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Os culpados do caos revestidos da falsa moral cobram justiça – por Amanda Rocha

Passada a apresentação desta Coluna na última quinta-feira, pretendia usar este espaço para escrever algo tão agradável e que me é prazeroso: discorrer sobre literatura; mas isso implicaria, por hora, ficar alheia às grandes manchetes, a saber, a mais recente tragédia no Estado de Minas Gerais na cidade de Brumadinho ocorrida na manhã da última sexta-feira (25), quando uma barragem de rejeitos de ferro da Vale do Rio Doce rompeu culminando na morte ou desaparecimento de centenas de pessoas e numa incomensurável destruição ambiental.

Visão aérea da região devastada. Foto: Isac Nóbrega/PR

As imagens dos resgates e do desespero das famílias em busca de sobreviventes ou mesmo dos corpos de seus parentes com o intuito de conceder-lhes um sepultamento digno é de provocar-nos arrepios, o ser humano ainda não consegue administrar os sentimentos promovidos em situações como esta.

Há pouco mais de três anos os brasileiros viam a cena da lama avançando sobre Mariana e atônitos pareciam não crer que aquilo era verdade, o que observavam assemelhava-se a um cenário de desastre num país distante ou mesmo cenas de algum filme Hollywoodiano, mas tragicamente era real. Não sabiam, ao mirar os noticiários, que o pior estava por vir, a moldes 'à la governo petista': sem culpados, sem punição. A Samarco, mineradora responsável pela barragem em Mariana, pagou unicamente uma parcela da indenização, segundo o site El País Brasil, o que corresponde a um valor ínfimo pelos danos provocados; a empresa recorreu e segue na justiça ação, todavia, sequer possui data prevista para julgamento. 

Ademais de toda dor sofrida pelos brasileiros em especial aos mineiros de Brumadinho, intrigou-me ler os votos de pesar da ex-presidente impeachmada Dilma Rousseff, a mesma que assinou o decreto de número 8.672/2015, no qual o rompimento de barragens tornou-se acidente natural facilitando a inimputabilidade sobre os mega empresários do minério. Em seus votos exigiu que urgentemente a Vale repare todas as barragens construídas e ainda tece crítica aos elevados lucros que as empresas obtêm com a exploração de ferro. Em anos de governo, inclusive foi durante o governo petista que houve o caso da Samarco em Mariana, nada foi realizado senão para facilitar a vida dos tais empresários.

Destaque importante é que o antigo governador Fernando Pimentel também do Partido dos Trabalhadores, concedeu a ampliação em 70% da exploração de minério pela Vale realizada na região da atual catástrofe, isso ainda em dezembro de 2018. O acidente, que deve ser chamado de crime, pois assim o é, ocorreu antes mesmo da ampliação da exploração de minérios na região.

No Senado, projeto que visa elencar medidas de segurança para a construção de novas barragens não conseguiu entrar em pauta na comissão responsável; já na Assembleia Legislativa Mineira tramita Lei de Segurança de Barragem, por enquanto também sem aprovação. Quanto ao Palácio do Planalto só agora, após outro crime catastrófico e uma mudança de governo gerada nas últimas eleições, que algumas medidas reais são pensadas com a finalidade de evitar que outras barragens venham a si romper. Além de algumas prisões como as dos engenheiros e auditores responsáveis pela manutenção da barragem rompida em Brumadinho o governo já pensa em adotar certos requisitos de segurança para as construções de novas barragens, ao passo que exige um diagnóstico das já existentes e analisa formas legais de punir os culpados.

Mariana e Brumadinho choram lamas de rejeitos tóxicos e é impossível medir os impactos desses crimes. Quanto aos culpados, quem são? Muitos. Desde as empresas até os órgãos públicos de fiscalização, perpassando o legislativo e executivo que descumpriram o papel de zelar pela nação, e para esses apenas os lucros importavam. Vivemos num grande estado que por muitos anos foi governado por verdadeiros golpistas que discursavam, e ainda o fazem, contra os lucros e  'aszelites', contudo, suas ações ambicionavam a própria manutenção no poder e o autoenriquecimento.

Apeteço trazer à memória que foi o Partido dos Trabalhadores que deixou o Brasil na lama, não apenas na lama das barragens de rejeitos das mineradoras, mas na lama da dívida pública que ultrapassou as cifras dos trilhões, na lama do caos da violência pública com mais de 60 mil mortes ao ano, na lama dos baixos índices de educação, na lama da desprezada saúde pública, na lama dos calotes que países socialistas deram ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, na lama dos mais de 13 milhões de desempregados, na lama da crise ética e moral, na lama da ausência de credibilidade econômica, na lama da corrupção, do engodo, da canalhice. Quanto ainda colheremos das más safras plantadas pelo PT?

Vislumbro que não se pode aplicar a tese dos atos de fala aos líderes do governo petista, dizer não é fazer (a menos que estejam distantes dos holofotes orquestrando rombos bilionários aos cofres públicos). Eles vomitam falácias, mas para si soam como anedotas contadas a uma plateia, e não população, que os assiste com esperança mesmo enquanto são conduzidos à lama.

Aguardamos ansiosos por uma mudança de direção, o Brasil não apenas precisa, mas merece uma nova forma de governo, um governo que tenha alma e imenso zelo pela nação. Já é possível contemplar uma pequenina luz no fim do túnel, e friso que começamos bem realizando parceria com o Estado de Israel. Nossas preces é para que esta seja a última vez que cenas tão impactantes promovidas por tamanha irresponsabilidade choque os brasileiros, deixando-nos de luto. A última indagação que faço, com o intuito de incitar uma reflexão é: onde estão os artistas, os Direitos Humanos, a Organização das Nações Unidas, as feministas, entre outros, que se aproveitam de determinadas situações, e até criam jargões e modismos, para conseguirem destaque e defenderem o indefensável? Quiçá lançados à lama.

Para não deixarmos de falar em literatura eis um poema que escrevi após uma de minhas releituras de Ode ao Burguês, de Mário de Andrade, que por hoje essa será minha indicação de leitura. Que Deus vos abençoe.

Ode ao Politiqueiro

Denunciamos o Politiqueiro!
O Politiqueiro corrupto,
O Politiqueiro infame!
A absorção perfeita de Brasília.
O homem que se mantém por trás da gravata e do calarem.
O homem, que sendo parlamentar ou ministro,
Mantém as nádegas estufadas!

Denunciamos o Politiqueiro petralha,
Bolivariano, comunista e ladrão!
Vivem na explanada e sugam bilhões,
Capturam o direito à cultura, saúde e educação!

Denunciamos o Politiqueiro funesto
O incansável esquerdopatismo.
A “farta”! A “farta” de comida
A “farta” de educação.
Fora os hipócritas da ética!

Olha a vida invertida
Repleta de contradição
Ontem os da moral, hoje os do caos!

Fenecem os jovens;
Fenecem os meios de produção;
Mas não fenece o mensalão!

O Politiqueiro Black-tie
O Politiqueiro limusine
O seu poder emerge com a imersão do povão.

– Ai, Brasil, quanto de Ti levaram nesses 500 anos?
Teu povo não tem herói, é miserável e morre de fome!




Amanda Rocha é professora. Escreve em ConTexto às quintas-feiras.

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