Pular para o conteúdo principal

Integridade - por Estêvão Soares




“Quem anda com integridade anda com segurança, mas quem segue veredas tortuosas será descoberto.” Prov. 10.9

Iniciamos aqui uma jornada onde humildemente convido todos a reflexão semanal sobre temas muito importantes para a vida diária e prática do cristão. Gostaríamos de pensar um pouco neste tempo sobre temas como espiritualidade, trabalho, vocação, chamado, entre outros a estes relacionados.

E, neste sábado, onde finaliza-se mais uma semana em que a grande mídia usou recortes de falas da Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos para atacar o Governo Federal, recém empossado, e, principalmente, a postura cristã dos seus componentes, especialmente deste Ministério, não poderíamos deixar a oportunidade de tentar interpretar essa postura nacional de separação entre o trabalho e a espiritualidade do brasileiros, no que tange  ao cristianismo.

Vivemos em um país que se diz laico, onde diz-se há separação entre o Estado e a igreja, e, quanto a isso, concordamos plenamente e não temos dúvidas que deve ser assim, mas, o que nos preocupa é a negação hipócrita do ser humano como ser espiritual, como ser que possui opiniões individuais, como ser que pode expressar-se.

Ministra Damares Alves
Foto: Valter Campanato/ABr

A evolução tecnológica e informacional tem transformado o mundo e a mídia dando este tratamento de massa aos seres humanos, encarando-os sempre como coletividade. No entanto, percebemos ao longo da nossa jornada nesta terra que não é assim, pois, cada ser é individual, cada indivíduo tem um DNA, cada ser humano tem uma digital. Portanto, apesar da multidão, não se deve esquecer que fomos criados únicos e para nos relacionar um a um.

Jesus, nos mostrou claramente que isso é possível não deixando-se corromper com a massa, mesmo em uma multidão o apertando, Ele disse: alguém me tocou. Mesmo em meio a massa, ele saiu para orar com 3 amigos mais próximos. Mesmos, caminhando três anos com muitos, ele jantou apenas com 12 amigos antes da sua crucificação.

Então, quando a grande mídia tenta excluir a espiritualidade ou as opiniões do indivíduo sobre temas específicos enquanto ocupante de determinado cargo, enquanto trabalhador, servidor, na verdade, cria-se um ambiente de hipocrisia e mutilação, onde o indivíduo é tratado como apenas força de trabalho mecânica, desprovido de mente, de pensamento, desprovido de emoções, desprovido de opiniões, desprovido de corpo, alma e espírito.

O trabalho não foi estabelecido por Deus para mutilar o homem, ou retira-lhes direitos, até mesmo, e isso chega a ser cômico, como tenta-se retirar da Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, um direito consagrado em nossa Constituição, e até mesmo na Declaração Universal da ONU, em que no seu 9º artigo diz: Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. 

Posto isto, o sábio escritor dos Provérbios, afirma que o ser humano deve ser íntegro, pois assim, andará com segurança. Pelo contrário, aquele que caminha sem integridade será descoberto. E o que isso tem a ver?

O indivíduo que anda nas sombras, escondendo suas opiniões, separando sua espiritualidade entre igreja e trabalho, mutilando suas opiniões, será só mais um na multidão que aperta Jesus, sempre será só mais um na multidão sem autoestima, será só mais um na multidão de pessoas sem rosto, sem digital, sem marca, manobrados pelas Fake News e opiniões alheias.

O cristão tem um chamado para ser íntegro. O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus para ser inteiro, completo. Isso quer dizer, conforme o Aurélio, ser reto e imparcial. Desta forma, não é o cargo que ocupa ou as opiniões que expressa que devem nortear suas decisões e relações no trabalho, a sua espiritualidade deve ser capaz de a cada dia diminuir o abismo existente entre o discurso e a prática. Ocupar um cargo ou desenvolver um trabalho não deve ser pretexto para impor suas opiniões, mas, ser inteiro, completo, imparcial, inatacável, lhe dará o suporte, quer no trabalho ou em qualquer lugar, para viver em segurança, pois, como diz o sábio, os que não são íntegros, mais cedo ou mais tarde serão descobertos.

Vivemos em um Brasil mergulhado em escândalos de corrupção sendo descobertos a cada dia, onde aqueles que não expressam suas opiniões por ocupar determinados cargos, ou opinam junto com a massa, tem sido descoberto pelos seus caminhos tortuosos, ou melhor, pelas suas ações parciais, fraudulentas e corruptas.

Neste ponto, como administrador, entendo que a postura e as ações de um empregado no seu trabalho dizem muito mais do que suas palavras. Assim como as políticas empregadas por uma empresa nas relações comerciais dizem muito mais do que suas declarações negativas e seus relatórios financeiros. Portanto, não deixemos que as pessoas e as opiniões alheias mutilem nossa espiritualidade em nosso trabalho.

Nós somos inteiros, criado para viver inteiros, formados por corpo, alma e espírito para sermos íntegros, implantando onde quer que estejamos uma cultura de justiça, paz e alegria no Espírito Santo, realizando o nosso melhor com excelência, pois, para Deus o fazemos. Ser íntegro significa ser inteiro para os outros, ser completos em nossas relações com o outro, ser verdadeiros em nossas opiniões, mesmo que elas não satisfaçam a todos, mas se estiverem coerentes com a Bíblia, sejamos íntegros.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A intolerância dos tolerantes e os confetes carnavalescos - por Amanda Rocha

A quarta-feira passou, mas as cinzas do carnaval deixaram um imensurável prejuízo, não apenas econômico graças aos diversos dias de inatividade industrial e comercial, não somente pelas grandes cifras de dinheiro público usado para distrair a população embalada por ritmos dançantes e letras chicletes ou pornográficas, enquanto hospitais e escolas funcionam em deploráveis condições. Contudo, diria mais, não unicamente pelo elevado índice de acidentes e mortes nas péssimas estradas. Pensando bem, qual o intuito em citar o elevado número de contágio de doenças sexualmente transmissíveis em relações desprotegidas durante esse período? De igual modo não se faz necessário referenciar a elevada despesa que o Sistema Único de Saúde terá por consequência do carnaval; tão pouco se faz cogente contabilizar o número de criminalidade que se eleva nesse período – assaltos, homicídios, latrocínios, tráfico; os casos de divórcios, de gravidez indesejada - que em parte culminará em abortos realizados …

Regime Militar e Movimentos Sociais, quem é o mocinho e quem é o vilão? - por Amanda Rocha

Desde a década de 70 o Brasil tem-se acrescido em números de movimentos sociais e sindicatos, suas origens datam em anos anteriores, mas sua efervescência dá-se no período de Regime Militar. Eivados da necessidade de luta de classes, esses movimentos disseminam que nasceram para combater o regime ditatorial vigente nas décadas de 60 e 70 no país, mas disfarçam o cerne de suas bases ideológicas, cuja finalidade é a imposição da ditadura do proletariado. Nascida na mente insana e nefasta de Karl Marx, essas utópicas soluções para o fim das desigualdades sociais e econômicas concretizaram-se em diversos países, e por onde passaram promoveram unicamente a igualdade da miséria. Dentre as tantas falácias que divulgam, mentem sobre a ordem dos fatos, uma vez que os movimentos não surgiram com o intuito de lutar pela democracia e findar o Regime Militar, há nessa afirmativa uma completa inversão, visto que o Regime Militar foi conclamado pela população e aprovado pelo Congresso, nessa época, …

Se o sol não brilhar, aproveite a sombra do dia nublado - por Davi Geffson

Já percebeu o quanto costumamos a reclamar? Se faz sol a gente reclama, se chove reclamamos do mesmo modo, na verdade, somos serescom anseios e desejos, mas precisamos entender que nada gira em torno de nós. É um conjunto, são vários humanos com os seus devaneios de “ser”. Achar que tudo gira em torno de nós, e por isso, deve ser do nosso jeito, é o mesmo que caminhar em uma esteira, você perderá peso, irá suar, vai se cansar, entretanto, continuará no mesmo lugar.


Tudo pode ser mais simples se ao invés de reclamarmos, impulsionarmos o sentido do “procure o que há de melhor”, em tudo iremos encontrar o lado positivo e o negativo, se assim não fosse, que chato seria. Não queremos nem muito, nem pouco, queremos balanceado, com equilíbrio, isso é o que mescla a nossa vida. Uma comida com muito sal é péssima, com pouco também, agora quando se coloca a quantidade ideal, huuuum, que delícia. Assim é a vida, nem tanto, nem pouco, mas o suficiente.
Diariamente, Deus nos concede o dia que nos fa…