Pular para o conteúdo principal

“A Igreja é o canal para prevenção das drogas", afirma pastor batista

Completando dez anos de atuação em todo o Brasil, o Projeto Cristolândia é um trabalho desenvolvido pelas igrejas batistas que oferece acompanhamento para frequentadores das cracolândias. Para incrementar este trabalho, as igrejas também estão desenvolvendo o Movimento Viver, no intuito de transformar as comunidades religiosas em ambientes de identificação dos fatores de risco da inserção de crianças, adolescentes e jovens no mundo das drogas.
O município de Caruaru recebeu, no sábado 26, o Seminário Viver, na Comunidade Batista da Graça. O intuito do evento foi capacitar líderes e membros das igrejas a desenvolver atividades que permitem reconhecer os riscos e implementar fatores de proteção, para que os indivíduos não desejem entrar no mundo das drogas.
Um dos palestrantes do seminário foi o pastor Gildo Freitas, que também é coordenador da Cristolândia em Recife. Nesta entrevista exclusiva concedida a ConTexto, ele conta um pouco sobre o projeto e incentiva a colaboração das igrejas e da sociedade como um todo. Confira:



A Cristolândia realiza um trabalho quando o indivíduo já é dependente químico. Qual é a diferença para o trabalho realizado no Seminário Viver?
O Seminário Viver é um trabalho realizado na prevenção. A Cristolândia está completando 10 anos em 2019, cujo projeto existe em oito estados do Brasil, onde trabalhamos com o indivíduo que já está utilizando drogas. Desenvolvemos o Movimento Viver – Movimento nacional de prevenção ao uso de drogas – para levar à igreja a informação de como identificar e trabalhar na prevenção. Junto de todo o cenário que trabalhamos, identificamos que cerca de 80% dos jovens que estão nas Cristolândias já passaram por uma comunidade cristã – ou seja, já foram cristãos ou alguém da família está num ambiente cristão. Então, a igreja é o canal de alcançar essas pessoas e trabalhar na prevenção, identificando os fatores de risco para jovens, crianças e adolescentes.

Para isso, a igreja, enquanto comunidade terapêutica, não deve olhar apenas para o aspecto espiritual das pessoas no ambiente em que está inserida, mas também para o aspecto integral?
Integral e, acima de tudo, espiritual, porque há também uma batalha espiritual por trás das drogas. A igreja tem tanto a responsabilidade espiritual quanto a responsabilidade social, de estar inserida na comunidade capacitada para trabalhar com este segmento, que até hoje não era entendido como um segmento que precisava ser alcançado e estava à margem da sociedade.

Há alguns anos, foi debatido no ambiente evangélico – principalmente entre os batistas – a necessidade de trazer a Cristolândia para Caruaru, mas não houve avanços neste sentido. Então, de que forma o município de Caruaru insere-se no projeto Viver?
Para nós, Caruaru é uma grande cidade, com referência cultural e educacional, que tem crescido cada vez mais. São quase 400 mil habitantes. Além disso, Caruaru tem uma importância regional, pois vários municípios do entorno dependem de Caruaru. Trazer este seminário para a cidade de Caruaru, onde tem muitas igrejas parceiras do Projeto Cristolândia, é muito importante. Temos, sim, o sonho de trazer uma unidade do Projeto Cristolândia para Caruaru, no intuito de atender ao Agreste, mas isso tem sido trabalhado com muito planejamento e oração, pois os custos de manutenção de um projeto assim são muito elevados. O Seminário, desta forma, nos ajuda, primeiramente por causa da visibilidade. Igrejas que não conheciam o projeto passarão a conhecê-lo e integrar-se nesse processo de prevenção ao uso das drogas.

O Seminário Viver é realizado apenas em igrejas batistas?
Esse é um projeto que não pertence exclusivamente à Igreja Batista, mas pertence às demais igrejas e à sociedade como um todo. Qualquer igreja que queira receber o treinamento pode entrar em contato conosco, que nós oferecemos a capacitação, trazendo para a igreja a orientação de como identificar os fatores de risco e como implementar fatores de proteção. O telefone para contato é (81) 9.9586.7204 como também através da página da Cristolândia, na fanpage Cristolândia PE ou no instagram @CristolândiaPE.

Comentários


Postagens mais visitadas deste blog

Baixe aqui o livro - Passos para o Reavivamento Pessoal

Clique aqui para baixar a versão PDF.

Por Dentro do Polo | Pernambuco volta a ser o maior produtor de Jeans do Brasil – por Jorge Xavier

O Brasil produziu 341 milhões de peças jeans em 2019. Desse total, o polo produtivo de Pernambuco sustentou 17% do volume. Com algo em torno de 60 milhões de peças no ano, o estado é o maior polo de jeans do país, segundo o iemi - Inteligência de Mercado. Ultrapassou, assim, regiões como norte do Paraná e Santa Catarina. São Paulo é o maior centro comercial, mas, não de produção.Em Pernambuco, a produção está concentrada sobretudo entre Toritama e Caruaru. O valor da produção de peças jeans está estimado em R$ 14,4 bilhões, que corresponde a 9,5% do total nacional da produção textil no ano passado, apontou Marcelo Prado, diretor do leme, que participou de webinar da Santista sobre o futuro do consumo com a covid19. Já o varejo de jeans movimentou R$ 25,3 bilhões, disse Prado. A receita corresponde a 11% do consumo nacional de vestuário, calculado pelo lemi em R$ 231,3 bilhões, com a venda de 6,3 bilhões de peças. Em sua apresentação, Prado mostrou a evolução do mercado nacio

Sem Aspas | Felipe Neto, Álvares de Azevedo e Machado de Assis, qual deles presta um desserviço à nação? - por Amanda Rocha

  O célebre escritor alemão Johann Goethe, autor das obras Fausto (poema trágico) e de Os Sofrimentos do Jovem Werther (seu primeiro romance) escreveu que “O declínio da literatura indica o declínio de uma nação”. Compreenda-se que a formação acadêmica, moral, ética, política, filosófica perpassa a leitura das grandes obras literárias, haja vista que elas instigam o homem a refletir sobre sua própria realidade, sobre os dilemas que o assolam e sobre os valores e conceitos que devem se sobrepor aos conflitos. Hans Rookmaaker, holandês e excelente crítico da arte, diz em seu livro “A arte não precisa de justificativa” que “a arte tem um lugar complexo na sociedade. Ela cria as imagens significativas pelas quais são expressas coisas importantes e comuns. Por meio da imagem artística, a essência de uma sociedade torna-se uma propriedade e uma realidade comuns. Ela dá forma a essas coisas não só intelectualmente, mas também de modo que elas sejam absorvidas emocionalmente, em sentid