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Hoje tem poesia? Tem sim senhor! – por Amanda Rocha

A origem da poesia confunde-se ao próprio desenvolvimento da linguagem verbal, não se sabe ao certo quando ela surgiu, seu conceito também é plural, mas o consenso reside em destacar sua beleza, expressividade e importância. Dentre as mais belas e sofisticadas artes, está a poesia com seus encantos, embriagando de fascínio os bem-aventurados que a leem. 


Poética

Julgam-te lâmina dura;
Proclamas a dor,
Feres a alma?
Corroboras a imaginação.
Leva-nos ao infinito

Teu nome é poesia:
União de palavras
Na busca da beleza

És como uma vara de condão
mutando todas as indecorosas
palavras em luz; lumiando
a mais obscura candela

Buscando sempre a graça,
Sem negar-se a beleza,
Que por diversas vezes
É posição à verdade
És reflexo do pensamento
Transmitindo alegria ou tormento

Da função poética ao uso da metalinguagem, ocorrida na poesia acima, essa arte é espaço para declarar o amor que não ama:

O fascínio em olhar

Cativas meu olhar
Não ouso desviá-lo
A cobiça não me domina
Possuir-te? Não!
Admirar-te.
Mirar tua beleza sem tocar-te

Tomar-me por tão doce encanto
Entregar-me ao nobre sentimento
Ofertar-me à criatividade
Compor belas canções
Num sonho infinito
Repleto de imaginação

Distante te quedas
Assim digo-te que fiques
Pois no aproximar ou no tocar
Todo o encanto se esvai
Logo, outra beleza hei de olhar.


Dos desencantos ao mais puro e nobre amor, não importa se clichê, o que vale é amar sem porquês:

Entrega

Encanto e formosura
Força aguerrida e candura
Proteção, afago, provisão
Teus braços meu universo
Teus beijos, meu desejo
Teus sonhos, meu anseio
Tua falta, meu desalento
Preencha essa ausência
Mate a dor de meu peito
Alegre-me com teus sorrisos
Sufoque-me o contentamento
Tolha as desventuras
Sacie-me de loucuras
Reinvente uma nova canção
Cante-a aos meus ouvidos
Sussurre toda a paixão
Olhe-me nos olhos
Atente à minha declaração
Nomear já não posso
Devoção não expressa
Com tanta exatidão
Por certo é a felicidade
Que tomou nosso coração

A relação espiritual entre o homem e seu criador também encontrou nessa arte espaço para expor:

Enche-me de Ti

Sou um ser vazio
Minha essência ficou no Edem
Desde então me preenchem
A vergonha e a dor

Uma carência há:
Tornar-me repleto
Do interior
que meu pecado usurpou.
Embora caído e desprezado
Tua graça alcançou-me
Resgata-me da perdição

Não há como expressar
Toda a gratidão
A cada dia resta-me
Confiar em teu perdão
Enquanto clamo, aguardo redenção

Não há impedimentos para a poesia; dor, alegria, amor, ódio, tudo deixa de ser o que é, e passa a ser aquilo que o arquiteto das letras o queria tornar. A arte do sentir, do expressar, simplesmente a pura e boa poesia. Que Deus vos abençoe.



Nesta semana farte-se com a leitura de Para Viver com Poesia, de Mário Quintana ou À Cidade de Mailson Furtado Viana. 



Amanda Rocha é professora. Escreve em ConTexto às quintas.

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