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Que bicho de pé de goiaba é esse? – por Marisa Lobo

Como psicóloga REPUDIO veemente as chacotas que estão fazendo em torno do testemunho da Damares Alves, futura ministra dos direitos humanos, sobre o abuso sexual que ela sofreu na infância. É de assustar como as pessoas reagem ao desconhecido e à dor do outro, quando esse outro não comunga com suas ideias.

Damares Alves, futura ministra dos Direitos Humanos, foi abusada durante a infância.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


Estudei direitos humanos, para entender os discursos de defesa dos direitos individuais, coletivos, religiosos e só me decepcionei ao ter o entendimento de que no Brasil direitos humanos é extremamente seletivo, serve apenas as pautas que a - esquerda feministas e LGBTs - classificam como direitos.

Talvez Damares não tenha visto Jesus literalmente, talvez trate-se de uma analogia, figura de linguagem, licença poética, representação, de um "amigo imaginário" (não que Jesus seja imaginário), mas pode ter sido a forma que o inconsciente dela, através de seus mecanismos de defesa elaboraram a dor de ter sido abusada. Preciso desenhar para os "nobres intelectuais"?

O que me espanta é ver uma mídia que se apressa em julgar e condenar qualquer homem que ousar dizer umas gracinhas a qualquer mulher, que aceitam prontamente qualquer acusação de uma mulher contra um homem de direita (quando servem as suas pautas) ridicularizar a mensagem por detrás da analogia com o "JESUS e o pé de goiaba " do abuso sexual infantil, da pedofilia.

Se ela viu Jesus, ou não, se é fantasia da sua mente ou não, só ela e Deus podem dizer com certeza. O fato é que, é uma mensagem, uma estratégia que pode curar mulheres que sofrem por terem sido abusadas e para tantas crianças que neste momento passam por essa dor.

"Você vai conseguir superar", essa é a mensagem, há uma força interna que a impede -segundo ela de se matar- se essa força é Jesus para ela, qual o problema? Não seria intolerância religiosa? Desrespeito a fé do outro, que vocês tanto defendem? Mas espera aí, não é esse um direito proclamado por todos "o respeito a religião"? Acaso, temos que duvidar de seu testemunho? Ou de sua fé? com que direito? direitos humanos?

Quem nunca sofreu abuso não tem ideia da dor que causa na vida da vítima, homens e mulheres, o agravante e pouco discutido é que muitas crianças abusadas hoje, podem ser os pedófilos de amanhã. Quero dizer que o problema é muito maior que vocês irresponsáveis imaginam, não podemos mais, usar direitos humanos como bandeira ideológica para ofender quem não corresponde com nossas expectativas. Isso é cruel.

Ainda que você ou eu tenhamos alguma diferença com Damares, não concorde com tudo que ela diz, é cruel essa discriminação, essa intolerância e me sinto na obrigação de defendê-la, pois estou defendendo a criança que sofre. Nossas diferenças, não podem ser maiores que nossas lutas em pról do ser humano, seria desumano entendem?

Vamos aproveitar essa visibilidade. Crianças precisam urgente de políticas públicas sérias de combate a violência infantil em todas as esferas.

Temos que tratar esse assunto com respeito, dignidade e seriedade. Crianças tem sido negligenciadas, tratadas como objeto de prazer do adulto, quando esses tais "Defensores" dizem defende-las, é de forma seletiva, e a prova é este escárnio.

Sugiro que façamos um doce das goiabas desse pé, para o bem de milhares de crianças vítimas da pedofilia e abusos.

Quanto à ministra, vamos acompanhar o trabalho e criticar quando não atender nossas expectativas sim, um governo cresce quando fazemos críticas construtivas é natural e saudável, temos a obrigação com nosso país e com nossas crianças, isso é lutar verdadeiramente por direitos humanos.

Marisa Lobo é psicóloga, especialista em Direitos Humanos e autora de livros, como "Por que as pessoas Mentem?", "A Ideologia de Gênero na Educação" e "Famílias em Perigo".


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