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O disfarce carnavalesco do politicamente correto – por Amanda Rocha


Por longas décadas o mundo viveu sob a égide de sistemas políticos ditatoriais e totalitários que tolheram direitos individuais e a livre expressão. Alguns destes chegaram ao término, todavia, a custa de muitas mortes e trazem consequências trágicas mesmo anos após. A sociedade se transformou e permanece incansavelmente na busca de tão discutida liberdade.


No Brasil, especificamente no âmbito político, Ministérios e Secretarias Especiais discutem ações conjuntas e efetivas, sobre as quais alegam promover e instituir o respeito e a isonomia. Um dos mecanismos adotados e incentivados pelo Governo Federal diz respeito a publicação da cartilha “Politicamente Correto e Direitos Humanos”. Esta fora publicada como uma fantasia carnavalesca desfilando no sambódromo, revestida de beleza e boas intenções, contudo, na prática se enxerga que apenas tem por finalidade impor uma ditadura disfarçada e dista da finalidade carnavalesca de espalhar alegria.

Promover o respeito é imprescindível para que haja uma convivência saudável entre todos os indivíduos de uma dada sociedade. Respeitar a raça, o credo, o sexo, as concepções filosóficas e políticas de quaisquer indivíduos é dever de todos, no entanto, não se pode admitir que inflamados pelo ódio e com discursos separatistas, certos grupos recebem privilégios em detrimento de outros e se instaure uma segregação “às avessas”.

Os adeptos dessa ideologia acusam seus opositores de exercerem justamente aquilo que impõe com ares de harmonia: a segregação, o preconceito e o ódio. Cobrem-se de um discurso em defesa das minorias, os quais possuem respaldo constitucional de proteção, todavia o que na prática vislumbra-se não é a defesa de um direito, mas a imposição de privilégios.

Criam-se castas sociais e fazem uso de um discurso vitimista que acaba por produzir mais ódio a combatê-lo, tão pouco concretizar os objetivos cuja retórica inflamada professa. O racismo deve ser combatido e punido com toda força da lei, de igual modo a agressão às mulheres, aos homossexuais e qualquer individuo, contudo vale salientar que a violência é democrática e atinge a todos indiscriminadamente, por isso não se deve punir o agressor com menos severidade porque a vítima está fora do rol dos protegidos pelo politicamente correto, essa prerrogativa já é por si um mau.

Analise-se que para justificar a redoma que certos grupos são postos inventa-se até mesmo dívidas, crimes e dados jamais comprovados. A exemplo, o feminicídio, que se embasa na misoginia, porém a maior parte dos crimes arrolhados nessa tipificação penal são praticados por homens que mantiveram relações com mulheres, descaracterizando a repulsa contra uma mulher pelo simples fato dela ser mulher, assim o fosse não teria ocorrido jamais um prévio contato entre agressor e vítima. A punição deve ocorrer e com muita austeridade, mas não carece de respaldo em contos fantasmagóricos nos quais se inventa uma patologia que justifique outra insanidade, além de serem analisadas meramente pelos estudiosos das ciências sociais não são comprovadas pelas ciências naturais.

O novo cenário desenhado pelo politicamente correto traça liames acerca dos temas que poderão ser abordados e quais posicionamentos poderão ser ditos e/ou reproduzidos. Vive-se o slogan de “o meu malvado favorito”, pode-se praticar as piores atrocidades, mas desde que façam parte de meu time estará justificado, e ainda haverá quem busque respaldo com ares de intelectualidade, pois os fins justificam os meios. Estas imposições corroboram com a tese de que esta política é sim um regime totalitário e ditatorial que disfarçadamente dissemina o medo, o ódio e anseia privar os cidadãos de liberdade.

Amanda Rocha é professora

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