Pular para o conteúdo principal

A identidade de Jesus, o Cristo - por Amanda Rocha

Quem foi Jesus? O homem que transformou e dividiu a história, um profeta, um rabino, um filósofo, o Filho de Deus, Deus? Muitos estudiosos se debruçaram em pesquisas que investigaram a identidade desse Jesus, o qual é reconhecido como Rei dos Judeus, Filho de Deus, Salvador do mundo, Ele é Deus. Todavia, vivemos num mundo cuja égide filosófica é antropocêntrica, assim, ser racional e intelectual é negar a identidade divina de Jesus, o Cristo; é negar a existência de um Deus criador; é crer que surgimos de uma única molécula, a qual explodiu, evoluiu, formou e transformou tudo que nossos olhos são capazes de contemplar.

Que Jesus foi homem e habitou entre nós não há dúvida; nenhuma literatura alcançaria a dimensão de forjar a imaginação de toda uma população, de múltiplos povos, de várias épocas e dos mais diversificados profissionais das inúmeras áreas que relatam e testificam que um homem chamado Jesus foi o responsável por mudanças num grande império: o Romano, e a partir dele a história da humanidade foi transformada. Ele existiu, foi um homem, mas que homem é este que é seguido e adorado mesmo tantos anos após sua morte (e ressurreição), o que havia de especial neste Jesus? A Bíblia, livro sagrado considerado a Palavra de Deus, faz relatos sobre a missão de Jesus: reestabelecer a união entre Deus e o homem. O homem afastado da presença de Deus em decorrência do pecado agora tinha a esperança de um resgate, um "recosturamento” do laço que fora rasgado, Ele fora prometido, aleluia, glórias a Deus, o nascimento de Jesus reavivou a esperança da reconciliação.

Crer na existência de Jesus requer leituras de livros históricos, mas compreender o lado divino de Jesus exige fé e experiência pessoal. A lógica humana conduz-nos a refletir que Jesus era um homem especial, a fé nos fará crer que esse aspecto incomum, esse diferencial é revelador de sua identidade divina.

Desde os profetas, ainda no Antigo Testamento havia a promessa de um Cristo. Os livros do Novo Testamento iniciam relatando sobre o nascimento de Jesus. Maria, uma jovem noiva e virgem recebe a visita de um anjo que lhe anuncia a graça de conceber, dá a luz e cuidar da criança que era o seu próprio Salvador. José, homem bom, duvida, e quem não duvidaria da concepção espiritual do bebê gerado no ventre de sua noiva, mais uma vez um anjo surge, agora em sonho, e confirma o plano que Deus tinha escrito para sua família - sim Jesus nasceu numa família: um homem, uma mulher e seus filhos, o que passa disso são “arranjos” e não excluam o ar pejorativo que esta palavra carrega em si: algo deveria ser de um modo, mas fez-se um “arranjo”, outra maneira para ser; isso revela as falhas, os improvisos, algo que esconde um problema, defeitos. Com a revelação José creu, a partir de então as passagens bíblicas estão recheadas de confirmação de que Jesus era o Cristo de Deus.

Ao nascer Jesus fora visitado por pastores que receberam de Deus a revelação sobre o nascimento de um menino que estaria envolto em panos e deitado numa manjedoura, creio que não seja comum dar a luz em estrebarias e pôr um recém-nascido numa manjedoura para repousar. No momento da revelação e durante o nascimento um exército celestial cantava “glórias a Deus nas alturas e paz na terra aos homens a quem Ele quer bem”. O nascimento de uma criança é algo festejado, e com Jesus não seria diferente, festa nos céus e na terra. 25 de dezembro provavelmente não é a data exata do nascimento de Jesus, mas o que importa é comemorar que o verbo se fez carne para salvar e resgatar o homem do pecado.

Em todo o mundo o Natal transforma os sentimentos, põe nos indivíduos uma alegria, um doar-se para o bem do outro, foi isso que Jesus fez, Deus fez, doou-se a si mesmo, por amor, para o nosso bem, não troque o “Feliz Natal” pelo simples “Boas festas”, felicidades pelo Natal em todos os dias de nossas vidas.

Desde o pronunciamento, advindo o próprio nascimento, até chegar à cruz, a Bíblia confirma o caráter divino de Jesus. A exemplo: Simão, um homem descrito como piedoso a quem Deus prometera não morrer até ver o Cristo, reconheceu e testificou sobre a identidade de Jesus quando este fora consagrado no Templo, o mesmo fez Ana, profetiza da época. Durante o batismo o céu se abriu, o Espírito de Deus desceu em forma corpórea de pomba e uma voz bradou "este é meu Filho amado, em quem me agrado”. O Pai, o Filho e o Espírito juntos outra vez, de igual maneira fora no ato da criação.

Após o batismo Cristo foi conduzido ao deserto para orar e jejuar por 40 dias, foi tentado pelo diabo que o questionou sobre sua divindade, Jesus não cedeu à tentação e ao término dos dias foi servido por anjos e Deus mais uma vez brada dos céus “esse é meu Filho amado de quem me agrado” outra passagem que corrobora a identidade divina de Jesus está descrita no momento da transfiguração, quando envoltos pela nuvem, uma voz brada “Este é o meu Filho, o Escolhido; ouçam a ele!". Chorar, sentir fome, dor, medo, saudades, tristeza, morrer, tudo isso fez parte na natureza humana de Jesus, mas curar, multiplicar comida, andar sobre as águas, acalmar tempestade, ressuscitar, salvar, faz parte da natureza divina de Jesus. “Eu e o pai somos um”, “quem vê o Filho, vê o Pai”, “quem me confessar o confessarei, quem me negar eu o negarei”, “aquele que beber da água que eu dou jamais sentirá sede”, “eu sou a porta”, "Sou o pão da vida", "Sou a videira verdadeira", “eu sou o caminho, a verdade e a vida”. As Escrituras revelam que Jesus sabia quem era e conhecia sua missão, "tu és o Cristo, Filho do Deus vivo", afirmou Pedro, Jesus responde assegurando que Simão era bem aventurado, pois quem revelou tal declaração fora o Pai celestial.

No livro de João, capítulo 14, há uma narrativa de uma conversa entre Jesus e os discípulos na ocasião Ele reafirma "Eu e o Pai somos um". Ainda em João, 2 - 19, Jesus fala sobre sua morte e ressurreição, isto testifica que lhe era sabido sua missão. Antes de ser preso, ao orar no jardim do Getsemani, Jesus declara "Aba, Pai tudo te é possível. Afasta de mim este cálice", apesar de sua tristeza e ciente da magnitude de seu ato prossegue "contudo não seja como eu quero, mas sim o que tu queres". Agora ressuscitado Ele está ao lado direito do trono do Pai, intercedendo por nós, até que um dia em resplendor e glória retornará a terra para julgar e ser adorado por todos.

Ao reconhecermos a identidade de Jesus Cristo e decidimos crer nele e em quem o enviou, ao tornarmo-nos seus servos indagamos: quanto a mim, qual minha identidade, qual a minha missão? O que Deus quer para minha vida?

Em Gênese o Senhor nos revela nossa formação: do pó da terra Deus formou o homem, e soprou o fôlego de vida. Com pó da terra fez-nos um boneco de barro, mas o sopro fez-nos homem; com barro deu-nos forma, mas o Espírito deu-nos vida. Contudo o pecado esvaziou-nos de Deus, assim ficamos como já declarou o filósofo e literato Dostoievski "existe no homem um vazio do tamanho de Deus". Ademais de saber como fomos formados atormenta saber o porquê de termos sido formados, qual a finalidade de nossa criação?

Em Gêneses sabemos como fomos formados, em toda Bíblia sabemos o porquê de termos sido gerados. Ainda Dostoievski afirma “O segredo da existência não consiste somente em viver, mas em saber para que se vive.” Em Isaias o Senhor diz "Esse povo que formei para mim, para que me desse louvor", certamente essas palavras é um das mais nítidas quanto ao papel que o homem deve desempenhar, explica claramente o desígnio de nossa existência, nascemos para louvar, glorificar a Deus, testificar suas obras, somos suas testemunhas, ainda em Isaias 43:10 "vocês são minhas testemunhas, declara o Senhor, e meu servo a quem escolhi, para que vocês saibam e creiam em mim e entendam que eu sou Deus" no versículo 12 "vocês são testemunhas de que eu sou Deus" como o mundo irá crer se não há quem pregue, e como pregar se ninguém se dispõe a ir? Devemos fazer como a mulher samaritana do poço de Jacó, ela esperava o Cristo (Cristo era promessa de Deus), ao encontrar com Ele, ouviu suas palavras, creu e saiu a testificar sobre o que lhe havia ocorrido e através de suas declarações muitos creram em Jesus. Ela teve o vazio de sua existência - que outrora tentava preencher com suas paixões - agora totalmente abarrotado pela presença de Jesus. Depois, cada samaritano cria não mais pelas palavras daquela mulher, mas por suas próprias experiências.

Acreditar que Jesus é o Cristo exige experiência pessoal. "Eu te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos podem te ver, disse Jô referindo-se a Deus. Aquele que tem um encontro com Cristo é transformado, aquele que ouve e aceita a Cristo tem sua vida transformada, em 2 Coríntios 5:17 diz: portanto se alguém está em Cristo é nova criatura, as coisas antigas já se passaram, eis que surgiram coisas novas. "Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga as tuas transgressões, por amor de mim e que não se lembra mais de seus pecados" Isaias 43:25. O amor de Cristo se revela no momento de sua encarnação com a finalidade de descer à cruz, morrer, sacrificar-se em nosso lugar para nos regenerar com Deus. E nisso somos suas testemunhas, o relacionamento pessoal com Cristo nos habilita a sermos suas testemunhas.

O apóstolo Paulo ainda nos exorta a sermos imitadores de Cristo, imitar a Cristo implica observar sua identidade, suas ações, sua disposição em perdoar, seu compromisso com o reino de Deus, sua comunhão com o Pai e reproduzir tais comportamentos em nossas vidas. Não há humildade maior que abrir mão de sua própria essência para salvar o homem, foi isso que Jesus fez, abriu mão de seus atributos divinos para se igualar ao homem, sofrer, padecer e consequentemente salvar a humanidade. Imitemos a Cristo, rejeitemos nossa essência carnal, abramos mão dos nossos desejos e vontades e decidamos servir a Deus, assim como Cristo o fez ao morrer em morte de cruz, serviu a Deus para resgate do homem. Sirvamos a Deus glorificando o Filho.

Em Cristo inicia-se uma nova maneira de relacionar-se com Deus, em Cristo recebemos o perdão, somos justificados, santificados, rejeitamos o pecado; em Cristo tudo se faz novo, resgatamos nossa identidade original: adoradores. Sejamos verdadeiros adoradores, adoremos em espírito e em verdade. A Deus seja a glória para todo o sempre amém.



A indicação de leitura hoje é o livro Em defesa de Cristo, de Lee Strobel. Deus vos abençoe.









Amanda Rocha é professora. Escreve em ConTexto às quintas-feiras.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A intolerância dos tolerantes e os confetes carnavalescos - por Amanda Rocha

A quarta-feira passou, mas as cinzas do carnaval deixaram um imensurável prejuízo, não apenas econômico graças aos diversos dias de inatividade industrial e comercial, não somente pelas grandes cifras de dinheiro público usado para distrair a população embalada por ritmos dançantes e letras chicletes ou pornográficas, enquanto hospitais e escolas funcionam em deploráveis condições. Contudo, diria mais, não unicamente pelo elevado índice de acidentes e mortes nas péssimas estradas. Pensando bem, qual o intuito em citar o elevado número de contágio de doenças sexualmente transmissíveis em relações desprotegidas durante esse período? De igual modo não se faz necessário referenciar a elevada despesa que o Sistema Único de Saúde terá por consequência do carnaval; tão pouco se faz cogente contabilizar o número de criminalidade que se eleva nesse período – assaltos, homicídios, latrocínios, tráfico; os casos de divórcios, de gravidez indesejada - que em parte culminará em abortos realizados …

Regime Militar e Movimentos Sociais, quem é o mocinho e quem é o vilão? - por Amanda Rocha

Desde a década de 70 o Brasil tem-se acrescido em números de movimentos sociais e sindicatos, suas origens datam em anos anteriores, mas sua efervescência dá-se no período de Regime Militar. Eivados da necessidade de luta de classes, esses movimentos disseminam que nasceram para combater o regime ditatorial vigente nas décadas de 60 e 70 no país, mas disfarçam o cerne de suas bases ideológicas, cuja finalidade é a imposição da ditadura do proletariado. Nascida na mente insana e nefasta de Karl Marx, essas utópicas soluções para o fim das desigualdades sociais e econômicas concretizaram-se em diversos países, e por onde passaram promoveram unicamente a igualdade da miséria. Dentre as tantas falácias que divulgam, mentem sobre a ordem dos fatos, uma vez que os movimentos não surgiram com o intuito de lutar pela democracia e findar o Regime Militar, há nessa afirmativa uma completa inversão, visto que o Regime Militar foi conclamado pela população e aprovado pelo Congresso, nessa época, …

Se o sol não brilhar, aproveite a sombra do dia nublado - por Davi Geffson

Já percebeu o quanto costumamos a reclamar? Se faz sol a gente reclama, se chove reclamamos do mesmo modo, na verdade, somos serescom anseios e desejos, mas precisamos entender que nada gira em torno de nós. É um conjunto, são vários humanos com os seus devaneios de “ser”. Achar que tudo gira em torno de nós, e por isso, deve ser do nosso jeito, é o mesmo que caminhar em uma esteira, você perderá peso, irá suar, vai se cansar, entretanto, continuará no mesmo lugar.


Tudo pode ser mais simples se ao invés de reclamarmos, impulsionarmos o sentido do “procure o que há de melhor”, em tudo iremos encontrar o lado positivo e o negativo, se assim não fosse, que chato seria. Não queremos nem muito, nem pouco, queremos balanceado, com equilíbrio, isso é o que mescla a nossa vida. Uma comida com muito sal é péssima, com pouco também, agora quando se coloca a quantidade ideal, huuuum, que delícia. Assim é a vida, nem tanto, nem pouco, mas o suficiente.
Diariamente, Deus nos concede o dia que nos fa…