (des)organizados no país serve exclusivamente para a difusão das ideologias marxistas e como mecanismo de corrupção; ela manteve-se calada como um animal amedrontado quando ainda no ano de 2015 e sob o rótulo de “Brasil, Pátria Educadora” a ex-presidente Dilma Rousseff cortou do orçamento do Ministério da Educação cerca de 15 bilhões de reais. De igual modo, jamais se viu a instituição criticar a queda ano após ano do país no ranking internacional da educação, a saber, a avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos - PISA. Os congressos nacionais da UNE e os da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES é na prática um ambiente protegido e financiado pelo Estado apto ao consumo de drogas ilícitas, prática de sexo grupal e discussões sobre a legalização da maconha, do aborto, da quebra dos valores judaico-cristãos e como continuar a transformação social com fim na revolução comunista, tudo isso é um desserviço à sociedade além de custar-lhe muito alto, uma vez que os impostos dos contribuintes transformaram-se em doações às Uniões.

Calar-se diante dos problemas que envolvem a educação não é privilégio unicamente das Uniões de Estudantes, por décadas os sindicatos dos professores hibernaram e foram incapazes de tecer críticas às políticas governamentais. Embora nos anos iniciais de gestão petista tenha ocorrido a ampliação das cifras destinadas à pauta não as aplicaram adequadamente, testifica-se tal afirmativa simplesmente ao contemplar os frutos da educação. Se investir puramente de forma desorganizada produzisse benefícios o país não teria elevado concomitantemente os índices de violência, e ainda não façamos, por hora, referência aos indícios de corrupção que macularam os governos e culminaram em prisões e numa incomensurável crise política e moral que afoga o Brasil. Destaque-se que tudo isso ocorreu sem que uma única nota de pesar dos sindicatos fosse produzida.


Ademais, as péssimas condições de trabalho que a maioria dos docentes são submetidos apresentam-se meramente como reclamações e não conseguem sequer migrar das salas de professores e galgarem espaço nas pautas de reivindicações. A ausência de recursos desmotiva muitos profissionais e os números de casos de violência dentro das salas de aula amedrontam e inibem o fazer pedagógico significativo. Os sindicatos da categoria cerraram os olhos diante de todo o desmonte que a educação sofreu e ainda acataram facilmente os desvios de função que impuseram ao profissional da educação, vestindo-o de educador e obrigando-o a exercer o papel de psicólogo, policial, pai, mãe, entre outros. Transferiram ao professor obrigações que este não poderá e nem deve exercer. Coube ao professor sozinho transformar a sociedade.

Por infelicidade é justamente nessa categoria que vislumbramos o pleno exercício dos paradoxos, uma vez que é possível contemplar estes profissionais reclamarem da violência que sofrem, mas fazerem oposição à redução da maioridade penal; criticam os baixíssimos índices da educação, mas resistem às mudanças didáticas e das metodologias pedagógicas predominantes, as quais são repletas de concepções das teorias revolucionárias marxistas.

Gramsci
Ainda nos anos 70, os “combatentes revolucionários”, em outra e melhor palavra, os terroristas perceberam que não venceriam tão facilmente e modificaram suas estratégias. Enquanto os militares, despreocupados com os aspectos culturais e sociais ocupavam-se em impor ordem e progresso, revelando apenas seu caráter positivista, os militantes de esquerda, agora endossados pelos estudos do italiano Antônio Gramsci, mudavam suas estratégias, deixaram os quartéis e tomaram às universidades. Assim, surge uma excelente massa de manobra com sabor de intelectualidade; um exército defensor do marxismo, uma vez que este se revestiu de falsos cuidados com os menos favorecidos, plano para alcançar a simpatia da população. A partir de então os professores concluíam os cursos de formação e ingressavam nas escolas conduzindo o país a um estado de pensamento único, todos em favor de uma única forma de ser, pensar e agir, todos defensores de uma mesma economia, mesma política. Não é à toa que após regime militar apenas em 2018 o Brasil elegeu pela primeira vez um grupo político com pensamento divergente do marxismo. Sinto necessário frisar que esse predomínio ideológico não coube apenas aos professores, mas estes possuíram papel fundante.

Os movimentos ligados à educação foram imprescindíveis para a mudança da mente dos brasileiros, porém há outros contribuintes tão paradoxais quanto os professores, a exemplo o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, defensores dos líderes de esquerda permanecem na luta para a conquista da Reforma Agrária mesmo após anos de governo popular, para não chamá-los de populistas. O mesmo advém ao MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

As centrais sindicais vedaram os lábios mesmo com o agravo do desemprego. No ano de 2015 o Brasil já amontoava mais de 13 milhões de desempregados e não conseguia maquiar o colapso financeiro no qual estava submerso, daí a frente os percalços ampliaram e as causas foram expostas com a ajuda da Operação Lava Jato.

Não obstante, diversos movimentos, tais como o de negros, LGBT e feministas serviram e servem de tentáculos à revolução cultural marxista, no entanto, o intrigante é que por onde o socialismo fora implantado justamente esses grupos são perseguidos e têm seus direitos tolhidos.

O histórico do período no qual os militares governaram o país é ainda controverso, os discursos que predominaram anos após é de terror e temor, contudo pouquíssimo se fala sobre o que de fato acontecia. Não se pode negar que o Ato Institucional número 5, que permitiu a cassação de alguns mandatos legislativos e até o fechamento do Congresso Nacional é sem dúvida um marco que nenhum de nós brasileiros gostaria de reprisar, alguns não exclusivamente pelo ato em si, mas por suas razões de ser.

Durante o período democrático foi instituída a Comissão da Verdade com a intenção de analisar os documentos desses governos militares, liderados pelos grupos de esquerda que se posicionavam opostos aos militares, a Comissão chegou ao saldo criminoso do regime militar: 434 mortos e desaparecidos, no período de 21 anos. Não quero desmerecer o valor de uma vida, tão pouco banalizar a violência, mas se compararmos com o último informe da violência no Brasil sob a democracia os números são estarrecedores: mais de 62 mil mortos em um único ano.

Dilma presa no regime militar
A maioria dos assassinados durante o regime eram terroristas armados que impunham a desordem com o intuito de alçarem o poder, fato que anos após conquistarão. José Dirceu, José Genoíno e a própria ex-presidente Dilma Rousseff fizeram parte de grupos terroristas. Genoíno, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, ex-deputado federal pelo estado de São Paulo, ainda chegou a liderar a CCJ – Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, ele é um dos sobreviventes da Guerrilha do Araguaia. Enquanto deputado foi julgado e condenado por envolvimento no Mensalão, pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. No ano de 2014 José Genoíno teve extinguida a sua pena embasada no decreto presidencial de sua companheira Dilma, no qual era previsto o perdão a todos os condenados do país que estivessem cumprindo pena em regime aberto ou em prisão domiciliar e aos quais faltassem menos de 8 anos para o cumprimento da pena, Genoíno,  não coincidentemente encaixava-se perfeitamente aos termos do decreto.

A própria ex-presidente, que na época cumpriu 3 anos de prisão, era líder de grupos armados como o VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) e o COLINA (Comando de Libertação Nacional). Esses grupos são os principais suspeitos pela morte de alguns que compõem os dados apresentados pela CV, entre eles:

– 26/06/68 – Mário Kozel Filho – Soldado do Exército – SP
– 27/06/68 – Noel de Oliveira Ramos – civil – RJ
– 12/10/68 – Charles Rodney Chandler – Cap. do Exército dos Estados Unidos – SP
– 07/11/68 – Estanislau Ignácio Correia – Civil – SP
– 09/05/69 – Orlando Pinto da Silva – Guarda Civil – SP
– 10/11/70 – Garibaldo de Queiroz – Soldado PM – SP
– 10/12/70 – Hélio de Carvalho Araújo – Agente da Polícia Federal – RJ
– 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ
– 11/07/69 – Cidelino Palmeiras do Nascimento – Motorista de táxi – RJ
– 24/07/69 – Aparecido dos Santos Oliveira – Soldado PM – SP
– 22/10/71 – José do Amaral – Sub-oficial da reserva da Marinha – RJ
– 05/02/72 – David A. Cuthberg – Marinheiro inglês – Rio de Janeiro
– 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ
– 29/01/69 – José Antunes Ferreira – guarda civil-BH/MG
– 01/07/68 – Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen – major do Exército Alemão – RJ
– 25/10/68 – Wenceslau Ramalho Leite – civil – RJ

É mais nítido que a alva que os grupos que atuaram oposto aos militares durante as décadas de 60 e 70 não são apaixonados pela democracia, unicamente envolvem-se nesse discurso com o intuito de ludibriar a população e não perderam a oportunidade, quando ascenderam ao poder, de explorar a população e conduzir a sociedade ao caos.

O brasileiro segue envolto em antíteses e paradoxos, defendendo sua fé e leis que objetivam inibi-las; clamando a Deus por justiça e elegendo corruptos; chorando por seus mortos vitimados pela violência e afirmando ser o bandido vítima da sociedade; bradando por mais estado e reclamando da cobrança dos altíssimos impostos e dos péssimos serviços ofertados; desejando liberdade e votando em socialistas; criticando ditaduras, mas ovacionando nomes como os de Fidel Castro e Hugo Chaves; Conclamando o respeito e a tolerância enquanto veste uma camisa do Che Guevara; repudiando a menção ao 31 de março de 1964, mas festejando o centenário da Revolução Russa (mais de 100 milhões mortos). Há uma máxima muito replicada dentre os intitulados progressistas que diz “Os fins justificam os meios”, se preferem aplicá-la, digo-vos que os excessos e abusos praticados pelos militares estariam justificados, pois essas ações culminaram na vigência da atual democracia. Ao elencarmos os vilões, diremos certamente que são aqueles que estavam determinados a implantar o comunismo no Brasil, mas eis que alguns bravos homens determinados a protegerem a nação os impediram.

Os exemplos das contradições são inúmeros e parece-nos que constituirão nossa sociedade por muito tempo, a transformação não será veloz e indolor, seu início dar-se-á pelas bases, sobretudo em compreender qual a função e as distinções entre a educação formal e familiar. Torçamos para que o Ministério da Educação consiga entender-se internamente, despojar-se do viés ideológico passado e utilizar a educação para finalmente cumprir seu papel transformador da nação.

Fugindo um pouco à regra, a indicação hoje é o documentário “1964: o Brasil entre armas e Livros” produzido pelo Brasil Paralelo cuja pré-estreia ocorrerá no dia 31 de março nos cinemas. Deus vos abençoe.


Amanda Rocha é professora. Escreve em ConTexto às quintas-feiras.



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