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Trabalhar para quê? - por Estêvão Soares


Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?
Eclesiastes 1:3

Trabalhar para quê? Esse é o questionamento do sábio e talvez o mesmo de tantos seres humanos que questionam o propósito do trabalho, principalmente diante de um mundo profissionalmente tão concorrido e predatório, utilitarista, mergulhado em uma lógica de produção, consumo e bem-estar egoísta.

Salomão, segundo historiadores, no final de sua vida, com toda sua sabedoria e riqueza iniciou uma jornada fascinante de análise da vida a partir do olhar humano, tendo como ponto de partida a finitude do ser humano e de várias perspectivas analisou a vida de forma dinâmica sobre essa eterna busca da satisfação e contentamento.

Logo no início o autor do livro de Eclesiastes refuta uma das principais atividades do homem, o trabalho, refletindo sobre a futilidade do trabalho e instigando o leitor ao indagar qual seria o proveito do trabalho. Nesse ponto específico destacamos a pergunta principal do livro, “que proveito tem?”

O sábio apresenta argumentos e constrói toda sua retórica a partir da pergunta “que proveito tem?” e da afirmação “tudo é vaidade”. O clímax do livro acontece quando o autor a partir do seu contentamento humano em reconhecer que a vida não faz sentido, reconhece que tudo só faz sentido se o homem olhar para a vida com as lentes de Deus. 

Em resumo, a história é conduzida por Deus, e cada mínimo detalhe da nossa vida está sob o seu domínio. Assim sendo, Salomão reconhece que a vida só faz sentido se a satisfação e o contentamento forem prospectados na fonte certa, no autor da vida. Ele é que concede ao homem a verdadeira felicidade, pois tem um propósito para cada momento da vida, inclusive o trabalho.

A partir dessa resposta encontrada pelo sábio no final do seu livro pode-se verificar que tudo começa a fazer sentido, inclusive o trabalho. E, voltamos a pergunta: “trabalhar para quê?” Para alguns críticos o trabalho não tem um propósito e não estaria no plano original de Deus para a humanidade. Bem, não é o que encontramos em Gênesis 2.15, “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.” O texto apresenta o trabalho como algo anterior ao pecado, portanto, não seria consequência do pecado, mas, algo que está no propósito original de Deus para a humanidade.

As Sagradas Escrituras inclusive apresentam o trabalho como algo tão incrível que ele não seria apenas um dever humano, mas algo divinal, pois, nas palavras de Jesus registradas por João Ele disse que Deus Pai ainda trabalha até hoje, assim como Ele, sendo óbvio que Deus não estava descansando desde o sétimo dia da criação, como alguns imaginam. O salmista também revela que o trabalho é algo que cabe aos astros celestiais, “Ele fez a lua para marcar estações; o sol sabe quando deve se pôr”. (Sl 104:19), assim como aos animais, “os leões rugem à procura da presa...”(Sl 104:21).

Desta forma, o sábio levanta uma questão que deve realmente ser avaliada diariamente: que proveito tem o seu trabalho? A resposta que Salomão aponta é que o trabalho não é uma maldição em si. Mas, pode tornar-se quando não está dentro do propósito de Deus. E qual o propósito de Deus? O propósito de Deus é que o trabalho não seja um fim em si mesmo. O propósito de Deus é que o trabalho não seja mais um deus idolatrado pelos homens. O propósito de Deus é que o trabalho não seja o propulsor do desequilíbrio emocional, físico e espiritual do homem. O propósito de Deus é que o trabalho seja um meio pelo qual o homem glorifica a Ele cumprindo suas atividades com honestidade, sinceridade, criatividade, equilíbrio e ética, resultando em vidas e famílias ajustadas e equilibradas no amor, na fé e na esperança, tendo como central aquilo que é essencial. O trabalho não é algo criado pelos homens, o trabalho é algo que vem de Deus, e se é divinal, então há contentamento, satisfação e espiritualidade nele também.





Estêvão Soares é bacharel em Administração. Escreve em ConTexto aos sábados


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