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A masculinidade roubada - por Alberto Mansueti

Faz mais de 25 anos, um quarto de século, que o mundo viu a queda do Muro de Berlim, e em seguida o colapso do império soviético. Os desorientados decretaram “o fim do socialismo”; porém, não foi assim.
Em “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, publicado em 1884, ano seguinte à morte de Marx (1883), Friedrich Engels mostrou aos marxistas que o capitalismo está estritamente ligado à família. Portanto, para destruir o capitalismo, é necessário destruir a família.
O século 20 pode ser chamado de “século do marxismo”: todos os países do mundo, quase sem exceção, foram aplicando todas e cada uma das dez medidas econômicas enumeradas por Marx e Engels no “Programa mínimo” do Manifesto Comunista de 1848, capítulo 2. Assim o capitalismo foi eliminado em muitos países, e em outros foi seriamente mutilado, e tolhido em sua capacidade de gerar riqueza, em especial para os mais pobres.
Primeira consequência: o salário normal de um trabalhador ou empregado não é suficiente para sustentar uma família, e cada lar necessita de pelo menos dois salários para subsistir. Segunda consequência: o trabalho da esposa já não é uma opção livremente escolhida, para realizar-se fora do lar, em seu negócio, ofício, profissão ou atividade lucrativa, mas uma obrigação premente, por causa da escassez material, em razão da aplicação do marxismo clássico ortodoxo à economia.
Em uma economia capitalista, o trabalho fora do lar seria para cada mãe uma opção, não um fado. E ao escolhê-la, tal ingresso permitiria que encontrasse paliativos para sua ausência momentânea de casa, sem conflitos; porém isso é impossível quando tal fato é absolutamente necessário, dada a insuficiência do ingresso apenas do marido em uma economia não capitalista, pouco eficiente e pouco rentável. Assim, são inevitáveis os conflitos domésticos, causando disfunções e rupturas familiares em massa. Gol do marxismo!
Assoberbada com as tarefas de casa que se superpõem às suas obrigações laborais, a mulher do século 20 teve muito pouco tempo para pesquisar e informar-se antes de exercer seu inflamado direito ao sufrágio. De tal sorte que a habilidosa propaganda socialista encontrou no eleitorado feminino um voto quase cativo, presa fácil de argumentos falaciosos, porém altamente emocionais, em prol dos “mais necessitados”, e da imagem do “Estado paternalista”: como pai responsável que vela pelo bem-estar de seus “filhos e filhas”, dando “educação e saúde grátis”, e programas “sociais” financiados com impostos selvagens e inflação apenas disfarçada, que nos empobrece, e uma dívida galopante, que empobrece os nossos filhos.

Thatcher

Exceções à parte, como a senhora Thatcher, cabeça do Partido Conservador inglês, faltou aos líderes da direita má coragem para oporem-se às correntes dominantes, às quais dobraram-se docilmente. Mais gols para o marxismo!
Entre essas correntes “progressistas” estava a “Nova Pedagogia”, imposta desde os anos 1970 pelos socialistas no comando da Educação. A “educação não autoritária” ou “não diretiva”: a qual nos diz que “não se deve ensinar conhecimentos que o aluno pode aprender depois, por conta própria, deve-se ensinar a pensar”.
Porém, como “pensar” no vazio, sem conteúdo, sem conhecimentos a serem expostos, raciocinados e transmitidos? Eis a armadilha: o que fazem é transmitir puros slogans progressistas, de modo emocional e não racional, que são “interiorizados” pelo aluno, sem questionamento algum.

Inger Enkvist

É o que demonstra outra mulher admirável, a pedagoga sueca Inger Enkvist, que pesquisa as causas do fracasso escolar, educativo em geral, e profissional. Foi assim que os socialistas conseguiram outro de seus objetivos no fronte educacional: destruíram a capacidade de pensar. Que golaço do marxismo!

Dorothy Sayers

Décadas antes, em 1947, a escritora britânica Dorothy Sayers, havia descoberto o antídoto para este veneno modernista: o retorno à educação clássica. Porém, como sempre, quase ninguém deu atenção a essa “reacionária”, e as esquerdas prosseguiram tenazmente em seu trabalho destrutivo até os dias de hoje.

María Calvo

Citei três mulheres brilhantes, porém há mais: a professora María Calvo, de Madrid, advogada e psicopedagoga que acaba de descobrir outras falhas desastrosas naquilo que nos disseram ser “progressos”, como a educação mista para crianças e adolescentes de ambos os sexos, juntos nas aulas.
Cubierta_La masculinidad robada_18mm_310811.inddA educação separada por sexos não era uma ideia ruim de “conservadores retrógrados”, como disseram os “educadores” socialistas nos anos 1980 e 90, que nos decretaram o ensino misto, não como opção a escolher, mas como força de lei, como todas as “soluções” dos marxistas.
Em seus livros, como La masculinidade robada (2011), Calvo explica, por exemplo, os efeitos de negar as óbvias e naturais diferenças entre meninos e meninas: a menina é mais tranquila, e por isso as professoras a põem como modelo de comportamento a ser imitado. A educação mista deu o tiro de misericórdia na família, ao feminilizar o homem, novo “sexo frágil”, ou colocá-lo em uma tremenda crise de identidade. Leiam María Calvo!
Há três coisas nessas quatro mulheres que faltam em muitos homens: (1) boa informação sobre os fatos, e sobre as teorias ruins e suas consequências nefastas; (2) inteligência cultivada para processar corretamente tal informação; (3) coragem para defender as conclusões que surgem desse processamento intelectual, que vão bater de frente com as correntes dominantes do feminismo, o “progressismo” e o “politicamente correto”, estimulados pelas esquerdas de todas as cores e matizes.
A civilização está em perigo, e não se pode fazer política liberal sem tratar destes temas culturais.

Alberto Mansueti é advogado e cientista político.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho


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