Pular para o conteúdo principal

Qual sua prioridade? – por Estêvão Soares


Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6.33

A Revista VocêRH de fevereiro/março de 2019 apresenta na sua capa um título que me chamou muito atenção, “causa mortis: trabalho”. Talvez esse assunto não seja novidade para alguns, mas cada diz mais o brasileiro parece ser desafiado por essa causa. Veja que a pesquisa realizada em 2015 pela Isma Brasil (International Stress Management Association) constatou que 72% das pessoas estavam insatisfeitas com o trabalho, sendo geralmente a insatisfação resultado da falta de reconhecimento, excesso de tarefas e problemas de relacionamento.




A pós-modernidade têm um papel muito grande no que tange ao comportamento do trabalhador, especialmente da meninada que está começando agora. Sabe, essa nova geração cresceu em uma época de inversão de papéis, inversão de valores, quebra de paradigmas e busca pela autossatisfação acima de tudo.

Lógico que identificamos também lampejos de clareza ou vocação para servir, mas sem querer generalizar vivemos um mundo onde cada ser humano tem travado diariamente uma luta por si, por sua sobrevivência, por sua felicidade, por suas realizações. A questão é que nessa luta diária em ser vencedor o homem tem invertido os papéis, e administrado mal sua vida quanto as suas prioridades.

O texto sagrado nas palavras de Jesus apresentadas pelo evangelista Mateus deixa bem claro que há uma ordem nas coisas, como diz meu amigo Jenérson Alves, “antes que houvesse luz, houve cruz”, antes do trabalho, antes do “eu”, antes da igreja, antes da família, antes de tudo, está a essência de tudo, o criador de todas as coisas, está o princípio e fim, está Deus El-Shaday. Assim, nossa vida não pode ser dissociada da fé no trabalho. Nossas práticas não podem ser santas ou profanas. Nosso evangelho não pode ser aprisionado nas paredes de uma construção.

O grande desafio nosso é entender assim como Maria que só uma coisa é essencial, que só uma pessoa deve ocupar o primeiro lugar em nossa vida (cf. LC 10 38-42). Não há espaço para idolatria das coisas ou do “eu”, existe uma ordem apresentada por Jesus, existe uma ordem de prioridades, senão, alguma coisa vai dá errado.  

Vejamos, apresentei o título da VocêRH no início deste texto como amostra do que a inversão de prioridades pode causar na vida do ser humano, vejamos as causas da infelicidade no trabalho apresentada pela Pesquisa da Isma, as pessoas tem desenvolvido ao longo de suas vidas doenças físicas e emocionais que são resultado da falta de reconhecimento, excesso de trabalho e problemas de relacionamento.

Sabe o que isso nos mostra, nossa fé não pode estar longe da nossa escrivaninha, do nosso laptop, ou da nossa vassoura. Nossa fé não pode ser abandonada e trocada pelo reconhecimento humano, pela satisfação, pelo elogio, ou pelo simples aumento de salário. Não podemos esquecer que Deus nos conhece desde o ventre de nossa mãe. Não podemos esquecer o futuro maravilhoso que Deus tem preparado para nós.

Na verdade, o trabalho tem sido a causa mortis de muita gente porque ele tem ocupado um lugar nas prioridades do homem pós-moderno que não é d’Ele. Avalie suas prioridades, qual o lugar de Deus, da sua família, da igreja, do trabalho e do seu “eu” na sua lista. Não se surpreenda com o seu trabalho tentando lhe assassinar, Jesus prometeu vida verdadeira e abundante, apenas, coloque cada sua lista de prioridades de acordo com o desejo do seu Pai.




Estêvão Soares é bacharel em Administração de Empresas. Escreve em ConTexto aos sábados

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A intolerância dos tolerantes e os confetes carnavalescos - por Amanda Rocha

A quarta-feira passou, mas as cinzas do carnaval deixaram um imensurável prejuízo, não apenas econômico graças aos diversos dias de inatividade industrial e comercial, não somente pelas grandes cifras de dinheiro público usado para distrair a população embalada por ritmos dançantes e letras chicletes ou pornográficas, enquanto hospitais e escolas funcionam em deploráveis condições. Contudo, diria mais, não unicamente pelo elevado índice de acidentes e mortes nas péssimas estradas. Pensando bem, qual o intuito em citar o elevado número de contágio de doenças sexualmente transmissíveis em relações desprotegidas durante esse período? De igual modo não se faz necessário referenciar a elevada despesa que o Sistema Único de Saúde terá por consequência do carnaval; tão pouco se faz cogente contabilizar o número de criminalidade que se eleva nesse período – assaltos, homicídios, latrocínios, tráfico; os casos de divórcios, de gravidez indesejada - que em parte culminará em abortos realizados …

Regime Militar e Movimentos Sociais, quem é o mocinho e quem é o vilão? - por Amanda Rocha

Desde a década de 70 o Brasil tem-se acrescido em números de movimentos sociais e sindicatos, suas origens datam em anos anteriores, mas sua efervescência dá-se no período de Regime Militar. Eivados da necessidade de luta de classes, esses movimentos disseminam que nasceram para combater o regime ditatorial vigente nas décadas de 60 e 70 no país, mas disfarçam o cerne de suas bases ideológicas, cuja finalidade é a imposição da ditadura do proletariado. Nascida na mente insana e nefasta de Karl Marx, essas utópicas soluções para o fim das desigualdades sociais e econômicas concretizaram-se em diversos países, e por onde passaram promoveram unicamente a igualdade da miséria. Dentre as tantas falácias que divulgam, mentem sobre a ordem dos fatos, uma vez que os movimentos não surgiram com o intuito de lutar pela democracia e findar o Regime Militar, há nessa afirmativa uma completa inversão, visto que o Regime Militar foi conclamado pela população e aprovado pelo Congresso, nessa época, …

Se o sol não brilhar, aproveite a sombra do dia nublado - por Davi Geffson

Já percebeu o quanto costumamos a reclamar? Se faz sol a gente reclama, se chove reclamamos do mesmo modo, na verdade, somos serescom anseios e desejos, mas precisamos entender que nada gira em torno de nós. É um conjunto, são vários humanos com os seus devaneios de “ser”. Achar que tudo gira em torno de nós, e por isso, deve ser do nosso jeito, é o mesmo que caminhar em uma esteira, você perderá peso, irá suar, vai se cansar, entretanto, continuará no mesmo lugar.


Tudo pode ser mais simples se ao invés de reclamarmos, impulsionarmos o sentido do “procure o que há de melhor”, em tudo iremos encontrar o lado positivo e o negativo, se assim não fosse, que chato seria. Não queremos nem muito, nem pouco, queremos balanceado, com equilíbrio, isso é o que mescla a nossa vida. Uma comida com muito sal é péssima, com pouco também, agora quando se coloca a quantidade ideal, huuuum, que delícia. Assim é a vida, nem tanto, nem pouco, mas o suficiente.
Diariamente, Deus nos concede o dia que nos fa…